Sequência de anos com resultados decepcionantes cria nova crise na McLaren: a da falta de desculpas

Todo mundo concorda que a McLaren vive anos tenebrosos na F1, mas não existe consenso sobre o motivo. Mesmo internamente, a impressão é de que a cúpula não sabe ao certo o que há de errado. Chegamos ao ponto em que não há mais desculpas, sejam elas relacionadas ao motor ou ao chassi. De 2019 em diante, a equipe precisa focar em ações concretas para sair do fundo do poço

Quando uma equipe vive um ano ruim na Fórmula 1, as desculpas podem ser várias. Um motor que não foi bom, um chassi que acabou sendo arrojado demais, um dirigente importante que se afastou no meio da temporada. Qualquer equipe já teve o tal ano ruim. Para a McLaren, a história é um pouco diferente: vivendo mais como pequena do que como gigante nos últimos anos, simplesmente não há mais explicação simples para sequência tão marcante de fracassos.
 
As dificuldades da McLaren são frequentemente associadas à parceria com a Honda entre 2015 e 2017, mas começaram até antes. Em 2013, um carro ruim sem motivo aparente foi o primeiro passo para o naufrágio. O ano passou sem um único pódio. 2014 foi só um pouco melhor, mas isso nem importa: os anos de motor Honda que vieram em seguida foram dignos de chorar. Poderia ser culpa do motor, claro, mas a parceria com a Renault em 2018, acompanhada de uma chocante piora de resultados, mostra outro caminho. A verdade é que simplesmente não há mais explicação razoável para que um grupo de tanto sucesso piore tão rápido.
 
Até 2017 se dizia que o chassi da McLaren era forte e que bastava um motor bom para vencer. Em 2018, o motor virou o mesmo da Red Bull – e a diferença de patamar entre as duas indica que o chassi definitivamente não é bom para vencer. Sem pontos fortes claros, a equipe começou a se implodir de dentro para fora: Éric Boullier foi demitido do posto de chefe de equipe, abrindo passagem para Gil de Ferran; Fernando Alonso anunciou que não tem mais interesse em continuar; os resultados pioraram a ponto de só não serem tão ruins quanto os da Williams. E ainda tivemos sagas incríveis como a dos chocolates como recompensa por hora extra de trabalho e o esquecimento do pedido de pneus à Pirelli no Japão.
Como explicar a zica atual da McLaren? (Foto: McLaren)

Na pista, a situação é a mais sombria possível. Fora dela, o discurso ainda é de união e otimismo por um 2019 de recuperação.

 
“Acho que vamos começar a temporada da mesma forma que começamos todas as temporadas”, disse De Ferran em entrevista acompanhada pelo GRANDE PRÊMIO em Austin. “Ou seja, tentando fazer a nossa lição de casa da melhor forma possível e esperando que possamos ir a Barcelona com um pacote mais confiável, que possamos ter oito dias produtivos e trabalhar a partir daí. Não há nada, particularmente, que temos de trabalhar nisso”, apontou.
 
“Do meu ponto de vista, sinto que estamos mais unidos como um grupo, mesmo, a comunicação e a transparência dentro operação da equipe vem melhorando. Acho que tudo isso vem ajudando a equipe a se tornar mais produtiva”, ponderou.
A crônica falta de resultados custou a presença de Fernando Alonso na F1 (Foto: McLaren)

É certamente possível que a McLaren volte a ser ao menos um pouco digna em 2019. Se tudo se encaixar, é possível ter resultados de respeito no pelotão intermediário, direção que 2018 prometeu trazer no pior dos cenários. A questão é que a McLaren não se meteu nesse buraco por não fazer o dever de casa ou por não se manter unida, fatores citados por De Ferran. Existe algo concreto, não só palavras e sentimentos, dando errado. Sem que se identifique isso com precisão, é difícil acreditar em uma McLaren voltando ao patamar de gigante, dando aquele grande salto que se espera ver. Na vida, dentro ou fora da Fórmula 1, sempre vai chegar o dia em que desculpas e explicações deixam de bastar. Nesse dia, só uma ação precisa vai remediar o problema.

GRANDE PRÊMIO cobre ‘in loco’ o GP do México de F1 neste fim de semana com a repórter Evelyn Guimarães.

E o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 acontece este ano nos dias 9, 10 e 11 de novembro, no autódromo de Interlagos. Os ingressos para a corrida estão disponíveis no único site oficial do evento: www.gpbrasil.com.br

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