Sexta-feira deixa mistério: nem tudo é o que parece na luta Red Bull x Mercedes na França

A sexta-feira de treinos livres da França revelou um Max Verstappen verdadeiramente rápido em classificação e corrida. Embora forte, a Mercedes parece sofrer mais que a adversária e a aposta de volta ao normal não se mostrou tão óbvia

Depois de duas corridas difíceis em circuitos muito particulares, a Mercedes estava ansiosa para retomar o caminho que deixou na Espanha, ainda no começo do mês passado, e voltar a vencer. Uma pista mais convencional era tudo que a equipe precisava para tentar neutralizar a ascensão da Red Bull. Por isso, a chegada à França foi comemorada. Só o que o início dos trabalhos em Paul Ricard mostrou que o fim de semana não será tão simples como já foi em tempos anteriores – não dá para não mencionar as vitórias tranquilas de Lewis Hamilton em 2018 e 2019. Acontece que emergiram alguns elementos diferentes e que vão exigir mais dos atuais campeões, especialmente porque Max Verstappen segue tirando proveito das oportunidades, tendo como arma principal a versatilidade do RB16B.

O asfalto novo do traçado francês proporcionou uma incômoda falta de aderência, que pede um melhor comportamento dos pneus. O circuito também tem barreiras no chão para intimidar os pilotos quanto aos limites de pista – as ‘salsichas’ já causam discórdia, principalmente as da curva 2 –, uma vez que as equipes pressionam a direção de prova, porque, segundo elas, “há outros lugares em que você sai dos limites da pista e perde tempo, mas não destrói seu carro”. Michael Masi não se mostrou lá muito propenso a reduzir os obstáculos, que pegaram Verstappen hoje.  Além disso, há ainda uma nova diretriz da Pirelli quanto à pressão dos pneus.

Depois dos problemas no Azerbaijão, a fornecedora decidiu aumentar a pressão mínima na França e impôs 21 psi nos pneus dianteiros e 21.5 psi nos traseiros. E é aqui que começaram as questões levantadas pela Mercedes. A esquadra liderou com facilidade a primeira sessão do dia, com Valtteri Bottas puxando Lewis Hamilton. Mas foi o treino vespertino que revelou um cenário mais próximo da realidade. Verstappen foi o mais rápido, depois de superar o tempo de Bottas, então líder, por 0s008. Hamilton fechou em terceiro, mas a 0s253 do holandês.

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VALTTERI BOTTAS; MERCEDES; GP DA FRANÇA; TREINO LIVRE 1; PAUL RICARD;
Valtteri Bottas liderou o treino livre 1 do GP da França de F1 (Foto: F1/Twitter)

Acontece que a dupla da equipe alemã enfrentou mais dificuldades para tirar rendimento dos pneus macios, ainda que Lewis tenha conseguido melhorar sensivelmente sua marca na comparação com a volta feita com os amarelos. Só que o mesmo não aconteceu com Bottas. O nórdico não foi capaz de virar tempos melhores na simulação de classificação. E ambos perderam para Max, que foi verdadeiramente rápido com cima dos compostos vermelhos.

Importante dizer aqui que a Pirelli entregou aos times a gama intermediária – C2 duros, C3 médios e C4 macios. Neste momento, a diferença entre os vermelhos e os amarelos é estimada em 0s5. Até por isso, ambas, mas especialmente a Mercedes, deve tentar a segunda fase da classificação deste sábado com os amarelos. Seria uma vantagem interessante, dada as condições da pista, com piso refeito, aderência, ventos e altas temperaturas. A gestão dos pneus também vai passar pela indicação da Pirelli. Com a pressão maior, os problemas com o asfalto devem ser minimizados, mas há um temor quanto a bolhas – quem não lembra do que houve em Silverstone em 2020, hein?

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“Embora a nossa posição seja um pouco diferente de Mônaco e Baku, será uma grande luta neste fim de semana”, disse Hamilton. “Não sei se é a superfície da pista ou a temperatura ou esses pneus inflados. A Pirelli colocou as pressões mais altas do que nunca, então é difícil dizer”, acrescentou o inglês ao falar sobre as dificuldades enfrentadas nesta sexta-feira.

“Com essa pressão, os pneus parecem não funcionar. A sensação com os compostos duros é a melhor de todos nessas temperaturas. O macio é o pior. Na verdade, não tenho certeza sobre qual é mais veloz. Os macios se desgastam demais, o médio dura mais, mas não oferece a mesma aderência.”

LEWIS HAMILTON; MERCEDES; F1; GP DA FRANÇA
Lewis Hamilton foi o terceiro mais rápido da sexta-feira de treinos em Paul Ricard (Foto: LAT Images/Mercedes)

De toda a forma, a Mercedes mostrou um melhor ritmo com os médios no carro de Bottas. O finlandês foi quase 0s2 mais rápido que Verstappen, que, por sua vez, foi também 0s2 melhor que Hamilton. O entendimento geral é que isso possa ser mais bem equilibrado, para ambos os lados, na configuração do motor – Max tem uma unidade nova na França – e no refinamento do acerto do carro.

“Em termos de ritmo, acho que está razoável ​​e a volta única parece mais fácil que em Baku e Mônaco. No entanto, nenhum dos nossos pilotos está totalmente satisfeito com o carro, então temos de entender o que dá para fazer no que diz respeito ao equilíbrio”, afirmou Andrew Shovlin, engenheiro de pista da Mercedes.

Embora tenha demarcado seu território ao se colocar na frente em ritmo de classificação e que tenha apresentado um desempenho de corrida sólido, Verstappen não espera uma repetição das últimas duas provas. “Eu acho que melhoramos bem durante o dia. É claro que o TL1 não foi inteiramente bom e o TL2 não foi incrível, mas, com o segundo jogo de pneus, o carro estava bem melhor. Ainda é difícil porque a pista é bem aberta, está ventando muito. Não é fácil acertar uma volta, acho que no fim é uma boa forma de encerrar o dia, seremos competitivos amanhã.”

“A gente nunca sabe o que vão encontrar durante a noite, mas hoje foi bem decente e, com certeza, espero que seja bem equilibrado e nada fácil”, completou Max.

O fato é que, apesar de a F1 encontrar na França um circuito mais convencional, os novos fatores transformam Paul Ricard em um mistério. E isso só melhora o campeonato.

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