‘Ron’ que apareceu na largada é organizador do GP da Austrália que vai curtir a vida após se livrar de câncer

Promotor do GP da Austrália, Ron Walker sobreviveu a uma luta de três anos contra um câncer de pele graças ao uso de uma droga que antes era proibida em seu país, mas que ele brigou para tornar legal. Agora quer curtir a vida

O ‘Ron’ mais conhecido do Mundial de F1 é Dennis, diretor-executivo da McLaren. Mas não foi para ele a mensagem que Bernie Ecclestone mandou na hora da largada do GP da Austrália, primeira corrida da temporada 2015, por meio da transmissão oficial da FOM. O homenageado foi Walker, que se despediu da organização da prova de Melbourne.
 
“Ron, I will miss you. Bernie”, dizia a mensagem, que tornou a aparecer nas voltas finais. Em uma tradução simples e direta para o português: “Ron, eu vou sentir sua falta”.
'Ron, vamos sentir saudade'. A mensagem de Bernie para o organizador do GP da Austrália (Foto: Reprodução TV)
Ron Walker, por 20 anos à frente da organização do GP da Austrália na cidade de Melbourne — a corrida aconteceu lá pela primeira vez em 1996 —, decidiu que quer curtir a vida após vencer uma batalha de três anos contra um câncer de pele.
 
Para conseguir isso, usou a experiência e os contatos adquiridos em décadas de trabalho na F1 e em outros eventos esportivos de Melbourne para pleitear a liberação de uma nova droga medicinal na Austrália: a Keytruda.
 
Walker, hoje com 75 anos, recebeu em 2012 a notícia de que não chegaria ao Natal daquele ano. Os tratamentos convencionais contra o melanoma que surgiu na sua testa em fevereiro de 2012 e se espalhou pelo resto do seu corpo de 1,98m de altura falharam. A esperança foi o uso desta nova droga, desenvolvida em Los Angeles.
 
Rico, o empresário tinha condições de viajar regularmente aos Estados Unidos para fazer o tratamento, mas começou a negociar junto a autoridades australianas a liberação da importação da Keytruda com fins medicinais, Ele conseguiu.
Ron Walker com Mark Webber, Daniel Ricciardo e Bernie Ecclestone em 2013 (Foto: Getty Images)
“Os médicos norte-americanos me disseram 12 semanas atrás que eu estou livre do câncer, então eu sou o cara mais sortudo que já andou”, declarou Walker em entrevista à ‘Fairfax Media’.
 
“As pessoas estavam morrendo ao meu redor, e seus parentes ou suas esposas me ligavam dizendo ‘meu marido tem um melanoma de grau quatro, o que você pode fazer para ajudar?’. Bem, eu não podia fazer nada a não ser fazer a droga ser aprovada pelo preço justo através do governo”, contou.
 
Mas ele disse que não foi o dinheiro que salvou sua vida. “Deixe isso de lado. Eu poderia ter arranjado uma passagem aérea barata. Se eu não tivesse dinheiro, de alguma forma pegaria um voo barato. Se fosse um cara qualquer, eu teria hipotecado algo ou pego dinheiro emrpesatdo com um amigo”, afirmou.
 
“Se eu tivesse ficado em Melbourne sem fazer nada, não estaria aqui hoje falando com você, pois a droga que eles me ofereceram era chocante. Sou genuinamente grato pela minha vida ter sido salva”, completou.
 
Curado, tudo o que ele quer é aproveitar a vida que ainda tem pela frente.
NADA DE SORTE DE PRINCIPIANTE

O GP da Austrália viu uma Mercedes imbatível e um Lewis Hamilton ainda mais forte que aquele que se tornou bicampeão em 2014. Mesmo sendo a primeira etapa do ano, é impensável não imaginar que ambos devem novamente dominar com sobras. Nem mesmo Nico Rosberg pôde com o colega. E verdade seja dita: tudo isso já era mais ou menos esperado. Nada de realmente novo daí, portanto. Só que felizmente a corrida em Melbourne revelou outras histórias, para o bem e para mal. A mais importante delas foi a da estreia impressionante de Felipe Nasr

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