Williams põe até Latifi no Q2, mas depende de ritmo de corrida para sair do zero em 2020

O desempenho da dupla de pilotos da Williams no sábado em Hungaroring foi bastante notável e provou no cronômetro uma evolução de quase 1s5 na comparação com o ano passado. No domingo, contudo, veio o choque de realidade com o calcanhar de Aquiles que faz a equipe ser a única ainda sem pontos no Mundial de Construtores em 2020

Com três finais de semana já realizados pela Fórmula 1 na temporada 2020, uma questão está clara: a Williams deu um grande salto de performance na comparação com o ano passado e, ao menos em termos de performance pura, provada em ritmo de classificação, a equipe de Grove já não ocupa mais a lanterna do grid. No entanto, se o desempenho em volta rápida é bastante animador, em ritmo de corrida o cenário ainda é muito desanimador e foi refletido em cores vivas novamente no GP da Hungria do último domingo.

O avanço de George Russell ao Q2 do GP da Estíria em treino classificatório no molhado há pouco mais de uma semana foi um bom indício, ainda que tenha sido conquistado muito pelo talento do prodígio britânico. Sete dias depois, em Hungaroring, veio a confirmação. Além de Russell, até o novato Nicholas Latifi conseguiu a façanha de passar de fase na sessão que definiu o grid de largada, realizada com a pista seca. A Williams não ia ao Q2 com seus dois carros desde o GP da Itália de 2018, com Lance Stroll e Sergey Sirotkin.

O desfecho daquele sábado em Budapeste trouxe uma ideia mais real da ordem de forças da Fórmula 1 neste momento. Se no pelotão da frente a Mercedes nada de braçada, a Racing Point aparece com o segundo melhor carro e Red Bull luta num pelotão em que aparece ligeiramente melhor que Ferrari e McLaren, do meio para trás a Williams deixou a indesejada última fila.

Bem no sábado, mal no domingo: mesmo com George Russell, a Williams sofre em ritmo de corrida (Foto: Williams)

Claro que ainda é muito cedo para tomar tal situação como algo definitivo, mas esta é a tendência: Williams à frente dos carros da Haas e da Alfa Romeo. Diz muito sobre o trabalho feito em Grove para dar um significativo salto de qualidade depois de um ano para ficar no esquecimento, mas diz ainda mais sobre as equipes clientes da Ferrari, que sofrem, assim como a escuderia de Maranello, com um motor sem potência e que não anda.

E se o circuito magiar tende a nivelar um pouco mais as coisas por não exigir tanto assim da unidade de potência, é quase certo que a diferença da Williams para suas adversárias vai ser muito maior em Silverstone, dentro de duas semanas.

Os números, definitivamente, não mentem. Na primeira classificação da temporada, a Williams foi a segunda equipe que mais evoluiu em termos de performance na comparação com o ano passado. George Russell foi 0s737 mais rápido que em 2019. Só a Racing Point, 0s921, deu salto maior. Em contrapartida, a Haas despencou 0s619, enquanto a Alfa Romeo foi 1s119 mais lenta.

Na Hungria, em uma pista com características distintas em relação ao Red Bull Ring, a disparidade foi ainda maior. Também com Russell, a Williams melhorou 1s446 quando se colocam lado a lado as voltas deste ano e do ano passado na classificação. A Haas foi 0s030 mais lenta, enquanto a Alfa Romeo caiu 0s465.

A última fila do GP da Hungria teve as Alfa Romeo de Antonio Giovinazzi e Kimi Räikkönen, o 20º colocado no grid de largada. Depois de passar para o Q2, Latifi garantiu a 15ª posição, enquanto Russell brilhou novamente e posicionou sua Williams à frente da Red Bull de Alexander Albon, somente 0s037 atrás da Renault de Daniel Ricciardo e apenas a 0s191 de passar para o Q3. Um feito e tanto.

O discurso dos pilotos no sábado foi de satisfação pelo avanço ao Q2, mas tanto Russell quanto Latifi ressaltaram que era possível até ir além. Entretanto, o domingo tratou de mostrar o calcanhar de Aquiles da Williams neste ano: o ritmo de corrida.

Mesmo com talento ímpar, Russell não conseguiu encaixar uma boa largada e, assim como aconteceu no GP da Estíria, decepcionou logo no começo também na Hungria. O piloto de 22 anos revelou, porém, que não ficou satisfeito com o ritmo do FW43 como um todo na prova e destacou uma diferença curiosa em relação a 2019.

Nicholas Latifi se colocou à frente dos carros da Haas e da Alfa Romeo no sábado. Mas tomou cinco voltas de Lewis Hamilton na corrida em Hungaroring (Foto: Williams)

“Nosso ritmo de corrida é muito pobre e temos de entender o motivo. No ano passado aconteceu o contrário: nosso ritmo de corrida era melhor que o ritmo de classificação. Agora somos muito rápidos aos sábados, mas sofremos nos domingos. Vamos analisar os dados e vamos ver o que aconteceu. Há aspectos positivos, só temos de minimizar as partes negativas e fazer com que o ritmo do carro seja um pouco melhor”, explicou o dono do carro #63 depois da corrida ao terminar em 18º.

Russell cruzou a linha de chegada somente à frente de Latifi. E se o britânico sofreu com o ritmo de corrida parco do carro da Williams, Nicholas teve dificuldades com si próprio. Primeiro, ao se envolver num incidente com Carlos Sainz no pit-lane e ter o pneu traseiro esquerdo furado. Depois, praticamente se arrastou ao longo da prova para terminar inacreditáveis cinco voltas atrás do vencedor, Lewis Hamilton. Deu tudo errado para o canadense, que só teve mesmo o que comemorar pelo que conseguiu no dia anterior.

Dave Robson, chefe de performance da equipe, resumiu bem os sentimentos contrastantes que traduziram o fim de semana da Williams na Hungria. “Foi um desses dias em que tudo dá certo ou dá errado. Para nós, deu tudo errado. Devemos analisar o ritmo de corrida do carro e ver como podemos tirar o máximo de proveito na classificação”, contou o engenheiro.

Se é verdade que a Williams deixou a lanterna do grid nos sábados, é preciso melhorar de forma significativa nos domingos. No fim das contas, é o que mais vale e é o que vai fazer a equipe viver dias mais positivos. Por enquanto, depois de três corridas disputadas, a Williams é a única ainda zerada no Mundial de Construtores.

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