F1

Ricciardo recorda início de 'jogo mental' aos 13 anos para se despedir de “brutal” programa da Red Bull

Daniel Ricciardo dará adeus à Red Bull no próximo domingo, assim que encerrado o GP de Abu Dhabi. E, para celebrar o novo período na carreira, ele buscou na memória histórias que explicam sua passagem pela equipe, desde sua infância, em carta ao 'Players Tribune'
Warm Up / FELIPE NORONHA, de São Paulo / FERNANDO SILVA, de Sumaré
 Daniel Ricciardo (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

Não é só Fernando Alonso que faz despedida no GP de Abu Dhabi do próximo domingo (25). Claro, não é a mesma coisa, já que ele seguirá na categoria, diferentemente do espanhol, mas Daniel Ricciardo também tem nos Emirados Árabes Unidos um fim de capítulo na F1.

O australiano trocará a Red Bull pela Renault em 2019 e, ao site 'Players Tribune', escreveu carta na qual recorda como desde a infância trabalhou para aguentar o "brutal" programa de pilotos da equipe austríaca.

Para explicar a força mental que tem até a atualidade, o piloto relembra passagem na qual seu pai perdeu um dia de trabalho para levá-lo a uma sessão de treinos em uma sexta-feira, na qual Ricciardo, então com 13 anos, acabou ficando distante dos líderes, com medo de fazer uma manobra.
Daniel Ricciardo (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
"Papai ficou chateado. Entendi o porquê. Não foi fácil para ele tirar uma folga do trabalho. E ele só tinha de assistir seu filho - que disse a ele repetidamente sobre como ele quer ser um piloto como Senna e Dale Sr. - perder um dia inteiro porque ele era muito tímido durante os treinos. Eu vi quando ele guardou o kart em silêncio. Mal falamos uma palavra no caminho de volta. Cheguei em casa e liguei para um amigo meu que também correu. Eu disse a ele que achava que nunca mais ia correr de novo."

Em seguida, o australiano conta como passou a receber ajuda de um 'coach', que lhe passou "técnicas úteis". Até que em uma nova corrida contra os mesmos adversários seu novo técnico apontou para seu principal rival e disse: "Vá lá e deseje-lhe sorte".

"Eu disse: ‘Eu... Ele nem gosta de mim. Eu não gosto dele. Por que eu faria isso?’. ‘Você vai mexer com a cabeça dele. Apenas faça isso’. Tenha em mente que tínhamos apenas 13 anos de idade ou algo assim. Eu fiquei bastante hesitante, mas o treinador literalmente me empurrou pelo asfalto em direção a ele. Eu fui até lá, olhei o garoto nos olhos, apertei sua mão e desejei boa sorte. Seu aperto de mão era suave e ele parecia ter visto um fantasma. Eu o venci naquele dia. Não ficou nem perto."
Daniel Ricciardo (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)
A partir deste ponto, Ricciardo conta sobre como esta história se torna 'símbolo' do 'jogo mental' que é necessário para aguentar o programa de pilotos da Red Bull.

"Em 2007, estava no Estoril, Portugal, para o teste júnior da Red Bull. Conheci Helmut Marko (chefe da equipe) naquele dia, o que mudaria o rumo da minha carreira. Felizmente, eu tinha pilotado bem, então eu tinha caído nas suas graças, mas ele era um gato intimidador - um olhar feio dele vai lhe causar arrepios na espinha. Mas eu poderia dizer que, mais do que tudo, o cara adora as corridas e ele se importa muito com sua equipe. Eu poderia sentir essa paixão."

"Essa é a coisa sobre o programa da Red Bull. Sim, pode ser brutal, mas é assim por um bom motivo. Correr ao mais alto nível é brutal. Você precisa estar pronto para os altos e baixos. Ele te prepara para, quando a ligação chegar, você estar pronto", completou.

Ricciardo entraria na F1 em 2011, como titular da HRT, em substituição a Narai Karthikeyan. Nos dois anos seguintes pilotaria pela Toro Rosso, antes de chegar à Red Bull em 2014. A partir de 2019, será companheiro de Nico Hülkenberg na Renault.