Vettel atira frustrações no ventilador e acaba com paz armada na Ferrari

A estrada construída pela Ferrari e percorrida por Vettel nos últimos meses não tinha como ter outro destino que não a troca de socos. O que aconteceu em Portugal foi o óbvio

Temos uma análise para dizer o que está por trás das contundentes acusações feitas por Sebastian Vettel contra a Ferrari no fim de semana do GP de Portugal. O que, exatamente, causou o trovão de reclamações? Se você abriu esta análise esperando uma resposta que crave o se a Ferrari esta, de fato, sabotando um de seus carros, perdeu seu tempo. O que podemos falar é sobre como fica a situação para o fim do ano e por qual motivo algo como isso era inevitável desde antes do GP da Áustria.

Aqui não haverá tentativas de adivinhações. Não há, afinal, como comprovar o que Vettel afirmou. Pelo menos não ainda. Vamos a elas.

“Obviamente o outro carro é muito mais rápido. E sempre nos pontos em que perco tempo, é possível ver na telemetria. É possível que um idiota nunca se dê conta, mas sou um completo idiota? Duvido muito, não sou um completo idiota. Do outro lado, parece muito mais fácil”, afirmou.

Vettel é sujeito de personalidade forte e nome e importância ainda mais. Ora, trata-se de um tetracampeão mundial com muito a dizer. É um dos maiores vencedores de corridas e títulos de todos os tempos – o que, ache o que achar você, leitor, é apenas informação factual. É um fato que ele é um dos maiores vencedores da história, não uma opinião.

A Ferrari escolheu tratar Vettel como mais um. Anunciou mesmo antes do campeonato que não renovaria o contrato do alemão e, assim, que ele disputaria todo o campeonato 2020 sem futuro no macacão vermelho. Nem adianta chover no molhado sobre todas as vezes em que a Ferrari tratou Sebastian com indiferença desde então: lembram do momento em que a equipe ignorou a pergunta de Vettel sobre o desgaste de pneus e, voltas depois, respondeu ao piloto com exatamente a mesma pergunta?

Em consideração também, aos olhos do mundo inteiro, estão os piores momentos das câmeras onboard. Vettel aparece lutando contra o carro, algo que Charles Leclerc até também faz, mas em escala completamente diferente. O carro é difícil, mas é perceptível que um dos pilotos sofre muito mais. Isso quer dizer que há benefício a Leclerc? Sim.

CHARLES LECLERC; SEBASTIAN VETTEL; GP DA RÚSSIA; SÓCHI;
Um é favorecido e o outro, boicotado? (Foto: Ferrari)

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Mas não benefício imoral, necessariamente: benefício na maneira como o carro é produzido. Assim como a Red Bull com Verstappen, a Ferrari mudou o carro para o estilo de Leclerc. Nesse quesito há um favorecimento, mas que faz sentido para a Ferrari. O que não faz sentido é tratar Vettel como se fosse Albon.

Se o objetivo é esse mesmo, deixar Vettel de lado porque não estará lá e voltar o manche totalmente e apenas para Charles, que a Ferrari fosse clara. Não foi clara. Não admitiu publicamente. Se fosse clara, poderíamos discutir o caso sobre diferente ângulo, mas falta honestidade para tratar o caso.

A estrada que a Ferrari construiu com Vettel sempre levaria a essa acusação, não há dúvidas. Era apenas questão de tempo.

Vettel tem razão? Quando fala dos dados da telemetria, parece mais estar jogando ao vento que cheio de provas. E, se for assim, talvez seja, mesmo, um grande chilique com pitadas de desrespeito a Leclerc. E é um erro dele. Mas um erro praticamente criado pela maneira como a Ferrari lidou com o caso. Novamente: errada em quase todos os aspectos. E errada até na resposta de Mattia Binotto, com as costas contra a parede e que, por algum motivo, deseja encher a fogueira de lenha.

“Os carros do Seb e do Charles são idênticos”, afirmou Binotto, entrevistado pela Sky Italia. “Não há dúvidas. Eu espero, sinceramente, que o Sebastian seja capaz de se classificar melhor em Ímola e mostrar mais do que é capaz durante a corrida. O Charles é certamente muito bom, mas talvez você espere ainda mais do segundo piloto”, seguiu, referindo-se a Vettel.

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Daqui para frente, novas rusgas vão aparecer e a via crúcis que Vettel e Ferrari estão percorrendo em 2020 passarão e encontrar espinhos em seus pés descalços. É o fim oficial da paz armada, quando os dois sabidamente se detestavam mas, tirando uma estocada aqui e outra acolá, mantinham a situação sob controle publicamente.

Paciência. A estrada era essa desde o começo do ano, faltava apenas a saber quando as frustrações encontrariam o ventilador.

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