F1

Ricciardo cobra mudança profunda na Red Bull e diz que até aceita redução salarial para voltar a vencer‏

Preocupado com o futuro da Red Bull, Daniel Ricciardo cobrou mudanças no time e mostrou que não está disposto a ficar amarrado à equipe esperando uma solução para os problemas atuais. Australiano destacou que não é do tipo que fica feliz apenas sendo pago para correr e avisou que ganharia muito menos se pudesse voltar ao topo do pódio

Warm Up / Redação GP, de São Paulo
A crise da Red Bull afastou o sorriso de Daniel Ricciardo. Acostumado a desfilar sua alegria nos circuitos pelo mundo, o australiano já admite que é difícil encarar a má fase com os mesmos olhos e insiste em mudanças na organização da equipe.
 
Em entrevista à publicação francesa ‘F1i’, Ricciardo deixou clara sua insatisfação com o time e mostrou que não pretende ficar amarrado à Red Bull se não ver indícios de mudança.
 
Único piloto a quebrar o domínio da Mercedes em 2014, Ricciardo reconheceu que foi para o período de férias pensando em brigar pelo título desta temporada. 
Daniel Ricciardo teve seu pior resultado desde que chegou à Red Bull no GP do Canadá (Foto: AP)
“Obviamente, tinha uma conversa muito positiva dentro do time e como a Renault reduziria bastante a diferença, nós sentiríamos isso no carro e isso e aquilo. Então, na minha cabeça, eu estava preparado e pronto para lutar pelo título. Mas não é assim tão fácil”, afirmou.
 
Apesar da expectativa, a temporada da Red Bull começou ainda pior do que em 2014, com o time passando longe de brigar pelo título. No GP do Canadá, Ricciardo teve sua pior atuação desde que passou a vestir o uniforme rubro-taurino, recebendo a bandeirada no 13º posto.
 
“Para ser honesto, é difícil. Acho que alguns caras ficam felizes em receber, rodar, fazer número e dizer para os outros que são pilotos de F1, mas isso, sinceramente, não é para mim e eu percebi isso neste ano”, contou. “Não estou contente só por estar aqui. Obviamente, sim, sou pago para correr, mas eu receberia muito menos para poder vencer outra vez”, avisou.
 
“Essa é a parte difícil. Claro, chegamos a um ponto em que sabemos que não estamos em posição de vencer, então minimizo as minhas chances quando vou para o fim de semana. Não é bom”, ponderou.
 
 Se em 2014 o motor era o problema principal da Red Bull, hoje a situação é diferente, já que o carro também não ajuda na busca por uma boa performance.
 
“Acho que estamos em uma situação difícil agora. O mais difícil é que sabemos onde nos falta potência, isso é conhecido, mas ainda há algo com o carro e com o chassi que acho que não foi bem entendido. É aí que penso que, no momento, não temos a confiança para avançar”, indicou. “Obviamente, o time tem os recursos e tal, mas nós estamos trazendo atualizações bem frequentemente e elas não estão realmente rendendo muita coisa. Nós encontramos um pequeno buraco na pista e temos de tentar superá-lo logo”, ponderou.
 
Desenvolvido na estrutura da Red Bull, Ricciardo chegou ao time em um momento de crise e, mesmo se vendo como alguém fácil de motivar, já admite que seu entusiasmo não é mais o mesmo.
 
“É difícil. Estou, definitivamente, vivendo isso agora e, felizmente, sou um cara positivo e fico facilmente motivado, mas até o meu nível de positividade tem estado um pouco baixo algumas vezes neste ano. Não é divertido”, comentou. “Nós temos que começar a ver mudanças, é isso. Nós estamos quase na metade do ano. Além disso, ano passado nós conseguimos algumas vitórias, mas não estávamos nada próximos da Mercedes na maioria do tempo, então não podemos retroceder mais. Temos que começar a ver mudanças, do contrário, acho que algo grande tem que acontecer e alguém precisa aparecer e fazer acontecer”, seguiu.
 
“Acho que posso fazer um pouco mais de barulho agora. Sinto que preciso também. Sei que ninguém está feliz com onde estamos, mas para mim também, eu tive uma pequena janela de sucesso, uma carreira na F1 não é longa. Então sinto que posso falar e tentar cobrar uma mudança, se sinto que é preciso uma. Obviamente, também os gestores em termos de... têm, obviamente, contratos em vigor para algumas coisas, mas se não estamos progredindo, então acho que temos que tentar empurrar um pouco o envelope”, avaliou.
 
“Acho que os próximos dois meses serão movimentados. Olhando para o ano que vem, não podemos continuar assim. Vamos precisar de um milagre para continuar assim e, de repente, lutar pela vitória outra vez. Nós precisamos fazer alguma coisa”, sublinhou.
 
Na visão de Ricciardo, o time também precisa esquecer um pouco das glórias do passado e mudar sua forma de ver as coisas.
 
“Acho que essa é uma das coisas com as quais temos de ser mente aberta. Sim, ainda têm muitas pessoas no time que estavam naquela época, mas talvez tenhamos de dar um passo atrás e olhar para o cenário completo. Talvez nada tenha mudado, mas o esporte evoluiu e talvez alguma coisa tenha de mudar”, considerou. “Acho que temos boas pessoas no time, mas se tivermos que mudar um pouco as coisas e dar a alguém uma abordagem nova em alguma coisa, então acho que algo assim talvez ajudasse”, sugeriu. 
 
“Não conheço o time na fábrica tão bem assim, isso, obviamente, cabe ao Christian [Horner] e aos outros caras, mas talvez começar a trazer as minhas ideias e pensamentos ajude a manter todos mais abertos”, completou.
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