Vettel “quer provar para si mesmo” que ainda pode ser rápido, diz chefe da Aston Martin

Otmar Szafnauer aposta: “Estou muito confiante de que vamos ver o velho Sebastian Vettel novamente”. O chefe da Aston Martin acredita que a equipe britânica vai correr com maior pressão por agora levar o nome de uma marca icônica, mas falou em metas ambiciosas

A Aston Martin levou a pista o novo AMR21 durante um chuvoso dia de filmagem no circuito de Silverstone (Vídeo: Aston Martin/Divulgação)

A Aston Martin promete ser uma das grandes atrações da temporada 2021 da Fórmula 1. Não somente por trazer de volta ao grid do Mundial, depois de 61 anos, a icônica marca britânica como equipe, mas também por trazer a perspectiva de resgatar a competitividade de Sebastian Vettel. O tetracampeão do mundo figura em todas as principais estatísticas de performance — títulos, vitórias (53), poles (57), pódios (121)e voltas mais rápidas (38) — entre os cinco maiores da história, mas, especialmente nos dois últimos anos, sofreu com um verdadeiro calvário na Ferrari. Na repaginada equipe de Silverstone, Seb tem um horizonte favorável para dar a volta por cima e conta com o apoio irrestrito de toda a cúpula do time.

Otmar Szafnauer, promovido a chefe da equipe na transição da Force India para Racing Point, na esteira da aquisição da mesma pelo empresário canadense Lawrence Stroll, entende que Sebastian não desaprendeu a ser rápido e tampouco precisa provar algo a ninguém. Mas o dirigente de origem romena acredita que Vettel queira provar a si mesmo que ainda é capaz.

“Não acho que Sebastian Vettel tenha se esquecido de como ser rápido em um carro de corrida. Claro que a idade pode trabalhar contra você, podendo torna-lo mais lento física e mentalmente. Mas, aos 33 anos, ele está muito longe deste ponto na sua vida e na sua carreira”, afirmou o dirigente em entrevista ao site alemão F1-Insider.

SEBASTIAN VETTEL; ASTON MARTIN; FÓRMULA 1; F1 2021;
Sebastian Vettel trilha novos horizontes na carreira como piloto da Aston Martin na F1 (Foto: Aston Martin)

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“Ele já se sente muito confortável conosco e está extremamente motivado. Não para provar algo aos seus críticos, mas porque ele quer provar para si mesmo. Portanto, estou muito confiante de que vamos ver o velho Sebastian novamente”, salientou.

Mesmo com apenas alguns meses de trabalho, Szafnauer acredita que o início da relação entre Aston Martin e Vettel é o melhor possível.

“Já tivemos algum tempo juntos. Foi principalmente sobre o molde do assento. O objetivo era ter certeza de que ele estava ergonomicamente confortável no carro. Ele também fez o simulador e tivemos um bom feedback sobre suas preferências no carro, a posição dos botões no volante e o acerto. Além disso, ele ama o humor britânico, então é muito bom trabalhar com ele”, disse Otmar.

Sobre o estilo de pilotagem do alemão, o chefe da Aston Martin aposta que Vettel vai se dar bem em razão de como são concebidos os carros na equipe de Silverstone. “Todos os nossos pilotos anteriores sempre quiseram um carro com uma traseira mais estável. É por isso que essa propriedade está no DNA dos nossos carros. Sebastian deve, claro, tirar proveito disso”.

SEBASTIAN VETTEL; ASTON MARTIN; F1; FÓRMULA 1;
Sebastian Vettel entra na Aston Martin com motivação renovada (Foto: Aston Martin F1 Team)

Sfafnauer também frisou que não haverá distinção hierárquica entre seus pilotos. “Não tivemos o status de número 1 ou número 2 desde que cheguei aqui. Tratamos os dois pilotos, Lance Stroll e Sebastian, de forma igual. Sempre”, garantiu.

Mais pressão e metas ousadas

A Aston Martin regressa ao Mundial de Fórmula 1 depois de 61 anos renovada e turbinada pelos bilhões de euros do bem-sucedido empresário Lawrence Stroll, conhecido no mundo da moda por alavancar marcas poderosas como Prada e Tommy Hilfiger. Szafnauer confia em ver a marca britânica dar sequência à boa fase da Racing Point no ano passado, mas também está ciente que, com mais condições, técnicas e financeiras, também haverá maior pressão por resultados.

“Os mais de 500 homens e mulheres estão incrivelmente orgulhosos em trazer a icônica marca Aston Martin de volta à principal categoria do automobilismo como equipe. Estabelecemos metas ambiciosas para 2021 e além. Claro que a pressão vai aumentar e outras coisas também vão mudar. A Aston Martin é uma marca tradicional. E eu sou um grande fã de James Bond. Queremos representar a marca de forma digna”, avisou.

“Queremos recomeçar de onde paramos no ano passado, com o terceiro carro mis rápido do grid e capaz de lutar por posições no pódio. Queremos estar lá com mais consistência do que em 2020. Queremos ocupar um lugar melhor no Mundial em relação ao ano passado. E queremos mais vitórias. No ano passado, provamos que você pode vencer com o terceiro carro mais rápido em determinadas circunstâncias. Se houver a chance, certamente confio em Sebastian também”, explicou o chefe da nova geração da equipe quarta colocada do Mundial de Construtores no ano passado.

Questionado se acredita que o grau de exigência de um piloto do quilate de Vettel vai atrapalhar, Szafnauer entende que é justamente o contrário. “Não me assusta. Um dos motivos pelos quais optamos por Sebastian é justamente essa vontade de vencer, pela qual ele também traz uma motivação fora da pista. A propósito, também fazemos isso, e essa é a única forma de ganharmos a reputação de lutar contra concorrentes acima do nosso peso”.

A confiança de Szafnauer em um ano muito forte da Aston Martin se baseia não apenas pela presença de Vettel para reforçar a dupla de pilotos ao lado de Lance Stroll, mas também em razão do impulso financeiro e também da adoção do teto orçamentário, uma das novidades na F1 em 2021. Cada equipe poderá gastar no máximo US$ 145 milhões (R$ 832,6 milhões) por temporada, o que não inclui despesas como salário dos pilotos e marketing.

“Muita coisa mudou desde então. Na Fórmula 1, agora temos uma distribuição justa de receita e um limite orçamentário. Também fazemos parte de um consórcio que pode ajudar financeiramente em curto prazo. E temos vários parceiros. Então, acho que esses dias de penúria financeira ficaram para trás”, concluiu.

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