DS Techeetah decepciona, mas ainda tem tudo para levar título da Fórmula E em Berlim

A DS Techeetah parecia destinada a fazer uma dobradinha na corrida 1 em Berlim, mas nem foi ao pódio. Ainda assim, o sistema de treino classificatório da Fórmula E significa que António Félix da Costa tem boas chances de dar uma inesperada volta por cima

Vitor Fazio analisa: quais pilotos da Fórmula 1 deveriam considerar uma ida para a Fórmula E?

Olhe para o Campeonato de Pilotos e você verá Nyck de Vries, da Mercedes, liderando. Olhe para o de Equipes e verá a Jaguar em primeiro. Isso com apenas uma corrida restando na temporada 2020/21. Ainda assim, a corrida deste sábado (14) apontou uma tendência na Fórmula E: existe uma chance grande de, apesar de tudo, a DS Techeetah levar os dois canecos pelo terceiro ano seguido.

A explicação é um tanto complexa, mas tem como ponto central o formato de treino classificatório. Quem acompanha a categoria mais a fundo sabe que os seis primeiros colocados do Campeonato de Pilotos são forçados a ir à pista antes dos outros, pegando asfalto sujo e pouco aderente. Isso joga a favor da dupla da DS Techeetah, que tem António Félix da Costa e Jean-Éric Vergne em sétimo e nono. Ou seja, no segundo grupo de classificação, pegando pista melhor e tendo chances muito melhores de alcançar a pole-position.

Isso já foi visto na corrida 1 da rodada dupla. Vergne, que não tinha feito grande trabalho nos treinos livres, pôde tirar um coelho da cartola: o francês liderou a fase de grupo e a superpole, dividindo a primeira fila com Da Costa. É preciso dizer que o português mandou bem ao chegar lá após fazer volta no primeiro grupo do treino classificatório, mas esse feito é raríssimo na FE moderna. É muito mais comum ver o que aconteceu com o líder De Vries, que largou em 19° e terminou em 22°.

Antonio Felix da Costa pode ser beneficiado pelo formato da Fórmula E (Foto: Fórmula E)

O leitor pode ficar com um pé atrás com essa tese de que a DS Techeetah está em posição favorável. Afinal, a corrida da escuderia saiu de controle e nem mesmo o pódio foi possível. Sim, verdade, mas a impressão que fica não é de que o ritmo de Vergne e Da Costa era ruim. As coisas deram errado quando os atuais campeões acharam uma boa ideia retardar ao máximo o uso do modo ataque. Isso abriu caminho para ultrapassagens das duplas de Audi e Venturi, por exemplo. Até deu para recuperar parte das posições, mas Lucas Di Grassi e Edoardo Mortara estavam muito à frente e travavam briga imprevisível pela vitória. Em parte, por usar o acionamento de potência extra para não ficar preso em tráfego.

Se acertar a mão no domingo, a DS Techeetah fica com chances claras de vitória com um de seus pilotos. E isso será meio caminho andado para terminar o fim de semana como campeã. É claro que outras equipes terão oportunidades, ainda mais com o campeonato estando tão equilibrado. Só que as rivais terão mais obstáculos pelo caminho.

O melhor exemplo disso é Di Grassi. O brasileiro venceu e comprovou sua força, e a da Audi, em Tempelhof. Eis que, por ser sexto no campeonato, terá de fazer volta no primeiro grupo do treino classificatório. Isso tendo de, no mínimo, terminar em quinto o eP de Berlim 2. Será necessário um esforço hercúleo na definição do grid para de fato chegar na corrida em condições de pontuar bem – algo que Da Costa, por exemplo, terá. E o português tem apenas 1 ponto a menos.

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LUCAS DI GRASSI; VITÓRIA; AUDI; AUDI SPORT; BERLIM;
Lucas Di Grassi mandou bem na corrida 1 do fim de semana, mas deve sofrer na 2 (Foto: Audi Sport)

Dito isso, repare que esta análise não usou em momento algum a palavra ‘favoritismo’. Isso seria um exagero tremendo em uma temporada que, semana após semana, mostrou que todo mundo pode errar. E, no 2021 da Fórmula E, mais do que o bom senso recomenda. Nada impede Da Costa de travar os pneus na superpole, ou de errar um acionamento de modo ataque, ou de simplesmente ser atingido por alguém. O que há é uma tendência, uma possibilidade real de que o português consiga fazer o dever de casa. Pelo menos mais real do que a de pilotos sendo quase forçados a largar do fim do grid ganharam uma série de posições e pontuar bem.

Foram meses reclamando que o entretenimento criado pela Fórmula E é fake. Reclamando que a categoria apela para um formulismo exagerado para criar o campeonato mais equilibrado e imprevisível possível. É por isso, em parte, que chegamos à corrida final com 14 pilotos sonhando com o título. Para as próximas 24 horas, entretanto, talvez seja o caso de fazer trégua. Querendo ou não, a decisão do título tem tudo para ser uma loucura. Cabe ao fã de automobilismo apenas sentar na frente da televisão e aproveitar ao máximo.

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