Pérez cumpre metas com vitória e adaptação à Red Bull. Próximo passo é novo contrato

Exatamente seis meses depois da primeira vitória, Sergio Pérez voltou ao topo do pódio em circunstâncias parecidas, mas agora com um patamar diferente. Piloto de equipe de ponta, ‘Checo’ cumpriu seus primeiros objetivos na Red Bull. O mexicano vira chave para levar os taurinos de volta a títulos e, com isso, pavimenta a estrada da renovação de contrato

Acidente do líder, erro do campeão e vitória de Pérez: os melhores momentos do GP do Azerbaijão (GRANDE PRÊMIO com Reuters)

6 de dezembro de 2020. Sergio Pérez, piloto da ascendente equipe Racing Point, conquista uma vitória improvável em uma corrida insana, o GP de Sakhir. Então desempregado e com o futuro incerto na Fórmula 1, o mexicano alcançou o resultado que precisava para garantir sua sequência no Mundial por uma equipe que seria inimaginável estar pouco tempo atrás.

6 de junho de 2021. Sergio Pérez, piloto da grande Red Bull, concorrente direta da Mercedes pelo título, conquista uma vitória improvável em uma corrida insana, o GP do Azerbaijão. Então questionado dentro da própria equipe, sobretudo pelo sempre crítico consultor Helmut Marko, o mexicano alcançou o resultado que precisava para tirar em cima de si a pressão e sair da sombra da desconfiança, além de dar um passo muito importante de garantir sua permanência na escuderia taurina.

As duas vitórias conquistadas por ‘Checo’ Pérez na Fórmula 1, com intervalo de exatos seis meses, têm similaridades na forma como foram conquistadas. Nas duas, o piloto, hoje com 31 anos, não era a principal aposta, mas conseguiu aliar competência, ótimo ritmo de corrida, importante gestão dos pneus e, fundamentalmente, esteve no lugar certo e na hora certa quando revezes tiraram seus principais adversários do caminho. E, de certa forma, ajudaram a definir seu futuro no grid.

A vitória no GP do Azerbaijão tirou de Pérez uma grande pressão (Foto: Red Bull Content Pool)

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Mas, claro, o ‘Checo’ que subiu ao topo do pódio na noite de Sakhir no fim do ano passado é diferente do ‘Checo’ que triunfou no maravilhoso GP do Azerbaijão do último domingo. Pérez subiu de patamar na Fórmula 1 ao receber a chance tão sonhada de voltar a defender uma equipe de ponta. Ainda com o fracasso na McLaren — para onde foi ainda muito novo e imaturo, em 2013 — na retina, o latino-americano se transferiu de Silverstone para Milton Keynes disposto a dar todas as respostas e se firmar como um dos principais pilotos da Fórmula 1.

O começo, claro, não foi fácil, e Sergio nem esperava que assim o fosse. Mesmo andando bem nos testes de pré-temporada, no Bahrein, o mexicano sabia que teria pela frente um desafio ao se adaptar a um carro, com exigências diferentes em termos de pilotagem, e ao próprio método de trabalho da Red Bull. Depois de sete anos na Force India/Racing Point, é natural que esse processo leve algum tempo.

Até mesmo por isso, Pérez pediu um prazo de cinco corridas para estar completamente encaixado ao RB16B e à equipe.

Com maior ou menor tempo, todos os pilotos que trocaram de equipe de 2020 para 2021 sofreram, ou ainda sofrem, para se adaptar às suas novas casas. Carlos Sainz se encaixou com maior rapidez à Ferrari; Pérez e Sebastian Vettel levaram um pouco mais de tempo para se sentirem mais confortáveis na Red Bull e Aston Martin, respectivamente; e Daniel Ricciardo, por outro lado, ainda pena para estar totalmente à vontade na McLaren.

As primeiras corridas foram, definitivamente, complicadas para ‘Checo’. O grande Calcanhar de Aquiles segue sendo a classificação, talvez o maior ponto fraco do mexicano, mas o ritmo de corrida sempre esteve lá — como foi mostrado no GP do Bahrein, quando saiu do pit-lane para terminar em quinto, ou mesmo em Mônaco, quando conseguiu ganhar posições com a estratégia de pit-stop e terminou em quarto depois de largar em nono.

Entretanto, depois de cinco corridas, faltava aquele grande resultado para encher os olhos. O GP do Azerbaijão era o primeiro depois do prazo que o próprio piloto se deu para tirar o máximo do carro.

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Sergio Pérez festeja sua segunda vitória na F1, a primeira com a Red Bull (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

Às vésperas da corrida em Baku, onde foi terceiro colocado em 2018 com a Racing Point, Pérez foi perguntado se tinha como objetivo o pódio. E respondeu: “Um pódio não vai mudar muita coisa. No fim das contas, você está aqui para tirar o máximo de potencial do carro. Então, se você tem um carro capaz de vencer corridas, você só pode ficar satisfeito se vencer corridas”. Um dia depois, fechou a sexta-feira com o melhor tempo do dia nas ruas do circuito azeri. “Finalmente entendi mais o carro”, comemorou.

