Prévia: vantagem de Piquet deixa rivais com obrigação de dominar em Londres

Nelsinho Piquet chega a Londres para a rodada dupla que vai encerrar a temporada inaugural da F-E com 17 pontos de vantagem para Lucas Di Grassi e 23 para Sébastien Buemi. Se Di Grassi e Buemi vão conseguir limpar a diferença e sair de Londres com a conquista tomada das mãos de Nelsinho, será por meio de um nível de domínio ímpar. Se fizerem isso e mesmo assim não se derem bem na briga com Piquet, terão terminado a temporada com muito pouco a ser repreendido

A classificação da F-E após o eP de Moscou

Não tem mais choro, não tem mais vela. Toda a temporada impressionante que a F-E apresentou desde 13 de setembro de 2014, em Pequim, trouxe a organização até este momento. Sábado e domingo, 27 e 28 de junho, em Londres, a primeira rodada dupla da categoria vai apresentar o campeão 1.0. Com 17 pontos de vantagem, Nelsinho Piquet é quem tem a faca e o queijo na mão. Para mudar isso, Lucas Di Grassi e Sébastien Buemi vão precisar de um fim de semana não menos que de pilotagem perfeita.

Uma pesquisa simples vai mostrar que entre os três dianteiros do campeonato apenas uma vez – com Buemi, em Miami – terminaram uma corrida fora da zona de pontuação. Para essa conta, obviamente, exclui-se as vezes em que abandonaram. Então, qualquer um que fosse o líder, faria os outros concorrentes não contarem muito com a sorte.
 
Especificamente Nelsinho deixa a dupla de botuca na ponta de alerta total. A última vez que terminou uma prova fora do top-5 foi em Pequim. Na prova seguinte, em Putrajaya, acabou atrapalhado por Jarno Trulli quando se movia ao terceiro posto. 
O pódio em Moscou (Foto: AP)
Desta feita, é importante que Di Grassi e Buemi saibam que podem fazer tudo certo em Londres e mesmo assim a conta não fechar em seu favor. O brasileiro está 17 pontos atrás; o suíço está a 23 tentos. Não é uma coisa simples.
Há uma série de televisão famosa, aclamada pela crítica na última década, chamada 'Friday Night Lights', sobre um treinador de um time de futebol americano colegial nos Estados Unidos. O bordão entoado pelo treinador fictício ficou muito famoso e se aplica a essa situação. "Visão clara e coração completo não podem perder", algo assim. Para Di Grassi e Buemi, o espírito precisa ser esse. Após uma temporada excelente, se pilotarem no melhor nível e ainda sim perderem, não foram exatamente derrotados. Não no âmago do significado.
 
Talvez seja romântico demais ou mais ingênuo do que deveria tratar nestes termos um campeonato em nível mundial onde corre tanto dinheiro e tanta comercialização no mundo inteiro, mas não deveria ser neste momento. Tanto Buemi quanto Di Grassi tiveram problemas de confiabilidade com os quais Piquet não contou durante o ano. Sobre Di Grassi, pesa ainda o fato da desclassificação em Berlim que custou 25 pontos. Há muito pouco por se repreender da temporada dos dois. Muito, muito pouco.

Já para Nelsinho, as coisas são um pouco diferentes. É fato que sua temporada é impressionante. A equipe China era claramente mais fraca que Audi ABT e e.dams ao início da campanha – e levando em conta que o segundo carro do time marcou pontos em apenas uma das provas, talvez ainda seja -, e Piquet trabalhou como um alpinista para fazer o que conseguiu. Nas últimas sete corridas foram duas vitórias, cinco pódios e sete top-5. Mas a vantagem que carrega para Londres não pode passar despercebida sob qualquer ótica.
 
Caso caia em situações de corrida, a decepção será imensa. O ônus de chegar ao final com uma vantagem assim é que você é o único que tem muito a perder. Piquet, sim, sairá derrotado se terminar Londres sem o caneco. 
 
Matematicamente, Nicolas Prost, Jérôme D'Ambrosio têm chances de título. Mas a 46, 51 e 60, respectivamente, de distância, precisam de situação completamente anormais – para não dizer bizarras – para saírem do Parque Battersea com o título. 
O caminho de Piquet, Di Grassi e Buemi na briga pelo título da F-E

A pista
 
Os 2,9 km e 17 curvas são diferentes dos outros que a F-E encontrou durante o ano. Retas longas e curvas lentas, misturadas às rápidas, chicanes estreitas e ondulações fortes dão o tom. O pouco espaço deve tornar as ultrapassagens bem complicadas e potencializar a importância da classificação. A paisagem é verde e ao lado do Rio Tâmisa. Ao menos promete ser um lar digno a uma temporada tão empolgante que apresentou sete vencedores em nove provas, até aqui.
 
Estreias
 
Não perca as contas. Mais quatro pilotos debutam nesta rodada final. Na Andretti, o rodízio continua. Após Justin Wilson ser a dupla de Jean-Éric Vergne na corrida em Moscou, Simona de Silvestro vai à pista agora. Na Virgin, por um problema de saúde de Jaime Alguersuari – que desmaiou na Rússia – Fabio Leimer assume. As rédeas da Amlin Aguri ficam nas mãos de Sakon Yamamoto, substituindo António Félix da Costa, em missão com o DTM. Por fim, Oliver Turvey entra na vaga de Antonio García ao lado de Piquet na China.

Prognóstico do GRANDE PRÊMIO:

Piquet campeão no domingo.

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