FE

Em caminho inverso ao da antiga F1, Nissan usa tecnologia de carro elétrico para desenvolver equipe

A Nissan chega à categoria dos carros elétricos com parte da estrutura que era da Renault, mas ainda tem um longo caminho para voltar aos tempos de sucesso da parceira. A montadora japonesa utiliza a experiência do modelo Leaf para desenvolver o sistema de sua bateria
Warm Up, de Santiago / VICTOR MARTINS, de Santiago
 A apresentação da Nissan em Santiago (Foto: Victor Martins/Grande Prêmio)
A chegada da Nissan ao campeonato da Fórmula E, herdando o ‘espólio’ da Renault – de quem ainda é parceira, apesar de todo o imbróglio que culminou na prisão do executivo brasileiro Carlos Ghosn – tem toda uma estratégia que é similar aos tempos em que a Fórmula 1 servia como plataforma para as montadoras desenvolverem suas tecnologias para uso nos veículos de passeio. O ponto é que o cenário atual indica uma inversão desta relação: a Fórmula E é que será o palco para que os fãs da categoria conheçam o que a Nissan tem aplicado no seu carro 100% elétrico.
 
O time que tem o campeão de 2017, Sébastien Buemi, e Oliver Rowland como titulares demonstrou no começo desta temporada 5 que ainda não tem o mesmo patamar de BMW e Techeetah. O suíço terminou as provas em Riad e Marrakech em sexto e oitavo, respectivamente, enquanto o inglês pontuou com o sétimo lugar na estreia. A Nissan ainda tateia o carro da Gen2 da categoria e usa como base o modelo Leaf para evoluir nas pistas.
Oliver Rowland (Foto: Nissan)
“Estamos utilizando nossa experiência para ajudar a desenvolver nosso trem motriz para a Fórmula E ao mesmo tempo que o nosso aprendizado vai nos ajudar a reforçar nosso desenvolvimento de veículos de produção em série”, declarou o diretor global da Nissan, Michael Carcamo, em evento que teve a presença do GRANDE PRÊMIO em Santiago. “O regulamento nos ajuda a nos concentrar no desenvolvimento dos nossos motores elétricos, inversores, transmissões e sistemas de gestão de energia. A Fórmula E é nosso laboratório de desenvolvimento de alta velocidade", completou.
 
A Nissan não demonstra ter o mesmo prazo curto da aliada Renault na FE, tanto que a equipe já trabalha pensando na próxima geração dos carros, que tem estreia prevista para 2023, segundo o diretor de marketing da América Latina, Juan Manuel Hoyos. O dirigente entende que a presença na categoria tem total relação com o que preveem de mudança indústria. “Acredito que até a metade da próxima década, os carros elétricos já terão passado os de motores a combustão”, disse ao GRANDE PRÊMIO.
A apresentação da Nissan em Santiago (Foto: Victor Martins/Grande Prêmio)
O Leaf é o modelo elétrico mais vendido no mundo: até agora, foram mais de 380 mil unidades. A Nissan tem como meta praticamente triplicar as vendas até 2022, chegando a 1.000.000 de veículos. Na América do Sul, o planejamento da montadora inclui uma pré-venda do modelo em Argentina, Chile, Colômbia e Brasil – onde já há 50 interessados em ter o Leaf. Aliás, a Nissan fechou uma parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para estudar utilizações futuras das baterias de veículos elétricos.
 
Com quase cinco anos na América Latina, a Nissan pretende eletrificar toda a região para dar autonomia aos carros de mesma natureza. Neste fim de semana, acontece o eP de Santiago, terceira etapa do campeonato da Fórmula E 2018/19. O líder da competição é o belga Jérôme D’Ambrosio, da Mahindra.
 
O GRANDE PRÊMIO acompanha ‘in loco’ o eP de Santiago com o jornalista Victor Martins. Acompanhe toda a cobertura aqui.