Retrospectiva 2020: Temporada marca fim de ciclos, despedidas e chance de recomeço

A temporada 2020 não foi movimentada apenas dentro das pistas, mas também fora delas, com muitas movimentações, despedidas e encerramentos de ciclos

A Fórmula 1 pode ter ficado sem correr no primeiro semestre de 2020, mas a temporada ficou marcada por importantes movimentações que vão trazer um grid renovado e mexido no próximo campeonato. Apenas 55% dos pilotos (já contando com a renovação de Lewis Hamilton com a Mercedes) vão se manter na mesma garagem em 2021.

A primeira grande mudança veio ainda em janeiro, quando o coronavírus era algo que assolava apenas a China, mas já colocava um alerta no resto do planeta. Quase dois anos depois de comprar a Force India e transformá-la em Racing Point, Lawrence Stroll se tornou um dos acionistas majoritários da Aston Martin, e anunciou que traria o nome da montadora de carros de luxo ao grid da Fórmula 1 em 2021.

Já com pandemia declarada e a indefinição da temporada, o mês de maio chegou para movimentar o mercado. Após cinco anos, a Ferrari anunciou que não renovaria o contrato do tetracampeão mundial Sebastian Vettel. O anúncio do substituto não tardou: Carlos Sainz, destaque da McLaren, foi escolhido para o lugar do alemão.

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Carlos Sainz está de partida para a Ferrari (Foto: McLaren)

Apesar de tomar um duro golpe com o anúncio da saída de Sainz, a McLaren também não demorou para anunciar uma contratação de peso como substituto. O australiano Daniel Ricciardo, vencedor de sete corridas na F1, abandonou o projeto da Renault com apenas uma temporada de experiência, e vai se juntar a Lando Norris em 2020.

Após dois meses de indefinição, a Renault entrou em ação para anunciar um velho conhecido como novo piloto de 2021. Fernando Alonso, bicampeão mundial com o time, assinou para uma terceira passagem com a equipe francesa, que após reestruturação interna, também comunicou mudança de nomenclatura para o próximo ano. Passa a se chamar Alpine F1 Team.

Vettel finalmente arranjou um espaço para a próxima temporada. Em meio aos rumores de uma possível aposentadoria, firmou um contrato para correr na Aston Martin, que optou por encerrar o contrato de Sergio Pérez, que estava no time desde os tempos de Force India. Mesmo em grande temporada, o mexicano precisou entrar em uma corrida contra o tempo para assumir outra vaga.

Sebastian Vettel viveu ano tenebroso com a Ferrari (Foto: Ferrari Media)

Pérez tinha vínculo com a equipe desde 2014. E sua temporada final pela escuderia foi justamente a melhor, coroada pelo primeiro triunfo da carreira no GP de Sakhir. Os bons resultados levaram o mexicano ao quarto lugar no Mundial de Pilotos.

Mais mudanças vieram em outubro. A Haas anunciou que não renovaria os contratos de Romain Grosjean e Kevin Magnussen, que formavam a dupla da equipe desde 2017. Ambos comunicaram que deixariam a Fórmula 1 ao fim da temporada, visto que teriam dificuldades de arranjar outros lugares no grid.

Apesar de ajudarem no desenvolvimento da equipe, Magnussen e Grosjean encerraram os ciclos de forma melancólica. O dinamarquês só pontuou no GP da Hungria, ainda no início da temporada, utilizando de uma estratégia bastante ousada de trocar pneus durante a volta de apresentação. Kevin assinou com a Ganassi para competir no IMSA SportsCar a partir de 2021.

Magnussen vai correr no IMSA SportsCar em 2021. (Foto: Haas)

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Grosjean pontuou no GP de Eifel, também na base da estratégia. Sua última aparição na Fórmula 1 foi com o gravíssimo acidente no Bahrein, onde escapou das chamas e sobreviveu apenas com queimaduras nas mãos.

As vagas da Haas passaram a virar alvo de atenção, mas ficaram nas mãos de dois novatos. O controverso russo Nikita Mazepin foi o primeiro anunciado, em novembro. Dias depois seria protagonista de um caso de abuso sexual. Pouco tempo após a confirmação de Mazepin, veio a chance para Mick Schumacher, campeão da Fórmula 2 e filho do heptacampeão mundial Michael.

Os últimos lugares disponíveis ficaram nas mãos de Red Bull e AlphaTauri. O time satélite foi o primeiro, anunciando a chegada do japonês Yuki Tsunoda e encerrando a jornada do russo Daniil Kvyat na categoria duas temporadas após o retorno.

Kvyat teve um ano bastante modesto e ofuscado pelos grandes desempenhos do companheiro de equipe Pierre Gasly, que até venceu uma corrida. O grande momento do russo em 2020 foi o quarto lugar no GP da Emília-Romanha. Nem o crescimento na reta final do campeonato impediu a perda da vaga.

E para finalizar as movimentações do mercado, a Red Bull deu uma chance para Sergio Pérez. O mexicano acertou vínculo para ser o segundo piloto enquanto Alex Albon foi rebaixado ao posto de reserva.

Apesar de chamar a atenção com desempenhos regulares no fim de 2019, Albon esteve muito aquém do ritmo esperado da Red Bull, com direito a várias corridas atrás de outros carros do pelotão intermediário e eliminações no Q2. Conquistou pódios nos GPs da Toscana e do Bahrein, mas não conseguiu se manter no grid em 2021.

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