Sem grandes mudanças visíveis, AlphaTauri apenas refina carro de 2020 para encarar 2021

A grande mudança da AlphaTauri em 2021 é a pintura, mas há mudanças também no carro em si. A equipe usa o AT01 como base para o AT02, fazendo mudanças pontuais no assoalho, no bico e na suspensão. Tudo isso para ganhar terreno no pelotão médio da F1

Quem acordou cedo nesta sexta-feira (19) para acompanhar o lançamento da nova AlphaTauri não se arrependeu. Afinal, o AT02 tem nova pintura, com bem mais azul marinho do que ano passado. Ao mesmo tempo, engana-se quem pensa que não há nada novo no carro em si: apesar de reaproveitar o AT01 de 2020, a escuderia italiana trouxe algumas atualizações para refinar conceitos do antecessor.

A AlphaTauri focou em duas áreas para 2021: a do desenvolvimento aerodinâmico e a do reaproveitamento de peças da Red Bull de 2020. Na primeira, o objetivo foi combater a perda de downforce prevista pelo regulamento técnico, implicando em atenção extra ao assoalho.

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“Com as mudanças aerodinâmicas buscando uma redução no downforce, há muitas mudanças que tivemos de fazer no assoalho, no difusor e nos dutos traseiros de freio”, disse Jody Egginton, diretor-técnico da AlphaTauri. “Isso exigiu muito trabalho até otimizar tudo. Os números crus de aerodinâmica foram afetados, mas trabalhamos pesado para recuperar isso e melhorar a janela de operação do carro. Quão rápido seremos? Não é algo que dá para dizer ainda. Levando tudo em conta, esperamos um nível de performance semelhante ao visto em 2020”, seguiu.

Além disso, a equipe também surge com novas suspensões, além de pequenos ajustes no bico do carro, revelou Egginton.

“Já é o terceiro ano usando o câmbio, a suspensão traseira e parte da suspensão dianteira produzidos pela Red Bull. Para 2021, decidimos seguir com o mesmo design de suspensão traseira e de câmbio de 2020. Usamos dois tokens para o novo bico, além de redesenhar a parte externa da suspensão dianteira. Por consequência, decidimos atualizar alguns elementos do volante, cedidos pela Red Bull, para a versão de 2020”, apontou.

A AlphaTauri vai de Pierre Gasly e Yuki Tsunoda em 2021 (Foto: AlphaTauri)

O bico citado por Egginton é uma das raras mudanças visíveis no AT02. O formato muda um pouco na dianteira extrema, tornando-se um pouco mais curvada do que em 2020. Salvo isso, comparar os dois carros é quase um jogo de sete erros. É necessário lembrar que a análise por fotos de estúdio nem sempre é válida: equipes costumam esconder grandes novidades, que se tornam visíveis apenas com o carro na pista, na pré-temporada.

Apesar de fazer mudanças pontuais, a AlphaTauri deixa claro: não quer, de forma alguma, uma revolução no AT02. E faz todo sentido: o AT01 foi um sucesso, trazendo até mesmo vitória com Pierre Gasly no GP da Itália de 2020. É verdade que a corrida em Monza foi louca, mas o carro andou bem mesmo em ocasiões mais normais. O sétimo lugar no Mundial de Construtores foi mais fruto do desempenho inconstante de Daniil Kvyat do que de mazelas no projeto.

Reaproveitar elementos da Red Bull também traz tranquilidade para a AlphaTauri. Os elementos da suspensão e do câmbio já foram colocados em prática ao longo de 2020, com resultados bons. Afinal, a equipe principal só foi pior do que a Mercedes. Essa estabilidade resulta em evolução, não revolução.

Acontece que, ao focar em evolução, não dá para contar com um enorme salto de rendimento da AlphaTauri em 2021. Ainda mais com um estreante, Yuki Tsunoda, em um dos carros. As expectativas são boas quando o assunto é Gasly, mas não a ponto de carregar sozinho a equipe inteira nas costas. Em outras palavras: a equipe de Faenza não vai lutar com McLaren, Aston Martin, Renault e Ferrari pelo terceiro lugar no Mundial. O objetivo é superar pelo menos uma dessas, dando um passo adiante e melhorando o resultado de 2020. Se o fizer, já estará de bom tamanho.

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