Sérgio Sette Câmara: “Ser o único brasileiro na porta da F1 me faz perceber que tenho muita sorte”

2018 chegou com tom de decisão para Sérgio Sette Câmara. O piloto dá pinta de ter condições de lutar por vitórias e títulos com uma emergente Carlin. Seria uma grande notícia para alguém que virou a grande aposta brasileira no automobilismo europeu. Parece pressão demais? Talvez, mas para Sette Câmara é uma honra


O fim de semana marca o começo de uma temporada que deve se mostrar bastante equilibrada na F2 – a porta de entrada para a F1. Depois de um 2017 de domínio de Charles Leclerc, implacável na Prema, 2018 inicia com mais perguntas do que respostas. No meio disso está Sérgio Sette Câmara, não mais um novato na categoria de acesso. Agora piloto da Carlin, o brasileiro tem um ano importante pela frente – e que deve ditar os rumos de sua carreira.

 
Isso porque Sette Câmara empolgou na pré-temporada. Com uma Carlin que andou bem nos testes, principalmente em Paul Ricard, as expectativas são as melhores. Tanto Sérgio quanto o badalado companheiro Lando Norris, já piloto reserva da McLaren na F1, são vistos como candidatos às vitórias e ao título. As coisas realmente podem dar certo, mas, com tanto em jogo, o mineiro de 19 anos precisa causar a melhor impressão possível. Para isso, talvez baste repetir o segundo semestre do ano passado, quando conseguiu até vencer na F2, em Spa-Francorchamps.
 
2018 ganha um gosto especial para Sette Câmara por outro motivo também. Pela primeira vez, desde 1970, a F1 não conta com brasileiros no grid. A aposentadoria de Felipe Massa na categoria máxima do esporte a motor e a dificuldade do automobilismo nacional para formar novos talentos acabou com uma sequência que vinha desde a estreia de Emerson Fittipaldi. Parece muito cedo para afirmar que Sérgio vai recolocar o país no mapa da F1, mas uma coisa é certa: por ser o único piloto na F2, o jovem é o único em condições de pelo menos bater na porta da principal categoria do automobilismo.
Sergio Sette Câmara andou bem na pré-temporada da F2 (Foto: LAT/F2)
A saga de Sette Câmara começa neste sábado (6), com a disputa da corrida 1 da F2 no Bahrein. Vai ser a primeira de 24 oportunidades de se destacar. Antes disso, o brasileiro falou ao GRANDE PRÊMIO sobre o que 2018 reserva.
 
GRANDE PRÊMIO: A Carlin faz seu retorno ao grid da F2, mas já começou com os melhores tempos de volta na pré-temporada. Qual o segredo para começar tão bem?
 
SÉRGIO SETTE CÂMARA: É uma equipe muito estruturada, com ótimos engenheiros e dois pilotos rápidos. É uma preparação que já dura alguns meses. Eu espero que dê para brigar pela ponta e chegar no fim do ano em condições de brigar pelo título, ou pelo menos pelas primeiras posições.
 
GP: Como tem sido trabalhar com o Lando Norris, uma das principais promessas do automobilismo? Vai ser difícil medir forças com ele?
 
SSC: Ele [Norris] é um ótimo piloto, com uma ótima estrutura. Mas acredito que eu posso andar bem, assim como espera que ele também vá bem. Pelo que a gente viu, principalmente no Bahrein, todas as equipes estão muito próximas. A briga vai ser bem apertada, então não acho que tem que ser aquela coisa obcecada de só pensar no companheiro de equipe. Acredito que precisamos fazer um jogo em equipe para que os dois andem bem. Assim a equipe vai aprender mais, ter mais confiança e manter o alto-astral com dois carros melhores. Todo mundo sai ganhando.
Sérgio Sette Câmara andou bem na pré-temporada (Foto: F2)

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GP: O que aconteceu para que melhorasse tanto a partir da metade do ano passado seus resultados? O que fazer para seguir crescendo?
 
SSC: Acho que foi mais a questão de se acostumar com o campeonato. Estava com uma equipe bem pequena, que era a MP, e as informações não estavam lá. Tudo você precisava descobrir na base da experiência, e eu não tinha. Quando a temporada foi passando, aquele nervosismo de começo de campeonato foi cedendo e aí entrou uma calma para conseguir os primeiros pontos. Não só eu como a equipe inteira também se acalmou muito. O pessoal começou a trabalhar melhor, eu também, e aí os resultados vieram. Nesse ano, como a Carlin já tem uma estrutura e tal, é muito mais fácil para um piloto novo porque a equipe te dá informações sobre o carro e acelera o processo de aprendizagem.
 
GP: Em uma categoria como a F2, qual a diferença que faz ter pelo menos um ano de experiência?
 
SSC: Acho que ajuda a entender o comportamento do pneu, que no fim das contas sempre acaba mudando um pouco e até confunde quem está correndo. Por exemplo, vou para Silverstone. Ano passado quase não teve degradação lá, aí esse ano a gente vai e tem muita degradação, então confunde. Mas o principal é a questão de entender os pneus, até porque o carro é diferente. Não ajudou quase nada correr ano passado, só em se acostumar com um carro grande.
Sérgio Sette Câmara é o brasileiro mais próximo da F1 (Foto: FIA F2)
GP: Em um ano sem brasileiros na F1, você segue como único piloto do país na F2. A pressão aumenta por causa disso?
 
SSC: Isso, na verdade, é um grande orgulho para mim. É um país com um histórico de sucesso no esporte. Ser o único brasileiro com condições de estar na porta da F1, brigando por uma vaga, na verdade é uma grande honra. Me faz perceber que eu tenho muita sorte. Estou em um lugar que muitos pilotos gostariam de estar e isso me dá mais motivação para brigar dentro e fora das pistas.
 
GP: 2018 vai ser o ano mais importante da sua carreira?
 
SSC: Acredito que todos os anos têm suas partes chave. Na minha carreira tive anos de maior estabilidade, só que vários anos dependiam de um resultado X para poder seguir. Tive a sorte de sempre acabar conseguindo. Não sozinho, mas com as pessoas ao meu redor sempre conseguimos e por isso deu para seguir em frente. Se eu não tiver os resultados, o pessoal se desmotiva e aí você não chega até a F2. Mas todo ano é importante, esse não vai ser diferente. Mas é mais ou menos com 20 anos que você define se vai se profissionalizar no esporte e onde vai se profissionalizar. É uma temporada que realmente fica mais decisiva, mas não acho que fica diferente pra mim.
 
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