Buemi mostra que merece respeito, mas Marrakech confirma tendência: Renault não sobra mais mesmo quando vai bem

A realidade mudou dentro da Fórmula E. Ao contrário dos últimos dois anos, nem sempre que trabalhar bem e tiver Sébastien Buemi tirando tudo do carro a Renault irá sobrar. A ordem de forças está realmente mesclada e aberta para as etapas futuros. Agora a categoria vem para a América do Sul

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O eP de Marrakech deste sábado (13) confirmou uma nova tendência no que é a quarta temporada da Fórmula E. Após uma abertura de jornada que mostrou um novo mundo da categoria e uma Renault que viveu certas dificuldades, no Marrocos as atuações e as forças se estabilizaram. Com Sébastien Buemi, a Renault mostrou que tem, sim, muita força. A questão nem é precisamente essa, porém. Mesmo com Buemi extraindo tudo que a Renault possui em ritmo de corrida, ainda assim foi alcançado por dois pilotos e superado por um deles. Mesmo quando voa, a Renault não sobra mais. E isso, sim, é uma notícia enorme.

 
Buemi sempre esteve entre os mais rápidos, mas nunca foi o mais rápido. Fez a pole durante uma Superpole falha e não saiu com o tempo mais baixo do dia. Na corrida, claramente tirava tudo que o carro podia dar e mesmo assim ficou na alça de mira de Sam Bird e Felix Rosenqvist. Bird abandonou a briga pela vitória por uma falha no carro, mas Rosenqvist fez sombra durante quase meia prova até atacar. E quando atacou, tomou a ponta e sumiu no horizonte.
 
Nas últimas duas temporadas, sobretudo, a Renault oferecia uma máquina muito superior. Se Buemi andasse forte e o carro não tivesse problemas de confiabilidade, não era possível batê-lo – salvo em casos especiais. Isso não é mais verdade. A partir de 2017/18, mesmo quando Buemi for bem ele ainda precisa olhar para o retrovisor como fazem os reles mortais. 
Rosenqvist vibra com a vitória (Foto: Reprodução/Twitter)

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A ordem de forças dessa nova fase da FE ainda é um mistério. É mais provável que todas essas equipes – Mahindra, DS Virgin, Renault, Audi, Jaguar e a Venturi – sejam proposições de etapa a etapa. Dependendo de uma condição local da pista ou da temperatura, uma delas vai surgir um tanto à frente das outras. Se alguma delas, como a Audi está fazendo, tiver muitos problemas de confiabilidade irá ficar para trás rapidamente na classificação do campeonato.

 
A vitória de Rosenqvist mostrou que o sueco mais do que boa história é um piloto que sabe vencer. Nesse ano, diferente do ano passado, tem condição de ser campeão. A terceira vitória dele na categoria, como destacou depois da corrida, chegou num dia que foi um tanto quanto conturbado.
 
"Que dia! Fui de um dos meus piores treinos na Fórmula E [o TL1] a conseguir a pole, trocar a bateria antes da corrida e os caras arrumaram tudo perfeitamente para mim. E eu ganhei a corrida", disse. "Liderar o campeonato agora é demais. São apenas três corridas desde o começo do ano, mas, sim, que coisa fantástica", seguiu.
 
A tática no começo, explicou Rosenqvist, era não deixar os ponteiros Buemi e Bird se distanciarem até que pudesse dar o bote – o que aconteceu ainda no primeiro stint com Bird e veio a três voltas do fim com Buemi.
 
"Eu estava poupando minha energia atrás de Sam e Seb – os dois estavam gastando muito por estarem se atacando e defendendo. Mantive a calma atrás, mas no segundo stint eu vi que tinha condições de pegá-los e fui em busca disso", falou.
Pódio de Marrakech (Foto: Michelin)

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Já Buemi admitiu uma certa decepção. O suíço colocou a derrota para Rosenqvist na conta de uma falha do carro, que não acionou o FanBoost quando quis se defender. "Sim [é decepcionante]. Eu estava confiando no FanBoost, que não funcionou no carro. De alguma forma eu não me preocupei muito com ele [Rosenqvist] se aproximando de mim – eu parecia sempre ter um pouco mais de energia -, mas quando eu apertei o botão não funcionou. Um pequeno defeito no carro – eu tive que trocar a ordem dos carros e largar com o que deveria ser o do segundo stint. Alguma coisa não funcionou bem", explicou.

 
"De qualquer forma, em Berlim ele mereceu a vitória mas fui eu quem ficou com ela por causa das punições [da Mahindra]. Hoje foi a revanche", completou.
 
Mais desapontado estava Bird. O inglês, antes líder do campeonato, ficou chateado de ter deixado a briga pela vitória simplesmente por falhas no câmbio durante as últimas voltas do primeiro stint.
 
"O que aconteceu nas últimas três ou quatro voltas do primeiro stint foi que eu não tive o que gostaria, então tive que aceitar me afastar. Eu estava em confortavelmente em segundo e pressionando Seb e perdi isso. E então perdi muito espaço nas últimas duas voltas, porque a troca de câmbio não estava funcionando. O carro estava pulando marchas o tempo todo. Muito frustrante", contou.
 
"Depois, para tentar alcançar aqueles dois é impossível, porque eles estão rodando o máximo que esses carros conseguem. Eu tentei de qualquer forma, cometi alguns erros e gastei energia demais. No fim, decidi aceitar o terceiro lugar", contou. 
Nelsinho Piquet (Foto: FE)
Para os brasileiros, destinos opostos
 
Lucas Di Grassi e Nelsinho Piquet largaram com boas expectativas para o eP de Marrakech. Mas só um confirmou o resultado: Lucas abandonou ainda na primeira metade da corrida com uma nova dose de problemas mecânicos, enquanto Nelsinho cruzou a linha de chegada com um novo quarto lugar.
 
Para Di Grassi, o novo problema mecânico – terceiro em três ePs da temporada 2017/18 – resultou em um piloto chateado e com críticas ao trabalho feito pela Audi até aqui.
 
“É muito frustrante ter um carro tão rápido como temos esse ano, uma performance muito melhor do que a do ano passado, mas ficar completamente sem confiabilidade”, reclamou Di Grassi, questionado pelo site ‘Crash.net’. “100% de problemas de confiabilidade. É inacreditável. Precisamos investigar isso”, seguiu.
 
“Se quisermos vencer corridas e escalar a classificação do campeonato, precisamos entender o problema. Nunca tive um começo de campeonato tão ruim na minha vida”, disparou.
 
Piquet, por sua vez, está de bem com a vida. Depois de duas temporadas pouco produtivas com a NIO, o primeiro campeão da FE está em uma crescente. Com o segundo quarto lugar em três corridas, Nelsinho sonha com o fim da seca de pódios.
 
“O momento mais fraco foi a classificação, então fui um pouco preocupado para a largada. Depois consegui ganhar algumas posições e ataquei um pouco”, disse Piquet. “Mas o carro realmente acendeu depois do pit-stop, quando saí 7s atrás do Sam Bird e cheguei na cola dele. Então vamos avaliar porque o segundo carro foi tão melhor que o primeiro, o que é positivo porque temos o caminho para evoluir mais ainda. Estou contente pelo resultado e vamos seguir trabalhando forte, porque o pódio está se aproximando e estou com saudade dele na Fórmula E”, encerrou. O último pódio de Piquet foi no eP de Moscou de 2015, justamente sua última vitória no certame.

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