Bottas desdenha de “comentaristas de sofá”, mas já foi criticado até por chefe da Mercedes

Valtteri Bottas até tentou sair por cima das críticas ao citar os "comentaristas de sofá", mas se abala pela pressão dos fãs e vê George Russell em seu retrovisor

Gostando ou não, Valtteri Bottas é um dos protagonistas da Fórmula 1. Pelo tamanho domínio da Mercedes e pela posição que ocupa, o finlandês é um dos nomes mais visados por quem acompanha o esporte, especialmente pela expectativa de fazer frente ao campeão Lewis Hamilton. O finlandês falha, tenta negar, mas sofre com a cobrança do público.

Em recente entrevista veiculada pela revista inglesa Autosport, Bottas falou sobre como lida com as críticas dos “comentaristas de sofá” da Fórmula 1 que tanto cobram desempenho e que honre o equipamento que lhe é dado desde 2017, mas que jamais resultou em disputa pelo título mundial.

“Acho que as pessoas que realmente entendem bem o esporte, enxergam os detalhes e pensam nas coisas com as perspectivas de outras pessoas ou do piloto, acho que entendem. Mas há muitos, com certeza, em qualquer esporte, sempre há comentaristas de sofá que podem, você sabe, subestimar as coisas”, comentou.

Bottas disparou e desqualificou os críticos (Foto: Mercedes)

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A cobrança dos “comentaristas de sofá” é justificada. Da mesma forma que é legal ver Lewis Hamilton pulverizando os recordes da Fórmula 1, também é interessante ver o heptacampeão desafiado, algo que não aconteceu nos últimos dois anos com a Mercedes mais consolidada e as rivais atrás. Apenas Bottas tem condições, pela questão do equipamento, de entregar um desafio.

O curioso é que até Toto Wolff, chefe da Mercedes, já teceu críticas ao desempenho de Valtteri, por sentir que não há um “instinto matador” no piloto por perder algumas oportunidades. A fala aconteceu após o GP do Brasil de 2017, quando o finlandês foi pole e acabou jantado por Sebastian Vettel logo na largada e fechou apenas em segundo. Mesmo com três anos de idade, a citação ainda é atual.

“Acho que o Lewis [Hamilton] estava numa tocada rock and roll o ano inteiro, enquanto o Valtteri [Bottas] está se recuperando aos poucos, mas ainda precisa ser mais matador”, disse Wolff na ocasião.

E Bottas mente a si mesmo quando afirma que não liga para as críticas. Bons exemplos são nas vitórias na Austrália, em 2019, e na Rússia, em 2020, quando aproveitou os momentos de bons desempenhos para enviar mensagens aos críticos pelo rádio. “É um bom momento para agradecer aos meus críticos… A quem interessar possa, vão se foder!”, afirmou depois do triunfo em Sóchi, no ano passado.

Valtteri Bottas foi o segundo colocado em Abu Dhabi, prova mais recente da F1 (Foto: Mercedes)

Valtteri vive uma pressão forte por não entregar resultados que desafiem Hamilton, e o cerco dos críticos tende apenas a aumentar pelo crescimento de George Russell, que na única oportunidade que teve de ser colocado frente a frente com o finlandês, o driblou de forma fácil e será constantemente pedido na Mercedes ao longo de 2021, isso se a vaga não pintar já nesta temporada, caso o impasse de Lewis Hamilton com a equipe tenha um final feliz.

Na Fórmula 1 cada vez menos desequilibrada, Bottas ganhou o destaque por ser o único com condições iguais para concorrer contra Hamilton. Ao falhar e tentar responder críticos fora da pista, apenas mostra que o foco não está 100% na briga pelo título mundial.

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