F1

‘Volume morto’: Grudado no filho, Jos Verstappen tem discurso alinhado com Max e vê filho com “muita estrela”

Prestes a se tornar o mais jovem piloto de F1 de todos os tempos, Max Verstappen tem em sua cola um pai que conhece bem a categoria e está disposto a ensinar-lhe tudo o que sabe — mas ciente de que não basta paparicar, é preciso dar espaço para que o garoto ande com as próprias pernas

Warm Up, de Interlagos / RENAN DO COUTO, de Interlagos
Jos Verstappen, 42, acompanha de perto cada passo do filho Max, 17, futuro piloto de F1 da Toro Rosso. Dono de um currículo de 107 largadas no Mundial, o holandês quer garantir que seu garoto vai aproveitar a chance que recebeu da Red Bull e se firmar na elite do automobilismo.

Mas, tão jovem, Max está realmente pronto para estrear na F1?

Confrontados com a pergunta pela reportagem do GRANDE PRÊMIO nesta quinta-feira (6) em Interlagos, pai e filho mostram um discurso alinhado e responderam quase que com as mesmas palavras. 

“Vamos ver. Eu acho que sim, do contrário, não iríamos assinar”, diz Jos.

“Sim, do contrário, não teria assinado o contrato”, assegura o filho.
Jos Verstappen observa Max entrar no carro para treino livre no GP do Japão (Foto: Getty Images)
Max vai se tornar, no GP da Austrália, o piloto mais jovem de todos os tempos a estrear no Mundial de F1. Quebrará por quase dois anos a marca que foi estabelecida por Jaime Alguersuari no GP da Hungria de 2009 — e também terá a chance de se tornar o mais jovem a conquistar outros feitos na categoria.

Sua carreira é meteórica. Em 2013, o holandês ainda disputava corridas de kart, brilhando nos principais campeonatos da Europa. Venceu quase tudo, menos o Mundial — envolveu-se em um acidente enquanto disputava a liderança da final. Em 2014, foi disputar a F3 Europeia e, embora não tenha sido campeão, demonstrou enorme talento ao ganhar dez de 33 corridas.

Ele é tão jovem que sequer carteira de motorista tem. “Também é por isso que estou aqui, para levá-lo da pista ao hotel”, brinca o pai.

Nesta sexta-feira, depois de já ter andado com o carro da Toro Rosso em Suzuka e em Austin, dará continuidade à preparação para 2015 ao participar do primeiro treino livre em Interlagos.

“Acho que Max já provou que tem muita estrela”, afirma Jos na entrevista exclusiva ao GP. “Claro que a F1 é diferente, mas, no fim do dia, é um carro de corrida. Ele precisa de experiência e acho que vai ficar tudo bem”, avalia.

Jos faz o que pode para contribuir. “Falo de tudo. Conversamos muito. Depende dele, mas tento ajudá-lo o máximo possível. Posso dizer a ele tudo o que sei, mas ele ainda tem que sentir e viver por si próprio. Sei como tratar Max. Eu não preciso dizer ‘vamos!’ Ele mesmo sabe. Ele precisa saber disso. Se não souber, a F1 não é o lugar para estar.”

Mais uma vez, a versão que Max conta sobre a relação com o pai é perfeitamente alinhada: “Ele passa muita experiência. Com certeza, vai me ajudar. Em geral, ensina como você precisa gerenciar tudo ao seu redor e, na pista, só tentar o seu melhor. Ele pode me dar conselhos e tudo, mas, no fim, eu tenho que entrar lá e dar o meu melhor”.

Os dois também estão bem satisfeitos com o que encontraram na Red Bull. Max recebeu propostas de outras equipes, entre elas a Mercedes, mas ninguém mais podia garantir que o garoto fosse alinhar no grid em 2015.

“Eu acho que são muito profissionais, e temos um relacionamento muito bom com Helmut [Marko] e Franz [Tost]. Estou muito impressionado com o modo como eles estão tratando Max e o desenvolvendo”, elogia.

O pai pensa que veria seu filho entrando na F1 cedo ou tarde de qualquer forma, mas é bom saber que foi possível conquistar um lugar sem precisar desembolsar enormes quantias de dinheiro, como tem sido frequente para novatos nos últimos anos. “Sempre disse que, quando você é bom o bastante e tem algo especial, vai entrar.”

 A CARREIRA DE JOS VERSTAPPEN NA F1

8 temporadas
107 largadas
7 equipes:
Arrows, Tyrrell, Minardi, Footwork, Benetton, Stewart e Simtek
Melhores resultados:
3º nos GPs da Hungria e da Bélgica de 1994
Melhor posição de largada:
6º no GP da Bélgica de 1994