F1

Surpreso com F1, dono da estreante Haas admite distância para “adultos” e percebe: “Isso não é a Carolina do Norte”

Gene Haas, dono da equipe que leva seu sobrenome na F1, admitiu que o Mundial o surpreendeu muito. O que ele tem visto na categoria é completamente diferente, especialmente na parte técnica, do que ele já tinha visto antes no automobilismo norte-americano. Como a Dorothy de 'O Mágico de Oz', ele não está mais no Kansas - ou Carolina do Norte

Warm Up / Redação GP, do Rio de Janeiro

Gene Haas não tem um passado na F1. Ele não viveu sua vida de automobilismo próximo a pessoas ligadas à F1, pelo contrário. Com uma tradicional equipe da Nascar e um nome que simboliza respeito nos Estados Unidos, o dono do conglomerado internacional de automação industrial resolveu levar a marca para a F1. Agora que chegou, admite: não sabia direito o que era a tecnologia na categoria mais tradicional do automobilismo mundial.
 
Desde 2014, a Haas é ansiosamente aguardada. Entre a confirmação da participação, a parceria técnica visionária com a Ferrari, seguida pelo desenvolvimento do VF-16 e, enfim, os testes de Barcelona, bem mais de um ano se passou. O suficiente para que o fundador da escuderia percebesse, assim como Dorothy de 'O Mágico de Oz', não está mais no Kansas - ou Carolina do Norte, no caso.
 
"Isso não é a Carolina do Norte, eu percebi. A complexidade dos carros e motores, e o que estão fazendo com eles é além do que eu jamais imaginei. Os aspectos técnicos desses carros são fascinantes. Creio que os engenheiros - especialmente os que estão trabalhando e desenvolvendo-os - contam com um desafio de verdade de conseguirem fazer com que esses carros andem assim", disse.
Gene Haas (Foto: Style Magazine)
"Do outro lado, não acho que os fãs percebem o quão complexo é. Nem eu sabia. Era bem ingênuo também sobre o que é preciso para que esses carros andem. Uma coisa simples como freios - não dá para apenas parar com seus freios. Você precisa esquentar seus freios até a temperatura exata para que eles funcionem. Se não estiverem na temperatura certa, não funcionam. Se não fizer isso certo, você pode superaquecê-los, e coisas catastróficas podem acontecer se não for perfeito", avaliou.
 
Os freios, citados por Haas, foram o grande problema da quinta-feira, penúltimo dia dos testes coletivos de pré-temporada. Problemas com eles fizeram Romain Grosjean causar as três bandeiras vermelhas do dia e pedir pressa na resolução da questão. O dono do time não se assusta e sabe que é algo pelo qual uma equipe estreante passa. O trabalho em alto nível na F1 ainda está um pouco fora dos padrões da Haas.
 
"Você vai tombar. É um processo muito complexo, um carro muito complexo, uma forma complexa de carros de corrida. Neste momento está um pouco acima do que podemos fazer, para ser honesto", admitiu.
 
"Nós entramos com os dois pés sem entender completamente, mas tenho dúvidas sobre o quanto você pode aprender sem testar as águas. Então, acho que se as pessoas estavam esperando que nós viéssemos nas primeiras corridas e competíssemos do nada com os adultos, creio que isso não era realista", encerrou.
 
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