Buemi presta tributo a “segundo pai” Driot, chefe da DAMS morto em agosto

Sébastien Buemi foi chefiado por Jean-Paul Driot durante bons anos, entre 2014 e 2019, na Fórmula E e desenvolveu uma relação familiar muito além do profissional com o chefe. Quatro meses após a morte de Driot, aos 68 anos, Buemi fez um tributo

A temporada 2019 termina sem uma dos principais nomes no desenvolvimento da Fórmula E durante seus primeiros anos: o chefe da e.dams, time que operou a Renault no tricampeonato de Equipes entre 2014/15 e 2016/17, Jean-Paul Driot. O francês morreu em agosto, logo após o fim do último campeonato da categoria, aos 68 anos. Driot já estava afastado das corridas há meses, por conta do tratamento contra uma doença não-especificada. Sébastien Buemi, piloto que conquistou os títulos da FE junto a Driot, falou pela primeira vez sobre a proximidade dos dois. 
 
De acordo com Buemi, o francês foi muito mais em sua vida do que somente um chefe.
 
"Como dá para imaginar, JP era muito mais para mim do que apenas chefe de equipe. Conheço gente que diria isso, mas nós dois nos ligávamos entre duas e cinco vezes por semana, em média, até as 23h. Obviamente nós discutíamos a Fórmula E como equipe, mas dividíamos muitas coisas além disso. A vida em geral: filhos, esposas, casas, decisões a tomar, etc. Para mim, ele era como um segundo pai, de muitas formas. Era inspirador", disse ao site inglês 'E-Racing365'.
 
"Nunca fui tão próximo de um chefe de equipe quanto fui dele. Para mim foi uma grande perda, grande mudança, porque éramos tão próximos e, do nada, quando essas coisas todas param, é difícil superar", seguiu.
Jean-Paul Driot (Foto: DAMS/Twitter)
Buemi lembrou também do dia a dia trabalhando ao lado de Driot.
 
"Era muito difícil, mas muito bom, porque sabia como maximizar seu desempenho. Ele era capaz de escolher as pessoas certas, então você ficava rodeado de gente muito boa. Ele também sabia delegar muito bem, como manter as coisas sob controle e conseguia mostrar que não estava contente com o que eu fazia, mas de uma forma gentil que terminava sendo positiva. Conseguiu tirar o melhor da maioria das pessoas que tínhamos na equipe. É por isso que [o time] teve sucesso por tanto tempo", falou.
 
Por fim, contou algumas histórias recentes e revelou a felicidade por ter vencido o eP de Nova York e dedicar a vitória ao chefe apenas uma semana antes da morte. de Driot.
 
"JP sabia como se divertir também, porque para ter bom desempenho você precisa se divertir, precisa ser feliz, sentir-se bem. Ele entendia a importância disso. Lembro de passar noites com ele, ir jantar toda noite juntos, também com Nico e Alain [os Prost] e algumas vezes sozinhos. Tenho ótimas memórias. Ele veio ao eP de Berna em junho, mas antes disso eu organizei um pequeno churrasco privado na minha casa na Suíça e ele bateu na porta e me surpeendeu. Não devia estar lá, porque já estava muito doente naquele momento, então foi legal demais" , lembrou.
A rodada dupla que encerrou a temporada em Nova York (Foto: Jérôme Cambier/Michelin)
"Obviamente foi legal conseguir vencer em Nova York porque ele estava no hospital, nada bem, mas falava com os filhos dele e, claro, ele assistiu a corrida. JP sabia que eu tinha dedicado a vitória a ele, e ficou muito orgulhoso. Estou muito feliz que ele foi capaz de testemunhar a vitória. Foi legal saber que isso aconteceu pouco antes do fim", encerrou.
 
Além da Fórmula E, a história de Driot no esporte a motor foi longa. A equipe-mãe da e.dams, a DAMS, foi fundada por ele e pelo ex-piloto René Arnoux em 1988. O time foi alinhado no grid das das mais importantes categorias-satélite do automobilismo europeu. Ao todo, 31 pilotos que passaram pela DAMS chegaram à Fórmula 1. Atualmente no grid, Carlos Sainz, Romain Grosjean, Kevin Magnussen, Pierre Gasly e Alexander Albon passaram pelo francês. O campeão mundial de endurance Kazuki Nakajima também, além, claro, de Buemi. 

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