Piastri se afirma como candidato ao título da F2, mas ainda precisa mostrar constância

Oscar Piastri já mostrou velocidade, vencendo corrida na Fórmula 2 e colocando o companheiro Robert Shwartzman no bolso. Só que a briga pelo título vai exigir ainda mais do que isso

Assista aos melhores momentos do GP de Doha de MotoGP (Vídeo: GRANDE PRÊMIO com Reuters)

O fim de semana da Fórmula 2 começou com expectativas grandes cercando alguns pilotos. Robert Shwartzman, combinando agora velocidade com um pouco mais de experiência, era um deles. Só que, ao menos dentro da Prema, a estrela do fim de semana foi outro cara: Oscar Piastri, venceu corrida, foi combativo e deixou claro que é capaz de alcançar feitos grandiosos em 2021.

O australiano, verdade seja dita, nunca foi uma carta completamente fora do baralho na F2 2021. Afinal, veio como campeão da F3 em 2020 e com rótulo de candidato a uma vaga na Fórmula 1 via Alpine no futuro. Dito isso, o lado negativo existia e pesava: o australiano teria um páreo bem duro na briga interna com Shwartzman, companheiro de Prema cotado como favorito ao título. A tendência era de acabar ofuscado, principalmente nas primeiras rodadas. Isso até as corridas no Bahrein mostrarem o russo como um piloto errático, agindo como novato e desperdiçando pontos que podem fazer falta lá na frente. Resultado final da rodada tripla: Oscar com 21 pontos e uma vitória, Robert com 16 e sem nem pódio.

OSCAR PIASTRI; FÓRMULA 2; FELIPE DRUGOVICH; BAHREIN; CORRIDA PRINCIPAL;
Oscar Piastri empilhou ultrapassagens no Bahrein (Foto: F2/Reprodução)

É importante lembrar que o próprio Piastri também teve sua dose de erros, com um toque com Dan Ticktum forçando abandono na corrida principal. Ainda assim, o saldo foi positivo, com o australiano mostrando que não vai perder muito tempo se adaptando aos carros da F2, bastando concentrar esforços em um melhor cálculo de quando vale a pena arriscar mais ou arriscar menos em briga por posição. Acertando esses detalhes, vira um candidato óbvio ao título. Foi isso que aconteceu com Mick Schumacher em 2020, e pela mesma Prema.

Tudo muito bonito, mas terminar o ano como um Schumacher, laureado e dando com o pé na porta da F1, não é o único resultado possível. E Shwartzman é exatamente a prova disso: o russo começou 2020 muito bem, vencendo duas das primeiras três corridas principais e virando líder do campeonato. Era difícil apostar em outro piloto como campeão. Só que tudo viria a dar errado: Robert acabou sendo um piloto muito mais inconstante do que Schumacher, entrando em má fase no meio do ano e só ensaiando se recuperar de verdade quando já era tarde demais.

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Oscar Piastri
Oscar Piastri vem embalado pelo título da Fórmula 3 em 2020 (Foto: F3/Twitter)

Piastri precisa se concentrar para não ser em 2021 o Shwartzman de 2020. O cara que começa bem, superando as expectativas mais baixas que pairam sobre um novato, apenas para decepcionar todo mundo lá na frente. Não que haja uma pressão para ser campeão no ano de estreia – no fim das contas, é difícil que uma vaga na Alpine se abra ao fim desse ano –, mas seria um feito marcante. O passe ficaria imediatamente valorizado com um título no ano de estreia, assim como aconteceu com Charles Leclerc e George Russell. Se formos resumir tudo isso em uma frase só: a regularidade e o título no ano de estreia é o que faria a diferença entre Oscar ser apenas alguém promissor e ser alguém com potencial para lutar por vitórias e títulos em um futuro não muito distante.

Uma análise indo além disso, entretanto, seria precipitada, ainda mais com Piastri ainda em quarto na classificação. Shwartzman provavelmente vai reagir, por exemplo. Guanyu Zhou lidera o campeonato e empolga. Christian Lundgaard e Felipe Drugovich também têm potencial de se envolver na luta pelo caneco. Se o australiano quiser ser campeão, terá de ser contra um grid dos mais competitivos da história da F2. Que tenha a regularidade necessária para pelo menos se permitir sonhar.

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