Na Garagem: Com ajuda valiosa de Senna, Piquet é campeão da Fórmula E em Londres

Há cinco anos, Nelsinho Piquet coroou uma temporada formidável com o primeiro título da história da Fórmula E

Quando a Fórmula E começou, em setembro de 2014, a aposta era pesada: uma categoria de ponta, para atrair fábricas de primeiro time, e com o papel de desenvolver a tecnologia de carros elétricos. O campeonato foi montado em alguns meses, atraiu pilotos importantes e as fábricas que esperava. O mundo estava de olho no que sairia de lá. Há exatos cinco anos, em 28 de junho de 2015, Nelsinho Piquet comemorou o título e coroou uma temporada que fez a categoria se fixar no rol das séries internacionais dignas de nota.

Com carros iguais, produzidos de maneira padrão pela Spark, nenhuma das equipes disparou com relação ao restante. O que quer dizer certa paridade de possibilidades e resultados. Desta maneira, a luta pelo título ficou de certa forma nublada durante boa parte daquele campeonato. Lucas Di Grassi, Sam Bird, Sébastien Buemi, António Félix da Costa e Nicolas Prost, cinco pilotos vindos de quatro equipes diferentes, venceram as primeiras cinco provas do campeonato.

A prova seguinte, sexta das 11 marcadas para a competição, ficou com Nelsinho Piquet. Não que antes de vencer, em Long Beach, Piquet estivesse completamente fora do radar. Fizeram dois pódios e estava a 18 pontos da liderança, mas o domínio completo na Califórnia deu o recado de que o desafio era para valer. Sua equipe, a China Racing, não conseguia emplacar alguém no outro lado da garagem. Ho-Pin Tung, Antonio García, Charles Pic e Oliver Turvey – o inglês só nas últimas corridas -, passaram por ali. Os pontos vinham, mesmo, com Nelsinho. Como os holofotes. O duelo com o rival de juventude, Di Grassi, saiu das pistas na classificação em Mônaco e foi parar nas declarações dos dois, um sobre o outro. O clima estava quente.

Os vencedores começaram a se repetir na sequência. Buemi voltou a subir no lugar mais alto do pódio em Mônaco e na primeira corrida de Londres, enquanto Piquet levou em Moscou. Na chegada a Londres, Piquet sabia que o carro não era tão forte assim na capital inglesa. O quinto lugar do sábado deixou a sensação de que era até acima do rendimento da China, mas Piquet tirava tanto do carro que conseguia buscar de onde sequer se sabia se existia. O problema foi que Buemi venceu.

No domingo, a classificação rabiscou tudo. Piquet liderava por cinco pontos, mas largava somente em 16º; Buemi, o segundo no campeonato, era sexto. Já Di Grassi, 13 pontos atrás, saía em 11º.

Nelsinho Piquet campeão em Londres (Foto: Fórmula E)

Logo na largada, Piquet ganhou quatro posições. E, atrás do companheiro Turvey, ficava um tanto quanto confortável na expectativa de atacar. Entrou na zona de pontuação quando Jean-Éric Vergne precisou cumprir um drive-through, punido por exceder o limite de energia. Em seguida, a janela de troca de carros fez Di Grassi parar na volta 15, Buemi foi na 16 e Piquet segurou um giro a mais, afinal, tinha poupado bastante energia até aquele momento.

A volta 17 guarda um momento fundamental daquela prova: Buemi, na volta dos boxes, rodou e foi ultrapassado por Bruno Senna, que largara em quinto e fazia boa prova. Piquet passou perto de rodar também, porque se defendia dos ataques de Prost, mas segurou e seguiu em frente. Um pouco depois, na volta 20, Fabio Leimer bateu e forçou a entrada do safety-car. A relargada permitiu que, enfim, a China agisse e permitisse Turvey a abrir caminho para Piquet. Mas o brasileiro foi além, mergulhou para cima de Salvador Durán e ganhou mais uma posição. Naquele momento, Piquet era campeão por um ponto.

Com Nick Heidfeld abandonando por problemas no câmbio, Piquet se estabelecia em oitavo – atrás, exatamente, de Di Grassi. A possibilidade de que tudo pegasse fogo estava longe de ser descartável, porque Lucas não dava qualquer brecha e Nelsinho sabia que uma ultrapassagem de Buemi bastava para ver o caneco mudar de mãos.

Mas a corrida se aproximava do fim. Piquet não ia passar, mas tinha uma guarda-costas. Bruno Senna grudou nas esquinas do Battersea Park e negou todas as tentativas efetuadas por Buemi. Não ia passar de jeito nenhum. E não passou. Senna manteve Buemi em sexto, Piquet fechou atrás de Di Grassi em oitavo. Todos ganharam uma posição no fim da corrida, quando Stéphane Sarrazin recebeu uma punição, mas nada mudava na contagem geral de pontos. Meio que sob os radares de atenção, Bird herdava a vitória.

Por um ponto, Piquet era o primeiro campeão da história da Fórmula E.

“Foi um ano complicado, um final de semana muito difícil, largamos muito atrás. Mas acabou sendo um dia incrível, conseguimos chegar onde precisávamos. Havia combinado com a equipe de não falar muito no rádio e apenas fazer a minha corrida. Nem sabia direito se tinha sido campeão, por isso não comemorei direito. Acelerei muito desde o começo, estou aliviado com o resultado que atingi. Eu sabia que seria possível reverter o quadro do grid de largada”, disse o campeão logo após a prova.

A Fórmula E tinha o primeiro nome na galeria de conquistadores.

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