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Buscar Da Costa é acerto e mostra que DS Techeetah não vive golpe de sorte

António Félix da Costa ainda não é piloto da DS Techeetah, mas as negociações seguem acontecendo. O interesse no piloto português, de capacidade comprovada na categoria, é um acerto para substituir André Lotterer e mostra que a equipe franco-chinesa está pronta para seguir no topo da competição

Grande Prêmio / PEDRO HENRIQUE MARUM, do Rio de Janeiro
As coisas complicaram bastante para a DS Techeetah ao, um dia depois de confirmar os títulos de Equipes e Pilotos ver oficializada a saída de André Lotterer rumo aos quadros da Porsche. O objetivo, algo fundamental para se manter relevante na briga pelo título central da categoria, era buscar alguém que pudesse dar resposta imediata. Conseguir que esse alvo fosse facilmente capturado, na forma de António Félix da Costa - que será anunciado nos próximos dias -, mostra a força do time franco-chinês.
 
Naquela semana da saída de Lotterer, o GRANDE PRÊMIO fez uma análise mostrando a importância da participação de Lotterer no crescimento da equipe e nos pontos, ainda que Jean-Éric Vergne fosse - e seja - a grande figura. Com ele fora, a alternativa seria buscar alguém com vivência na categoria ou um nome já renomado em que pudessem confiar para trazer pontos imediatos. O que seria um risco, como mostraram Felipe Massa, Pascal Wehrlein e Gary Paffett, por exemplo, em seus anos de estreia.
 
Imediatamente os canhões se voltaram para Da Costa. Um dos poucos pilotos que está na Fórmula E desde a temporada inicial, o português entende a tecnologia da categoria como quase ninguém - ainda que a segunda geração de carros esteja à disposição somente há um ano. Não esteve apenas em quatro corridas da história do campeonato, todas por conta de compromissos prévios. 
António Félix da Costa (Foto: BMW)
Em quatro das cinco temporadas, Da Costa dominou os rivais: apenas na estreia na Andretti, na jornada 2016/17, foi batido por Robin Frijns, que tinha experiência na equipe. Nas outras todos, passou por cima dos companheiros. Venceu uma prova na temporada inicial, pela fraca Aguri, mas passou anos sem vivenciar novamente o feito.

Surgiu como favorito após a pré-temporada de 2018 e abriu a temporada com vitória e briga por mais uma na segunda corrida. Mas o ritmo caiu, assim como o da BMW. Terminou decepcionante, mas os 99 pontos e quatro pódios não são de se jogar fora. No fim das contas, pontuou mais que o próprio Lotterer.

A DS Techeetah tinha dois caminhos para seguir adiante e brigar por outro título, agora que cabe a ela a defesa do cinturão. Um deles era buscar um nome de vivência na categoria e que chegue pronto para garantir pontos e competir. O outro era ir atrás de um nome grande, alguém da F1 ou de fora da Fórmula E, como num sonho megalômano. Fez a escolha certa, avaliando o que o mercado de pilotos vende hoje. Ainda que as partes não acordassem, a procura foi boa. O que tudo leva a crer, entretanto, é que o acerto está próximo.
A rodada dupla que encerrou a temporada em Nova York (Foto: Jérôme Cambier/Michelin)
Para Da Costa, que passou anos participando da arrumação geral que a BMW fazia para assumir a Andretti e torná-la equipe de fábrica, deixar o time alemã é um risco alto. Especialmente visto que ainda tinha um ano de contrato, do qual já se livrou. Mas todas as decisões importantes carregam um risco, e esse não é diferente. Sair de um projeto que ele tinha a responsabilidade de capitanear para ir à principal equipe do grid nos últimos dois anos implica uma obrigação: competir de igual para igual com Vergne. Caso fique facilmente batido pelo francês, será um fracasso.

Já para a DS Techeetah, a procura mostrou maturidade de uma equipe que, embora nova, não chegou ao topo por golpe de sorte. Está pronta para continuar. 


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