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Em briga política, FE dá luz verde para transferência automática de dados das pistas para fábricas

A queda de braço entre as grandes fábricas que começam a povoar a Fórmula E e as equipes mais autorais chegou a uma votação realizada na última semana. As gigantes do mercado bloquearam uma proposta de proibir transferência de dados automático das corridas paras as fábricas. Para as equipes com menos dinheiro, trata-se de uma busca das rivais maiores por vantagem futura, visto que não há como fiscalizar a transferência via Wi-Fi ou Bluetooth
Warm Up / Redação GP, do Rio de Janeiro
 As primeiras imagens do novo carro da Jaguar na Fórmula E (Foto: Divulgação/Jaguar)
Enquanto a Fórmula E prepara o começo da temporada 2018/19, no próximo dia 15 de dezembro, ainda arredonda regras para o crescido grid da categoria. Uma das propostas realizadas para o começo do ano vindouro foi proibir a transferência automática de dados de eventos para as fábricas. A proposta foi negada, entretanto.
 
De acordo com o site inglês 'E-Racing365', ao menos três equipes bloquearam a proposta durante uma votação online realizada na última semana. Há pressão de algumas equipes para que o Código Esportivo Internacional da FIA receba uma cláusula extra para especificar medidas às regras já existentes. É um pedido que leva em conta o Artigo 19.2.3.a do código.
 
"Mudanças nas regras esportivas e aquelas não especificadas em parágrafo anterior precisam ser realizadas até 20 dias antes do começo do campeonato", é o que diz o livro de ações da FIA.
 
O período de 20 dias é chave porque dentro dele já existe a consideração de que a temporada está iniciada. Qualquer mudança realizada com mais de 20 dias para o começo da temporada é valida porque as equipes entraram na competição com aquele conjunto de regras como vigente, mas mudanças dentro deste período precisam ser aprovadas de forma unânime.
Sébastien Buemi (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
"Todo o processo tem sido bastante político. Até agora a FIA está mudando regulamento esportivo e outras regras quando acham que vai tornar o campeonato melhor. Algumas fábricas estão forçando a barra para que eles façam isso de acordo com Código Esportivo Internacional", afirmou uma pessoa que o site inglês credita como figura importante de uma fábrica da FE.
 
A desconfiança das equipes que propuseram e foram a favor do banimento é que a FIA demorou demais a votar a proposta. Caso a votação fosse realizada duas semanas antes, a exigência para a proposta ser aprovada seria ter maioria dos votos, não unanimidade.
 
A grande questão com a transferência de dados é que não há como fiscalizar de forma eficiente como as tecnologias de Wi-Fi e bluetooth estão sendo utilizadas e as informações sendo passadas. 
 
"Algumas equipes sentem que fábricas estão mexendo os músculos para terem uma vantagem no futuro, e esse caso é claramente um desses. Está acontecendo lentamente, mas está acontecendo. Tem gente na FE sem experiência de lidar com grandes fábricas, e isso está ficando evidente", afirmo outra figura descrita pelo site como "de liderança".
 
Outra votação que foi realizada na semana que passou foi sobre o crescimento do FanBoost, que vai contemplar cinco pilotos. A aprovação foi unânime e será ratificada no encontro do Conselho Mundial da FIA nesta semana.