Nem tente adivinhar: Londres mostra que campeão da Fórmula E será surpresa total

Não há mais esperanças de que a temporada da Fórmula E deixe de ser nivelada por baixo. Basta vencer, como Jake Dennis, para virar automaticamente candidato ao título. Só que talvez seja o momento de pelo menos tentar aproveitar um campeonato verdadeiramente imprevisível

O duelo entre Max Verstappen e Lewis Hamilton no GP da Inglaterra por uma nova perspectiva (Vídeo: F1)

Não faz muito tempo que o GRANDE PRÊMIO zoou Edoardo Mortara. O suíço, longe de ser um piloto de ponta da Fórmula E e fazendo temporada pouco mais do que medíocre, tinha virado líder do Campeonato de Pilotos. Não fazia muito sentido, mas agora faz: como o eP de Londres deste sábado (24) bem mostrou, o título da temporada 2020/21 está mesmo destinado a ficar com alguém inimaginável.

É que, como o GP também já apontou anteriormente, a temporada segue nivelada por baixo. E, com apenas três corridas restando no campeonato, é difícil imaginar que isso mude. Jake Dennis, que passou a maior parte do tempo apenas fazendo número no grid, virou terceiro colocado apenas por vencer pela segunda vez e chegar a 79 pontos. É um déficit pequeno para Sam Bird, com 81, e que é líder muito mais por sorte do que por juízo. Entre os dois, um António Félix da Costa que também não repete as atuações marcantes de 2019/20.

O pódio da Fórmula E em Londres (Foto: Fórmula E)

Nyck e Vries e Robin Frijns completam o top-5, mas também sem fazer anos incríveis. O mesmo pode ser dito sobre a maior parte dos pilotos no top-10. A crítica sobre o campeonato ser nivelado por baixo já foi feita diversas vezes, mas talvez seja o momento de refletir sobre o outro lado da moeda: aos trancos e barrancos, a decisão do título será marcante. Estamos nos encaminhando para um cenário em que um grupo de dez pilotos pode muito bem ir para a corrida final em Berlim com chances reais de título.

É preciso ser dito também que isso está longe de deixar a FE triste. O regulamento foi feito para criar esse tipo de equilíbrio, mesmo que de forma artificial. Basta olhar para os treinos classificatórios, que quase sempre forçam o líder do campeonato a largar nas últimas filas. Em termos de emoção feita de plástico, não há um distanciamento tão grande entre isso e o sistema de playoffs da Nascar, outro que tenta espremer entretenimento do ano a qualquer custo.

Mesmo que o formato deixe algum gosto amargo na boca – e deixa –, talvez seja o momento de aproveitar. Talvez daqui uns anos lembremos do ano pela arrancada incrível de Dennis rumo ao título, ou pelo tão aguardado título de Bird, vindo aos trancos e barrancos. Talvez o formato de treino classificatório e os problemas relacionados a isso se tornem apenas um ruído ao qual ninguém dá muita atenção. Essa resposta, entretanto, só será dada com as corridas em Berlim.

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Jake Dennis celebra vitória em Londres , que o deixa em terceiro no campeonato (Foto: Fórmula E)

É importante falar também sobre a novidade que é o eP de Londres, em uma pista única no centro de convenções ExCeL. Metade é interna, metade é externa. Além disso, com algumas rampas levando de um andar a outro. Parecia o ápice da filosofia Mario Kart da Fórmula E, mas apontar isso agora seria maldade. A pista trouxe algo diferente, mas sem descambar para uma corrida de carrinho bate-bate. As ultrapassagens vieram na medida certa, assim como os incidentes. A categoria fala abertamente em usar o traçado por muitos anos, e os primeiros sinais são positivos. A novidade faz muito mais sentido do que Valência e Puebla, experimentos que fracassaram em 2021.

A Fórmula E tira apenas algumas horas de descanso antes de voltar à ativa. A categoria completa a rodada dupla em Londres com outra corrida no domingo. Depois, mais três semanas até a rodada dupla decisiva de Berlim.

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