F1

Smedley assume mais responsabilidades na Williams em ambiente sem “política ou inércia” e onde é fácil fazer mudanças

Rob Smedley afirmou que a Williams já deve ficar orgulhosa por ter virado a maré e voltado a crescer. Engenheiro falou da melhora de sua nova equipe e disse que somente os primeiros passos foram dados: ainda há muito caminho a ser percorrido
Warm Up, de Barcelona / RENAN DO COUTO, de Barcelona
 Rob Smedley (Foto: Glenn Dunbar/Williams)
Engenheiros de corrida não costumam aparecer tanto na F1. Seus nomes são conhecidos por quem segue o Mundial de perto, mas nem tanto pelo público-médio da categoria. Nesse grupo, Rob Smedley sempre teve relativo destaque nos anos em que acompanhou Felipe Massa na Ferrari. Mas agora ele deu um passo à frente para assumir maiores responsabilidades na Williams como engenheiro-chefe do time de Grove. Passou a dar entrevistas nos finais de semana de corrida como representante do departamento-técnico e, principalmente, a tomar decisões importantes no desenvolvimento do FW36 e no andamento dos trabalhos na fábrica e na pista.

Mas Smedley, que fala sempre de forma tranquila e sorrindo – demonstrando estar contente na nova casa –, garante que não mudou nada agora que precisa responder pelo desempenho dos carros nos GPs. “A pressão é a mesma”, falou em entrevista acompanhada pelo GRANDE PRÊMIO no último fim de semana em Barcelona.

Smedley contou que, fundamentalmente, não executa um trabalho muito diferente do que realizava em Maranello.

“Eu fui um engenheiro de corrida por muitos anos na Ferrari, e eu queria fazer mais do que isso. O passo que dei não é tão diferente do que eu fazia na Ferrari, apesar da mudança dos nomes e da posição. O que provavelmente é um pouco diferente é o trabalho quando estamos na fábrica. Eu preciso manter o lugar girando”, relatou.
Rob Smedley assumiu o posto de engenheiro-chefe da Williams (Foto: Glenn Dunbar/Williams)
O engenheiro-chefe da Williams afirmou que a confiança que tem de seus superiores permite a ele se sentir mais confortável para decidir quanto aos temas que lhe competem.

“OK, então tenho que tomar a decisão final em algumas coisas. Eu me sinto confortável com isso. Acho que o que me faz sentir muito bem é que estou apoiado pelos principais diretores, por Pat Symonds, por Claire e por Mike O’Driscoll, e também tenho gente muito boa à minha volta. Isso torna tudo mais fácil, me deixa mais confortável na função”, comentou.

Smedley também analisou a estrutura da Williams e como, do ponto de vista do engenheiro, ela difere do que há na Ferrari.

“Há algumas vantagens e algumas desvantagens. Não é a melhor estrutura, digamos assim, mas vai evoluir. Está evoluindo rápido, mas vai crescer mais e, com isso, vamos produzir mais trabalho e de qualidade, desenvolvendo outras áreas”, ressaltou.

“É uma equipe menor – de forma alguma é pequena –, mas é menor, não há política, não há inércia, então quando queremos mudar algo e identificamos coisas que queremos mudar, fazemos isso do dia para a noite. Mudamos processos, mudamos procedimentos. As pessoas são muito abertas e também bem abertas a fazer mudanças rapidamente”, elogiou.

Com o passar do tempo, será preciso, na opinião de Smedley, construir estruturas que sirvam para dar suporte ao que existe hoje. Mas a Williams já pode ficar orgulhosa.

“Com as mudanças que fizemos recentemente, vemos que o time deu uma virada, recuperou o rumo, o que é algo bom. Vejo que é algo que deve fazer as pessoas ficarem orgulhosas”, exaltou.

A Williams vem de um dos piores anos de sua história e ocupa a quinta posição no Mundial de Construtores com 46 pontos, 34 anotados pelo finlandês Valtteri Bottas e outros 12 por Massa. A próxima etapa do Mundial de F1 acontece em 25 de maio nas ruas de Mônaco.