Sainz mantém regularidade e bom rendimento, mas começa 2020 ofuscado por Norris

Carlos Sainz Jr. tem tido um 2020 bem parecido com 2019: pontuando com regularidade e tirando tudo da McLaren. Só que o cenário mudou um pouco pelo crescimento impressionante de Lando Norris, que roubou os holofotes para si

Carlos Sainz Jr. foi um dos melhores pilotos da temporada 2019 da Fórmula 1. Muito maduro, consistente e oportunista, o espanhol tornou-se responsável direto pela recuperação da McLaren, fechou o ano na frente de Pierre Gasly e Alexander Albon e, não de graça, foi escolhido pela Ferrari como substituto de Sebastian Vettel para 2021.

Só que ainda tinha toda a temporada de 2020 no caminho e, claro, muita cobrança e expectativa em cima de Sainz. No auge técnico, com a McLaren mantendo a evolução e outras equipes oscilando, estava no espanhol a responsabilidade de furar a barreira da ‘F1 B’. Até aqui, não é bem o que vem acontecendo.

Na realidade, Carlos está fazendo, sim, a parte dele. São 15 pontos em três corridas, um top-5 na estreia no GP da Áustria e uma classificação brilhante em terceiro na chuva da Estíria, feitos que seriam bem aceitáveis não fosse um início fenomenal de Lando Norris, possivelmente o nome mais quente da F1 2020 depois de Lewis Hamilton, é claro.

Carlos Sainz deu show na chuva da Hungria (Foto: “AFP”)

É que Norris já anotou 26 pontos até aqui e, por mais que tenha sido bem apagado na Hungria, fez uma grande rodada dupla no Red Bull Ring. No GP da Áustria, acertou uma última volta fenomenal, possivelmente a melhor da carreira, para bater um punido Hamilton, cravar a melhor marca da corrida e ir ao pódio. Enquanto isso, na Estíria, voltou a tirar coelho da cartola no giro derradeiro e passou ali as duas Racing Point.

Naturalmente, Lando roubou os holofotes, algo que passou longe de acontecer em 2019 e que Sainz dificilmente vai reverter a menos que o companheiro volte a oscilar. Isso porque é até uma questão de estilo: o espanhol é bem menos explosivo e arrojado que o inglês, é bem mais da segurança, da regularidade. E está longe de ser um demérito, nesse caso, mas chama menos a atenção.

Outro ponto de vista interessante para o 2020 de Sainz é pensar nos pontos que ficaram pelo caminho. Na Hungria, o nono lugar foi limite, em um dia bem mais inspirado que o do parceiro, mas na Áustria e na Estíria poderia ter sido melhor. Na corrida 1, tomou um chega para lá do próprio Norris quando a briga parecia ser pela quarta colocação, enquanto que na segunda prova a McLaren vacilou no pit-stop e estragou o terceiro colocado no grid de largada. Carlos despencou depois daquilo.

Lando Norris tem roubado holofotes na McLaren (Foto: AFP)

A chave para Sainz ter sucesso em 2020 parece ser manter exatamente o que vem fazendo desde 2019. O que acontece com Norris foge do controle do espanhol, que vai ganhar bem mais se seguir coletando seus bons pontos e, assim, talvez já até disputando diretamente com Charles Leclerc na classificação do campeonato, antecipando o duelo de 2021.

O que não parece muito provável é bater as Racing Point, naquela que pode ser a briga por um top-5 no Mundial de Pilotos. É que, apesar de uma dupla bastante instável, a ‘Mercedes Rosa’ tem um carro excelente. O próprio Sainz já reconheceu a dificuldade na tarefa mais de uma vez.

“Onde estão nossos dois carros no momento é onde nós estamos”, disse Sainz pouco depois de uma classificação bem modesta da McLaren na Hungria. “As duas Ferrari, a Red Bull e as duas Racing Point estão em outra liga. Eles estão mais perto da Mercedes do que nós, então é muito difícil batê-los”, reconheceu.

Sem a mesma badalação do companheiro, mas lidando bem com a pressão de ser a nova aposta da Ferrari, Sainz vai remando tranquilo em 2020 e fazendo sua parte. E é difícil imaginar que muita coisa mude nos próximos meses.

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