F1

Vettel pega no tranco em 2019, mas buraco da Ferrari é muito mais embaixo

Sebastian Vettel fez duas corridas realmente boas antes de ir para as férias da Fórmula 1. Ainda que vá completar um ano sem vencer, dá um alento. A questão é que ele, sozinho e no curto prazo, não vai tirar a Ferrari do mar de lama em que se instalou na temporada 2019

Grande Prêmio / PEDRO HENRIQUE MARUM, do Rio de Janeiro
O drama de Sebastian Vettel, entre momentos e brilharecos, ainda vive. Se tantos creditam a Alemanha como o começo do drama, há quem olhe com ânimo de que a Alemanha representou também o final, uma vez que o tetracampeão teve uma atuação excelente na corrida de Hockenheim. Mas as vitórias ainda não apareceram na temporada e a Ferrari se vê cada vez mais estranha à excelência operacional de Mercedes e Red Bull.
 
O que pouca gente recorda daquele erro de Vettel na Alemanha, 2018, quando liderava e rodou ao primeiro sinal de chuva, é que venceu uma corrida depois, na Bélgica. Aquilo aconteceu em 26 de agosto e irá completar um ano, visto que a próxima etapa do calendário, justamente em Spa, está marcada para 1º de setembro. 
 
Se a expectativa para o início da temporada era que a Ferrari aparecesse reluzente e poderosa, com a má fase do seu principal piloto deixada para trás, o que se viu foi bastante diferente. Carro bom de reta e ruim de tudo mais, viu aumentar a diferença para a Mercedes e recentemente está enterrada no crescimento da Red Bull e na forma primorosa de guiar de Max Verstappen.
Sebastian Vettel (Foto: Ferrari)
Na Ferrari, o que se você é um problema para administrar ativos. Mattia Binotto, um marinheiro de primeira viagem em lidar com pessoal e imprensa, toma todas as decisões sem o respaldo ou ao menos o auxílio de um presidente. Nos últimos 30 anos, Luca di Montezemolo e Sergio Marchionne fizeram esse papel, mas não parece ser o estilo e nem do interesse de John Elkann. 
 
E Binotto dá as caras perdido. Primeiro, impedindo o rendimento superior de Charles Leclerc; depois, com muitos erros de estratégia; agora, sempre colocando os pés pelas mãos na hora de facilitar a vida de quem vive melhores dias nos fins de semana, uma vez que Leclerc e Vettel estão ambos em pé de igualdade entre erros e acertos.
 
Vettel foi muito bem na Alemanha, onde um problema do carro impediu que brigasse pela pole e tivesse que largar do fim do pelotão, e depois fiz uma corrida consistente na Hungria, mas após ir pior que Leclerc no sábado. No domingo, como ele mesmo disse, nem dava para ficar feliz se vendo tão atrás de Mercedes e Red Bull
 
Voltou ao normal? Difícil crava, já que nem todas as corridas dele neste ano foram ruins - no Canadá, por exemplo, fez uma bela corrida após escapar da pista e criar aquela celeuma da punição que colocou a vitória nas mãos de Lewis Hamilton
Sebastian Vettel (Foto: Ferrari)
Durante um período conturbado, Vettel foi o bode expiatório de uma Ferrari de muitos pecados. Havia muito mais o que chamar de fracasso nessa construção ferrarista, como, por exemplo, conseguir transformar um excelente carro de curvas num bólido que simplesmente não consegue contornar curvas com qualidade.
 
Se voltar as férias com a cabeça limpa e realmente confirmar que voltou a ser o tetracampeão mundial, Vettel fará uma fumaça, é claro, mas não vai conseguir tirar da areia movediça uma Ferrari que parece decidida a jogar a âncora no pântano. 
 
Em longo prazo, claro, vai ajudar, mas não vai tirar a operação do buraco como um piscar de mágica. Não há piloto no mundo que, em 2019, coloque a Ferrari um patamar acima de onde ela está. É um trabalho para quem está cargos acima.


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