Surpresa, Mercedes indica chances de Ferrari ter “jogado sujo” com combustível

Toto Wolff, chefe da Mercedes, está intrigado com a perda de velocidade da Ferrari em Austin, após determinação da FIA sobre o fluxo de combustível nos carros. O dirigente não aponta o dedo contra os rivais, mas diz que quebrar tal regra seria algo grave

A Mercedes foi surpreendida pela súbita perda de performance da Ferrari no GP dos Estados Unidos, imediatamente após determinação da FIA a respeito do fluxo de combustível nas unidade de potência. Sem entender como os italianos subitamente se tornaram tão piores nas retas, o chefe Toto Wolff indicou que a escuderia talvez estivesse jogando sujo até aqui.
 
“A gente teve uma conversa sobre os dados da corrida, e a velocidade [da Ferrari] está completamente diferente da das últimas corridas”, comentou Wolff. “Se é uma questão técnica ou outro problema, nós não temos como saber. Não podemos olhar o que a Ferrari fez”, seguiu.
A Mercedes está intrigada com a perda de performance da Ferrari (Foto: AFP)

Wolff não aponta o dedo diretamente contra a Ferrari. Entretanto, a análise do dirigente é de que fazer o que a FIA determinou como ilegal após o GP do México é uma infração das mais sérias.

 
“Se alguém estava fazendo o que a determinação [da FIA] esclareceu, isso seria jogar sujo”, afirmou. “Do jeito que a de determinação foi formulada, trata-se de uma irregularidade séria no regulamento. Não estamos nem falando de áreas cinzentas”, encerrou.
 
A Ferrari, que tinha como velocidade nas retas um ponto forte desde o GP da Bélgica, sucumbiu em Austin. A equipe foi melhor justamente no trecho mais sinuoso, contrariando a lógica. Na corrida, Charles Leclerc foi quarto, muito distante das primeiras posições. Max Verstappen viu isso como prova de uma “trapaça”, com o monegasco definindo a acusação como “piada”.
Charles Leclerc, único da Ferrari a ver a bandeira quadriculada, esteve irreconhecível (Foto: Ferrari)

Entenda o caso

 
Há algum tempo a Red Bull tem reclamado que há (ou havia) algo de estranho com o motor da equipe italiana, muito mais rápido que os demais. Desde o GP da Itália, o que ficou evidente é que nenhum carro, por mais asa aberta que tenha, consegue superar o dos italianos em reta. Não à toa, Sebastian Vettel e Charles Leclerc dividiram os primeiros lugares no grid desde então. O time de Christian Horner, então, entrou com um protesto para que a entidade máxima do esporte analisasse, no fim das contas, o que o cavalo rampante esconde. E durante o fim de semana nos EUA, soltou uma determinação que pode ter esclarecido a questão.
 
A história foi a seguinte: na quinta-feira, a Red Bull perguntou à FIA se poderiam disputar as últimas duas corridas do ano — Brasil e Abu Dhabi — e a temporada 2020 com um cabo elétrico mais grosso do sistema de híbrido que fica próximo ao fluxômetro — o aparato que mede o fluxo de combustível. A escuderia averiguou que o ruído elétrico provoca interferência na medição, sobretudo nas curvas mais lentas.
 
O fluxo de combustível não pode ser maior do que 100 kg por hora, mas ele não é medido de forma contínua, e, sim em intervalos determinados por alguns pontos. O que significa dizer que, sabendo onde ficam estes pontos, seria possível aumentar o fluxo durante um e outro sem que fosse registrado oficialmente. Se o fluxo é maior, tem maior combustível, o que gera maior combustão e, portanto, maior velocidade. A FIA respondeu à Red Bull com o TD (technical directive) 039/19 dizendo que se trata de uma ilegalidade.
 
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