FE

Cortado por guiar mal, Piquet precisa mostrar que título não foi 'amor de verão' para ter vida longa na FE

Nelsinho Piquet agora vai assistir corridas da Fórmula E bem longe das pistas. Após um título e quatro anos com mais baixos do que altos, Piquet agora se vê do lado de fora buscando uma vaga e vai ter de mostrar para as equipes que é possível replicar, se não o sucesso da temporada inicial, algum tipo de sucesso

Grande Prêmio / PEDRO HENRIQUE MARUM, do Rio de Janeiro
Nelsinho Piquet não tinha o melhor carro da Fórmula E na primeira temporada da categoria. Naquela jornada 2014/15, então pela China, teve pela frente o poderio de uma e.dams que contava com a estrutura da Renault e de uma ABT que, se não era oficialmente equipe de fábrica da Audi, contava com grande ajuda. A capacidade de desenvolvimento com o que tinha nas mãos, puro feeling e velocidade foram fundamentais. Nem parecia o mesmo piloto que foi demitido da Jaguar no fim do mês passado.
 
Naquele primeiro ano havia uma coluna aberta. Um espaço aberto que seria assumido por quem encontrasse um pulo do gato durante a temporada. Piquet trabalhou perfeitamente na relação de uma equipe que, sem segundo piloto definido - foram quatro ao longo do campeonato -, concentrou esforços nele. A troca de informações entre as partes funcionou como nunca. Na pista, a agressividade de Piquet se aliou a momentos de extremo amadurecimento quando precisava controlar provas e adversários. Tanto é que foi campeão com duas vitórias.
 
O título foi mais que a conquista de um troféu: foi a afirmação de alguém que recuperava oficialmente os rumos da carreira, manchados pelo Crashgate de 2008. É verdade que Nelsinho não gosta que se toque no assunto e, até com algum teor de razão, sempre aponta que é injusto levar a culpa quando era um novato aos 22 anos de idade sendo coagido por chefes veteranos e de longas histórias no Mundial. Ainda assim, foi o nome dele ligado diretamente ao esquema porque a decisão no carro, queira ou não, foi a dele. 
Nelsinho Piquet (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
Nos anos seguintes, Piquet fez de tudo um pouco. Teve certo sucesso na Nascar, onde guiou até na divisão principal, no Ralicross, conheceu a Indy, a Stock Car, a GT Sprint Series. Deu uma volta ao mundo e voltou a uma categoria de monopostos na Europa para ser campeão. Recebeu - e justamente - crédito de um dos melhores pilotos do mundo naquele momento.
 
Mas aquilo era quase que uma versão Beta do campeonato em alguns aspectos. Não na habilidade dos pilotos, mas na organização operacional das equipes. Na segunda temporada, a FE abriu para as equipes a produção de seus próprios trens de força. Com novos motores, o poderio financeiro e de know-how facilmente começaria a pesar. A China, vendida para a NextEV, naturalmente se viu atrás das fábricas grandes com experiência e dinheiro.
 
Piquet ganhou Oliver Turvey, que participara da etapa final na temporada inicial, como companheiro. O carro era ruim. Pesado no sistema de motor duplo, o carro se arrastava. Piquet não tinha mágica a fazer, mas guiava mal. No fim das contas, terminou toda a temporada com oito pontos enquanto a equipe foi lanterna do campeonato. Mas Turvey, um piloto nada mais que mediano e com menos experiência na equipe, fez 11 tentos. 
Nelsinho Piquet (Foto: José Mário Dias)
Tudo bem. A ressaca de pular direto de um carro campeão para uma carroça causa um efeito e um desânimo. Até daria para entender, mas o desempenho não voltou no ano seguinte. Piquet fez pole na abertura do campeonato e superou Turvey a contagem final, mas ficou fora dos pontos nas seis últimas corridas. Um ano melhor que o anterior, mas longe de ser considerado como bom. 
 
O desempenho da primeira temporada ainda ressoava, no entanto, e Nelsinho recebeu a chance numa Jaguar que era a caçula entre as equipes. Mas um time de fábrica, pois. E o começo foi interessante: boas corridas e quatro top-6 nas primeiras cinco provas. Ficou três vezes na beira do pódio, o quarto posto, e até estava à frente de Mitch Evans - já veterano da equipe. Evans guiava um pouco melhor, mas Nelsinho capitalizava os pontos. Isso acabou rápido: depois disso, Piquet passou mais seis corridas fora dos pontos e com muitos problemas no carro. Voltou a marcar tentos com um sétimo ponto no encerramento do campeonato e com 51 pontos contra 68 do companheiro. 
 
Algo que Piquet sempre destacou na temporada 2017/18 foi que o trabalho vislumbrava brigar nas primeiras colocações não naquele ano, mas neste 2018/19. Piquet pontuou com um décimo lugar na Arábia Saudita, mas andou muito mal nas cinco corridas seguintes. 
 
A Jaguar tem um problema crônico de ritmo de classificação, mas não na corrida. Tanto é que Evans, mesmo com os problemas dos classificatórios, é um dos únicos dois pilotos do campeonato a marcar pontos em todas as corridas na temporada. Piquet, apenas em uma. E abandonou sua corrida final pela equipe, em Sanya, com um tosco erro.
Nelsinho Piquet (Foto: Jaguar)
Piquet tem virtudes e ainda algum lastro na FE. Agora, para um pouco e respira, enquanto Alex Lynn assume seu lugar. As coisas não aconteceram, e Piquet pode pensar um pouco em outra coisa, na FE. Ao que tudo indica, o interesse de voltar existe e as chances vão aparecer, mas é necessário que o piloto saiba bem o motivo de andar sendo batido ou acompanhado por pilotos de nível mais baixo e com as mesmas condições.
 
Piquet foi cortado da Jaguar "em acordo mútuo" porque guiou mal. E o que ele fizer agora define se isso dura para sempre ou acaba logo. Com o lastro que ainda tem, vai receber - e deve já estar recebendo interesse. Vai precisar provar para as equipes que aquele título convincente da primeira temporada não foi um amor de verão ou um sonho de uma noite de verão - só assim é que vai conseguir ter um logo futuro à frente na categoria dos bólidos elétricos. 


Confira a programação do fim de semana do eP de Roma da FE
Horários de Brasília, GMT -3

SESSÃO DIA DATA HORA
TL1 Sábado 13/4 2h30
TL2 Sábado 13/4 5h
TC Sábado 13/4 6h45
eP Sábado 13/4 11h03

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