F1

Testemunha da F1, Ecclestone lembra tristeza por mortes de Rindt e Lewis-Evans e acha Prost melhor piloto

Bernie Ecclestone estava lá na primeira corrida, em 1950, e segue ativo na vida da Fórmula 1, embora agora de forma mais simbólica. Mesmo assim, se alguém pode falar do Mundial é Ecclestone. E ele compartilhou algumas lembranças

Grande Prêmio / Redação GP, do Rio de Janeiro
Ninguém, em quase 70 anos desde a criação, tem uma história tão próxima da Fórmula 1 quanto Bernie Ecclestone. Ninguém. Chefão da F1 por mais de 35 anos, chefe de equipe antes disso e sempre figura presente, Ecclestone estava lá em 13 de maio de 1950, em Silverstone, na primeira corrida do Mundial. Agora, na comemoração pelas 1.000 corridas, Ecclestone falou sobre os momentos mais tristes, o começo e os melhores que viu.
 
Aos 19 anos, Ecclestone era um jovem piloto na corrida de F3 que acompanhou a F1 naquele fim de semana de Silverstone. Mas não ficou tão impressionado com aquilo que acontecia a seu lado. "Não consigo lembrar se fiquei impressionado ou não, mas duvido. Eu queria apenas terminar com o que eu estava fazendo."
 
Em 1954, então um pouco mais velho, Ecclestone tentou se inscreveu para o GP de Mônaco. O carro era um Connaught Type B operado de forma privada, mas o jovem Bernie não conseguiu lugar no grid.
Bernie Ecclestone (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
"Eu entrei com sucesso, mas não me classifiquei com sucesso. Eram só 16 carros que se classificavam para o grid naquela época eu fiquei fora", falou.
 
Bernie também entra no jogo de que o GP da China não marca o milésimo GP da história, teoria surgida especialmente por quem acredita que as 11 edições das 500 Milhas de Indianápolis, oficialmente parte do calendário entre 1950 e 1960, não deveriam ser contabilizadas. Nem sabe em quantas corrida ele esteve, apenas que foram mais de 800. 
 
"Seria legar estar na milésima, mas, como não é na China, fico tranquilo. Nunca me importei muito em fazer contas, sei que alguém me falou há um tempo, mas são mais de 800. Não sei exatamente quantas", afirmou.
 
Outra questão importante para Ecclestone foi quais os momentos mais tristes que encarou na F1. Tendo participado ativamente nas décadas mortais, viveu uma enormidade destes momentos. Citou dois envolvendo pilotos que eram seus amigos.
Jochen Rindt com sua esposa no fim de semana do GP da Áustria (Foto: Getty Images)
"Talvez Casablanca quando Mike [Hawthorn] ganhou o campeonato [1958] e Stuart Lewis-Evans sofreu queimaduras horríveis e depois morreu. Aquela foi uma corrida ruim. Fui a muitas assim", lembrou. "Monza, quando perdi Jochen Rindt [1970, mesmo assim conquistando o título mundial daquele ano de forma póstuma]. As pessoas que são próximas e que você perde", recordou.
 
E garante: chora sempre. Longe do público. "A maioria das vezes consegui não demonstrar muito. Mas chorar, lágrimas e tal? Várias vezes. Quando algo me entristece."
 
Melhor piloto? Ecclestone acredita que foi Alain Prost
Alain Prost (Foto: Renault)
"Ele sempre teve um companheiro fortíssimo contra ele, então não tinha muita ajuda. Estava sozinho no carro. A bandeirada vinha para começar a corrida e então ele estava lá sozinho para cuidar de tudo: câmbio, motor e freios. Hoje as coisas são diferentes", apontou.