Stroll admite que eventual ida para Force India “não é justa para Ocon”, mas diz: “Mereço ser reconhecido”

Lance Stroll não confirmou, mas tampouco negou que está a caminho da Force India, equipe recém-adquirida pelo consórcio liderado pelo pai. O canadense vê o cenário injusto para Esteban Ocon, mas que também merece reconhecimento “pelos resultados que alcancei”

A aquisição da Force India pela Racing Point, que tem como cabeça do consórcio de investidores o empresário canadense Lawrence Stroll, pavimentou a estrada para que o filho, Lance Stroll, possa defender a equipe de Silverstone ainda nesta temporada. A nova equipe, que emergiu no último fim de semana de GP da Bélgica, já marcou 18 pontos — graças ao quinto lugar de Sergio Pérez e sexto de Esteban Ocon. O mexicano, credor do time, tem encaminhada sua permanência, enquanto o jovem Stroll é nome praticamente certo para ocupar o lugar de Ocon.

De acordo com o site 'Race Fans', Stroll vai estar a sede da Force India, em Silverstone, nesta terça-feira (28), para fazer o molde do assento no VJM11. O piloto assegurou que vai seguir defendendo a Williams ao menos neste fim de semana de GP da Itália, em Monza.

 
Em entrevista ao diário britânico ‘The Telegraph’, Lance disse que nem sempre o mundo da F1 é justo, da mesma forma que entende que, caso venha mesmo a ocupar a vaga de Ocon, que tal cenário seria bastante injusto ao piloto francês. O ainda piloto da Williams comparou a situação ao que às vezes costuma acontecer no futebol para defender a si mesmo como merecedor de mais oportunidades e reconhecimento.
 
“Meus resultados e o que eu fiz deveriam ser mais reconhecidos. É muito difícil. Às vezes, um jogador tem mais talento e potencial que outro, mas acontece que ele termine num time de merda e aí, um menos talentoso, recebe um grande salário em um clube melhor”, disparou.

"Não é justo para Esteban", afirmou Stroll sobre chance de ir para Force India (Foto: Force India)

“Nem estou negando que o sistema não é totalmente justo, mas mereço mais do que apenas ser citado que chego com dinheiro, que não é só do meu pai. Além dele, faço parte de parcerias com a JCB, Canada Life e Bombardier, então acho que há uma separação entre mim e meu pai até certo ponto”, salientou Lance, dizendo-se também ser dono do dinheiro que o coloca hoje na F1.

 
Stroll tenta se livrar da pecha de piloto pagante e busca encarar a situação sob um prisma distinto em relação aos críticos.
 
“Que meu pai compre esta equipe para torná-la melhor e muito mais competitiva, na minha opinião não é uma coisa negativa. Do ponto de vista de Esteban, a situação me tocou porque meu pai se envolveu com a Force India. Os pilotos, de determinados contextos, vão ter suas opiniões sobre como as coisas deveriam ser, e os pilotos com apoio financeiro vão pensar de forma diferente”, ponderou.
 
Sobre a escolha de Lawrence Stroll de levá-lo ou não para ocupar a vaga de Ocon na Force India, Lance desconversou. Mas, ao mesmo tempo, procurou analisar sua situação, bem como a do piloto francês.
 
“Se meu pai me levar para a Force India, é uma escolha dele. E entendo que não vai ser legal ou justo para Esteban, mas acho que mereço ser mais reconhecido pelos resultados que alcancei”, concluiu o canadense, dono dos quatro pontos que a Williams marcou na temporada 2018 do Mundial de F1.

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