Pérez exibe velocidade da Red Bull na Arábia Saudita, mas Ferrari segue força a ser batida

Sergio Pérez pegou a todos de surpresa com uma volta espetacular nos instantes finais da classificação do GP da Arábia Saudita. A performance escancarou a velocidade do RB18. Ainda assim, os italianos da Ferrari seguem como favoritos

É sempre um bom parâmetro para medir forças na Fórmula 1 correr em diferentes tipos de pistas e condições. É onde fica mais fácil entender em que posição de performance estão os protagonistas, por exemplo. O veloz e traiçoeiro circuito de Jedá serviu para revelar o quanto Red Bull e Ferrari estão distantes de suas colegas – e aqui nem dá para acrescentar a Mercedes. De qualquer forma, as duas equipes dividem os holofotes na Arábia Saudita e o melhor: estão em caminhos opostos no fim de semana. E o primeiro duelo foi vencido pelos taurinos: Sergio Pérez conquistou o direito de largar na ponta neste domingo (27).

A primeira pole do mexicano veio em uma volta absolutamente perfeita, aproveitando cada metro. Pérez foi capaz de colocar o RB18 onde quis e tirar a velocidade necessária para superar não só o companheiro campeão, mas principalmente os carros vermelhos. “Demorou algumas corridas. Mas que volta, é inacreditável. Posso dar 1000 voltas e não vou conseguir repetir aquela, foi inacreditável”, disse Sergio, emocionado. Ainda quebrou um recorde: é o piloto que mais tempo levou para conquistar uma pole-position na F1, superando Mark Webber. Foram 215 GPs.

O desempenho é resultado do compromisso que a Red Bull adotou com a velocidade de reta. O acerto é extremo em uma pista que pede pouco arrasto. Tanto é verdade que ‘Checo’ e Max Verstappen aparecem no topo da tabela de velocidade máxima do traçado árabe, com 335,1 e 334,1 km/h, respectivamente. Os dois também dominam os dois setores intermediários e a linha de chegada. Ou seja, ninguém andou como os energéticos neste critério.

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Sergio Pérez fez sua primeira pole na Fórmula 1 (Foto: Red Bull Content Pool)

Mas esse também é um acerto que cobra seu preço no ritmo de corrida, porque tende a ser mais custoso no que diz respeito ao desgaste dos pneus. E esse é um dos pontos de preocupação demonstrado por Verstappen ao longo da classificação. O holandês estranhou a queda brusca de desempenho que sofreu na parte final. “Não foi um Q3 ótimo. Acho que, no Q1 e no Q2, as coisas estavam funcionando muito bem, só o meu primeiro set de pneus no Q3 que foi terrível. Foi uma resposta completamente diferente dos pneus, estavam com muito menos aderência. Estava difícil de pilotar”, revelou o homem que carrega o #1 no RB18.

“Precisamos dar uma olhada. É momento e aquecimento de pneus. Fizemos algo diferente que estava funcionando no Q1 e Q2, mas no Q3 foi bem ruim. Não tive uma boa sensação, mas há potencial no carro. Checo fez um ótimo trabalho hoje. Estou muito feliz por ele. Espero que possamos dificultar a vida da Ferrari na corrida”, completou Max.

De fato, existe enorme potencial. E a Red Bull, ao menos nas mãos de Verstappen nos treinos livres, apresentou um ritmo de corrida muito forte. A dúvida está no acerto e no comportamento dos pneus, que serão um ponto chave neste domingo.

A Ferrari, por outro lado, não figurou no topo do speed trap. Mas a F1-75 segue o carro a ser batido neste momento. A diferença entre Pérez e Charles Leclerc foi de apenas 0s025. Quer dizer, os italianos não perdem em classificação e, muito embora a primeira fila parecesse palpável, o resultado é muito bom, diante de um carro equilibrado e rápido.

E foi curioso perceber aqui que os dois pilotos se sentiram mais confortáveis andando com pneus usados do que novos.  Pode ser um indicativo interessante para o desenrolar de uma corrida que tende a ser muito acidentada. “É decepcionante perder a pole porque sei que fiz uma ótima volta. O risco que Checo assumiu no último setor valeu a pena e sua volta foi excepcional”, afirmou o monegasco, que vai dividir a primeira fila com o mexicano da Red Bull.

Charles Leclerc por pouco não conquistou a pole na Arábia Saudita (Foto: Ferrari)

“Do nosso lado, há muito o que aprender com esta classificação. Fomos mais rápidos com pneus usados ​​do que com novos e temos de entender por que isso aconteceu, para que possamos colocá-los em uma janela melhor da próxima vez”, completou.

Leclerc, então, chegou naquilo que pode fazer a balança pesar para o lado ferrarista. Se nos treinos livres de sexta-feira não foi possível conduzir a simulação do ritmo de corrida, a terceira sessão antes da classificação mostrou que o carro vermelho tem desempenho consistente novamente. “Fomos rápidos na nossa simulação de corrida esta manhã e me sinto confiante para amanhã. Uma corrida em condições quentes, ocorrendo à noite, em um circuito de rua muito rápido e estreito”, emendou.

O chefão da Ferrari também reiterou essa sensação de que o carro de Maranello é maior garantia do time, mas que tudo precisa ser feito de maneira inteligente. “Quanto à classificação, nossa diferença para a pole é muito pequena, alguns milésimos, então acho que ser mais rápido estava ao nosso alcance hoje, mas não importa, porque largar em segundo e terceiro ainda é um ótimo resultado e ainda mais importante é o fato de sermos competitivos. Provamos ser rápidos numa pista com características diferentes das anteriores, que era o que queríamos ver”, explicou o dirigente.

“Tudo pode acontecer na corrida de amanhã – safety-car, bandeiras vermelhas -, portanto, será importante não cometer erros de estratégia, tentar aproveitar ao máximo todas as oportunidades e reagir rapidamente a quaisquer situações que surjam”, acrescentou.

Mick Schumacher sofreu um violento acidente durante o Q2 (Vídeo: F1)

A natureza do circuito de Jedá é o que torna também a disputa tão dramática. Em 2021, a prova teve duas paralisações por bandeira vermelha e diversos incidentes. A classificação também viveu momentos de tensão, sobretudo no violento acidente com Mick Schumacher. O impacto foi tão forte que destruiu a Haas. O alemão sequer corre neste domingo.

Portanto, uma vez mais, a máxima é: tente fugir dos acidentes. Agora, se tudo ocorrer de forma menos tumultuada, a tendência é que essa seja uma corrida de um ou dois pit-stops, de acordo com a Pirelli, fornecedoras dos pneus da F1. “A estratégia está aberta amanhã entre uma parada e duas paradas, dependendo dos níveis reais de degradação experimentados durante a corrida, o que obviamente depende de vários fatores diferentes. Pelos treinos livres também ficou evidente que os pneus médios e duros devem aparecer na corrida”, comentou o chefe Mario Isola.

Por fim, a Mercedes. Ainda que George Russell tenha sido capaz de chegar ao Q3, foi estranhíssimo acompanhar a equipe multicampeã perdida em Jedá. O jovem inglês não conseguiu explicar o sexto posto no grid e disse que o W13 é um mistério. E esse cenário só piora quando se observa que Lewis Hamilton sequer chegou ao Q2. Em dado momento, se viu espantado pela diferença de performance imposta pelo companheiro de equipe. É um pouco assustador, de fato.

No domingo, a largada está marcada para o mesmo horário desta classificação: 14h (de Brasília). O GRANDE PRÊMIO acompanha o GP da Arábia Saudita AO VIVO e EM TEMPO REAL.

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