Fórmula E admite “usar” pandemia para convencer equipes a diminuir gastos

Alejandro Agag, presidente da Fórmula E, deixou claro que a categoria aproveitou a crise causada pelo novo coronavírus e impôs sua visão de controle de custos

Uma das primeiras categorias do esporte a motor internacional a agir e anunciar medidas concretas de corte de custos após o começo da pandemia do novo coronavírus foi a Fórmula E. De acordo com o presidente Alejandro Agag, a crise econômica decorrente do desastre sanitário foi, sim, uma oportunidade para a Fórmula E forçar sua visão do que o campeonato deve ser.

A categoria admite que não sabe se o Gen2 Evo, atualização da geração atual de carros e que deveria estrear no fim do ano, será produzido em algum momento – mesmo que seja, não será em 2020. A contenção de gastos, que se mostrava assunto complexo para a Fórmula E, passou a encontrar concordância entre as equipes.

“Na Fórmula E, estamos tentando fazer as equipes entenderem que deveriam gastar menos. Agora, entendem. Então, estamos cortando custos e colocando as coisas onde gostaríamos que estivessem. Agora, às vezes, conseguimos colocar as coisas onde queremos usando essa situação”, admitiu em participação no podcast ‘Extraordinary Tales in Extraordinary Times’.

“Claro que é terrível, mas nem tudo tem que ser ruim. É possível tirar boas lições de tudo isso. Parece clichê e tudo mais, mas eu realmente acredito nisso e é o que estamos fazendo”, seguiu.

Além da FE, Agag é alguém que milita na luta contra o aquecimento global. Com uma nova categoria, a Extreme E, marcada para estreia em 2021, alerta que a situação será bastante diferente após a passagem da pandemia. O que não quer dizer, porém, que deva haver pessimismo.

“Temos que seguir otimistas. Será difícil, algumas indústrias se transformarão completamente, as pessoas precisam se abrir para grandes mudanças. Temos de usar essa oportunidade para reduzir os gastos”, confirmou.

Ainda falando sobre as mudanças climáticas, Agag afirmou que o aquecimento global, diferente do coronavírus, é uma situação bastante discutida e esperada e, portanto, é um dever estar bem preparado. A pandemia, segundo ele, é uma demonstração e um exemplo.

“A grande lição é que há algo chegando, nós estamos que está chegando, que é o aquecimento global. Então vamos aprender a lição e nos preparar, porque a Covid-19 é uma criança comparada aos efeitos que o aquecimento global pode causar na sociedade. A Covid passará, as mudanças climáticas, não. Quando chegar, será irreversível. Precisamos evitar o aumento das temperaturas em mais de 2°C até o fim do século, ou então será tarde”, disse.

“Estamos vendo agora os efeitos do despreparo, o efeito de não fazer o dever de casa para um evento inesperado, mas há um que é esperado, então vamos fazer o dever de casa”, falou.

“Para mim, há uma lição ao mesmo tempo simples e muito importante. É óbvio, mas não estamos prontos. Nós não estamos preparados. Se olharmos um pouco para trás, veremos que muita gente alertou sobre [a possibilidade de] uma pandemia”, lembrou.

“Uma pandemia era um risco que existia, mas não estávamos prontos. Se estivéssemos preparados, haveria muito menos morte e caos econômico e muito menos dano. Estaríamos nos saindo muito melhor”, comentou.

A FE estuda retomar a temporada em agosto, na Alemanha.

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