No sábado de classificação, ‘Checo’ foi novamente bem no Q1 e no Q2, sempre entre os três primeiros, e despontava como um dos favoritos à pole. O piloto cometeu um pequeno erro na sua primeira volta no Q3 e marcou o sétimo tempo, mas não teve como fazer uma segunda tentativa por conta da bandeira provocada pelas batidas de Yuki Tsunoda e Carlos Sainz. O sétimo lugar no grid viraria sexto com a punição imposta a Lando Norris.

O sabor agridoce na boca do mexicano deu lugar a outro gosto no domingo. Desde o início da prova, ‘Checo’ esteve sempre muito combativo na corrida: ganhou logo as posições de Sainz, Pierre Gasly, Charles Leclerc e passou a andar em terceiro. Depois do pit-stop, voltou à frente de Lewis Hamilton — poderia, talvez, ter voltado até à frente de Verstappen se não fosse pelos segundos perdidos na parada. Mas estava claro que o piloto nascido em Guadalajara tinha forte ritmo e já fazia, de longe, sua melhor corrida com a Red Bull.

Com Verstappen na frente e Hamilton em terceiro, Pérez cumpriu um dos papéis que a Red Bull sempre quis dele: servir de escudo para o holandês, o homem da equipe para lutar pelo título, e evitar a aproximação do rival da Mercedes. ‘Checo’ o fez muito bem e soube se defender da pressão exercida pelo heptacampeão do mundo o tempo todo.

A dobradinha taurina estava desenhada quando veio o inesperado: o estouro do pneu traseiro esquerdo de Verstappen quando restavam poucas voltas para o fim. Novamente, Pérez estava no lugar certo e na hora certa. Na relargada, contou com a sorte — sim, a sorte que sempre acompanha os vencedores — ao lidar com o raro erro de Hamilton ao apertar o tal ‘botão mágico’ dos freios.

O dono do carro #11 amenizou um domingo que seria de enorme prejuízo para a Red Bull com uma vitória redentora que ampliou ainda mais a vantagem da equipe de Milton Keynes para a Mercedes no Mundial de Construtores.

Ao falar sobre a batalha com Hamilton na relargada, Pérez revelou o que pensou no momento. “Não vou perder isso”. Depois, seguiu. “Travei o mais tarde que eu pude e ele fez o mesmo, mas não deu certo para ele”.

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Festa merecida de Sergio Pérez, cada vez mais adaptado à Red Bull (Foto: Mark Thompson/Getty Images/Red Bull Content Pool)

Imagine como seria se estivesse atrás de Hamilton antes da batida de Verstappen? Dificilmente o heptacampeão perderia a corrida, mesmo depois da relargada. Por todo o conjunto da obra, foi uma vitória importantíssima, alcançada depois de vencer a batalha contra o maior piloto da F1 em todos os tempos e que reafirmou sua condição de um dos grandes do grid. Não é pouco.

Porém, mais do que isso, Pérez tirou dos ombros uma pressão gigantesca. Muito mais até do que o exigente Helmut Marko, o próprio piloto queria e precisava de um resultado de tamanha envergadura para fazer cair por terra toda a desconfiança que alguns ainda tinham sobre si. Único piloto a vencer por duas equipes diferentes na era híbrida de motores, em vigor desde 2014, Sergio mostrou a que veio e provou que pode fazer mais e ser determinante para a Red Bull na luta pelo título.

“É um sabor muito doce. Quero começar agradecendo muito à minha equipe. Eles me deram uma grande chance. Não tivemos o começo de temporada que esperávamos. Achei minha adaptação mais difícil que o esperado, mas estamos trabalhando muito duro desde o primeiro dia com os engenheiros na fábrica e, sim, finalmente conseguimos um resultado muito bom para a equipe. Acho que tudo estava indo bem neste fim de semana até a primeira volta no Q3, quando erramos. Mas não deixamos a peteca cair. Olhamos para a frente e tivemos uma corrida enorme, então, sim, estou extremamente satisfeito com o resultado de hoje. Isso dá, definitivamente, um grande impulso de confiança para mim e para minha equipe, do meu lado da garagem. Temos uma montanha-russa ao longo da temporada, então é importante aproveitar esses momentos”, comemorou o vencedor.

O triunfo em Baku é um passo significativo para que Pérez siga na Red Bull para 2022 ou além. Para colocar sua assinatura no novo contrato, o latino-americano precisa fazer com frequência o que fez no Azerbaijão: somar bons pontos com frequência, de preferência sendo um habitué dos pódios, e ajudar Verstappen ao ser um escudeiro do holandês contra as investidas de Hamilton. Exatamente o que lhe foi proposto quando foi contratado, ainda no fim do ano passado.

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O troféu de Sergio Pérez, vencedor do GP do Azerbaijão (Foto: Red Bull Content Pool)

Diante de um Valtteri Bottas cada vez mais enfraquecido e cada vez mais longe de conseguir ajudar Lewis na Mercedes nesta luta, parece que ‘Checo’ tem a missão menos difícil ao ser a peça-chave que a Red Bull tanto queria para finalmente voltar a conquistar um título mundial depois de oito anos.

Se o script se confirmar, a renovação de contrato e a tranquilidade para trabalhar mais tempo e sem tanta pressão vão chegar de forma natural. E merecida.

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