Renault alerta Fórmula 1 após anúncio de saída da Honda e vê “situação insustentável”

Cyril Abiteboul disse que não é nada positivo que a Fórmula 1 tenha apenas três fornecedoras de motores a partir de 2022 e que os custos das unidades motrizes afugentam potenciais novos fabricantes

O anúncio da saída da Honda ao fim da temporada 2021 colocou o mundo da Fórmula 1 em alerta. Afinal, a principal categoria do esporte a motor vai ficar com somente três fornecedoras de motor — Ferrari, Mercedes e Renault — em um período de incertezas, amplificadas pela pandemia do novo coronavírus, sobretudo no aspecto econômico. A atual geração das unidades de potência vai seguir em vigor até 2026, quando uma nova mudança é aguardada. Na visão de Cyril Abiteboul, diretor e chefe de equipe da Renault, é chegada a hora de a Fórmula 1 repensar seus conceitos para que o esporte possa fazer sentido.

“Quero deixar bem claro que não estamos satisfeitos com a situação da Honda. Não é positivo para a Fórmula 1. Queremos uma Fórmula 1 com montadoras de automóveis, com fornecedores de motores, e ter somente três fábricas de motores não é positivo”, disse o engenheiro francês em entrevista à revista britânica Autosport.

“Precisamos tirar algumas conclusões claras desta situação, e isso é algo que venho pedindo à gestão [da F1] para avaliar com mais cuidado. A situação do motor é simplesmente insustentável. Particularmente no sentido econômico, mas também diante de uma perspectiva de tecnologia”, alertou.

Cyril Abiteboul em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (Foto: Renault)

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“Ou conseguimos mudar essa percepção da arquitetura do motor atual ou provavelmente vamos precisar acelerar a adoção de uma nova arquitetura para que todos possamos chegar a um lugar melhor. Espero que este desenvolvimento desencadeie uma ideia sobre a programação da nova geração de unidades de potência”, complementou Abiteboul.

O entendimento geral é que o desenvolvimento das atuais unidades motrizes é extremamente complexo e caro, o que afugenta a entrada de potenciais novas fábricas no grid. A Honda voltou à Fórmula 1 em 2015 como fornecedora da McLaren, um ano depois do início da era híbrida, teve muita dificuldade

“O custo para uma entrada [na Fórmula 1] é muito alto em termos de custos, mas também em termos de tecnologia. Mesmo que você gaste muito, vai levar algum tempo para chegar lá. Vimos uma demonstração disso, embora, obviamente, agora estejamos nos sentindo um pouco melhor. Mas você poderia estar numa ilha e dizer que está tudo bem porque cruzamos o mar, mas esse mar é simplesmente muito largo e muito difícil para a sustentabilidade da Fórmula 1”, analisou o chefe da Renault, que cobrou da gestão da categoria, leia-se, Liberty Media, diretrizes de um esporte mais sustentável e menos caro.

“Precisamos ter mais gente naquela ilha onde estamos agora. Precisamos fazer algo, precisamos pensar mais sobre a sustentabilidade ambiental e econômica do motor. Um pouco tem sido feito, mas não é o bastante. Precisamos ser mais enérgicos nisso. Assim como fizemos muito da parte do chassi nos últimos meses, precisamos trabalhar no aspecto do motor se não quisermos que a Fórmula 1 seja prejudicada nisso”, concluiu.

Custos provocaram debandada da Honda, diz consultor da Red Bull

Helmut Marko compartilha da impressão de Abiteboul sobre o panorama da Fórmula 1 quanto aos motores. “Deveríamos ter cortado os custos antes”, ressaltou o dirigente austríaco, em entrevista à revista alemã Auto Motor und Sport, fazendo menção ao teto orçamentário ao qual a Fórmula 1 vai ser submetido a partir da próxima temporada.

Na visão do consultor da Red Bull, a Fórmula 1 atravessa um momento em que não é interessante para novas fornecedoras de motor.

“Ninguém quer ir tão longe [gastar tanto no desenvolvimento das unidades motrizes] por um período de somente quatro anos, até o próximo regulamento. E todos sabem agora que você não pode simplesmente entrar e ser competitivo de cara. A tecnologia híbrida é muito complicada e cara”.

O ex-piloto reiterou que uma saída da Red Bull da Fórmula 1 não está completamente descartada. “Se não conseguirmos encontrar uma solução competitiva, é uma opção. Sem um motor com o qual possamos conquistar o título mundial, o projeto não nos interessa”, avisou.

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