Mercedes diminui Vesti e Aron ao transformar programa da F1 em ‘academia Antonelli’

Se Andrea Kimi Antonelli personifica a figura do jovem piloto que não teria sobre si a pressão de vencer por conta dos problemas da Mercedes sob o atual regulamento da F1, por que Frederik Vesti, reserva imediato, e Paul Aron, que integrou a academia até o ano passado, não merecem o mesmo zelo?

Não deve ser tão fácil para Toto Wolff, chefe da Mercedes, olhar para os boxes da Red Bull e ver Max Verstappen com raízes ainda bem fixadas por lá. Mesmo em meio à crise que estourou nos bastidores, foi o time taurino, pelas mãos de Helmut Marko, que teve a coragem de fazer o que até então era inimaginável: colocar um adolescente para correr a mais de 300 km/h em um carro de Fórmula 1.

Wolff, claro, era do time dos que não estavam ainda dispostos a tal loucura, mas a verdade é que Esteban Ocon, contra quem o neerlandês disputou o título da F3 Europeia, chamava mais a atenção dos alemães, tanto que o francês integrou o programa da equipe junto com Pascal Wehrlein. Entre 2013 e 2014, foram duas tentativas de Jos Verstappen convencer Toto a apostar em Max, porém sem sucesso.

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A história tratou de mostrar como faltou a Wolff ‘faro’ para ousar dar vez a um garoto que mal completara 17 anos. E é por esse mesmo episódio que o chefão das Flechas de Prata não quer arriscar perder outro jovem que também considera ser um talento geracional, Andrea Kimi Antonelli.

É justificável, portanto, a atitude da Mercedes em colocar o pupilo entre os reais candidatos ao lugar de Lewis Hamilton na temporada 2025 da F1. É também correto, considerando que este deveria ser o principal propósito de todos os programas de jovens pilotos do grid, só que deixa de ser imparcial no momento em que a fixação por Antonelli sacrifica outros nomes que também mereciam o mesmo zelo: Frederik Vesti e Paul Aron.

Paul Aron já tem três pódios em três rodadas e é vice-líder da F2 (Foto: F2)

Vesti, é verdade, ganhou uma espécie de ‘promoção’ ao deixar o programa e ser lançado ao posto de reserva da equipe na F1 em tempo integral — movimento até natural, considerando que o dinamarquês é o atual vice-campeão da F2, e mesmo tendo perdido o título para Théo Pourchaire, fechou o ano como o piloto com o maior número de vitórias no campeonato. Só que, tal acontece com Mick Schumacher hoje, vê crescer cada vez mais o destino de virar ‘piloto de desenvolvimento’, com compromissos muito bem definidos no simulador.

Aron, por sua vez, deixou o programa alemão ao final de 2023. O estoniano é novato na F2 assim como Antonelli, mas tem algo crucial a seu favor que o colega não tem, a passagem pela Fórmula 3 — por uma decisão, claro, da própria Mercedes, em mais um sinal de pressa misturada com desespero para manter Kimi sob suas asas custe o que custar. Acontece que pular o italiano da FRECA direto para o degrau que antecede a F1 já começa a cobrar o preço.

Vamos ao exemplo da última rodada, na Austrália. O circuito do Albert Park chegou ao calendário de F2 e F3 no ano passado e foi um grande desafio para as duas classes: curvas de alta, muita sujeira, muros próximos. Ainda é uma pista que os meninos estão pegando a mão, mas não era mais novidade para 19 dos 22 que ali estavam. Além de Antonelli, Joshua Dürksen, outro oriundo da FRECA, e Ritomo Miyata, campeão da Super Fórmula, estavam em solo australiano pela primeira vez.

Na classificação, Kimi foi muito bem, diga-se. Por 0s3 não foi pole-position, perdendo a posição de honra para Dennis Hauger, mas é no ritmo de corrida que a experiência faz falta, e isso é ainda mais notável em disputas diretas contra os pilotos que fizeram a F3 em 2023. Coincidentemente, uma delas foi justamente contra Aron, que não teve dificuldades para bater o #4 da Prema.

Andrea Kimi Antonelli tem toda atenção de Toto Wolff na Mercedes (Foto: Prema)

Então Aron também merecia ser considerado para uma vaga na Mercedes? Ora, diante da atual situação dos alemães na F1, nem Antonelli é o nome mais adequado justamente por toda a quilometragem que ainda precisa adquirir — processo que, claro, faz parte e requer tempo —, mas se Kimi é visto como o jovem que não teria a obrigação de vencer no primeiro ano já que o time sabe que não tem equipamento para isso, por que outros novatos não? Por que abrir mão de Aron e sequer cogitar o reserva Vesti como candidato? Ambos são mais experientes e também possuem bom retrospecto, o que explica a rejeição?

Que fique claro que não há nenhuma dúvida quanto ao talento de Antonelli. Por onde passou, o italiano celebrou títulos, e ainda que peque no ritmo de corrida, tem andado na frente do já experiente Oliver Bearman, com quem divide a Prema na temporada. Mas até que ponto vale para a Mercedes apostar todas as fichas em um único piloto?

O trauma de ter perdido Verstappen parece ainda assombrar e muito Wolff, mas também não deixa de ser um enorme risco transformar a academia praticamente em ‘programa de um piloto só’ — principalmente se, imagina, o futuro mostrar que o dirigente austríaco errou mais uma vez.

A Fórmula 2 retorna em maio, dos dias 17 a 19, com a rodada da Emília-Romanha, a primeira da perna europeia da competição.

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