Retrospectiva 2021: De Vries pontua pouco, mas coloca Mercedes no topo da Fórmula E

No que foi a temporada mais apertada num campeonato que se especializou em disputas assim, Nyck de Vries foi que levou a melhor em 2021

A última volta do GP de Abu Dhabi (Vídeo: TSN)

Ninguém sabia ao certo como seria a Fórmula E na temporada que manteve o formato de ser batizada como bianual, 2020/21, mas foi disputada inteiramente em 2021. Com as dúvidas que emergiram em 2020 e com a pandemia ainda uma realidade, era prudente saber se a categoria conseguiria manter um senso de normalidade. Entre trancos e barrancos, aconteceu: na pista, com pontuação inacreditavelmente encavalada, Nyck de Vries que acertou com o passo seguinte da carreira após ser campeão da Fórmula 2 e conquistou o caneco mesmo sem fazer um ano especial.

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O calendário foi concluído. Se o eP de Ad Diriyah, na Arábia Saudita, teve de passar de novembro de 2020 para fevereiro de 2021 e as corridas de Sanya (China), Paris, Santiago e Seul foram canceladas, soluções saíram e boas notícias apareceram. As ruas de Roma sediaram rodada dupla no retorno após dois anos, Mônaco recebeu os carros no circuito da F1, Valência surgiu como um tapa-buraco, ainda que numa pista fechada, e Londres reestreou na categoria. Além disso, a corrida mexicana saiu da capital para a cidade de Puebla.

No fim das contas, o campeonato teve 15 corridas entre 26 de fevereiro e 15 de agosto. Um feito, levando em consideração que o desejo da categoria é apenas correr em pistas de rua – Valência foi a única exceção – e a reação à chegada da pandemia em 2020. Todas as corridas restantes foram canceladas, exceto a de Berlim, realizada no fechado aeroporto de Tempelhof. Lá, então, virou salvação: seis corridas em três desenhos diferentes de pista ao longo de uma semana e um dia. Isso mesmo, para os que esqueceram: seis corridas em oito dias depois de cinco meses sem nada. Foi o jeito de encerrar o ano, pois. Assim, ter temporada cheia no ano seguinte foi significativo.

O mundo inteiro já sabia que se tratava dos últimos campeonatos de Audi e BMW como equipes oficiais na categoria. As duas vinha de temporadas decepcionantes em 2020 e tinha a última chance de brilhar. A Mercedes despontara no fim do ano anterior e contava com as reforçadas rivais Porsche e Jaguar, que mantiveram seus melhores pilotos do ano anterior e somaram Pascal Wehrlein e Sam Bird, respectivamente. A campeã vigente DS Techeetah manteve a dupla de donos de troféu formada por António Félix da Costa e Jean-Éric Vergne.

A Mercedes foi a campeã da Fórmula E 2021, com pilotagem de Nyck de Vries (Foto: Formula E)

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Vitórias, seca de pontos e pódios: o caminho de De Vries rumo ao título

Logo na abertura, em Diriyah, o tom do que seria o campeonato: De Vries foi pole e ganhou a primeira prova da rodada dupla. Sam Bird levaria a melhor na outra, mas o fim de semana começava a denotar o que seria a temporada de De Vries – que, de maneira mais ampla, era também a história do campeonato. De Vries venceu Ad Diryah e a primeira das duas corridas em Valência, quinta corrida do campeonato. Se excluirmos as duas provas que venceu, De Vries marcou somente cinco outros pontos nas primeiras 11 corridas da Fórmula E 2021.

Exatamente isso. De Vries pontuou somente em quatro das primeiras 11 corridas. Mas, como teve duas vitórias, saiu com 60 pontos.

Durante este período, antes das duas últimas rodadas duplas, Bird duas vezes, Vergne, Vandoorne, Jake Dennis, António Félix da Costa, Lucas Di Grassi, Edoardo Mortara e Maximilian Günther ganharam corridas. Mercedes, Jaguar, DS Techeetah, BMW, Audi e Venturi haviam comemorado entre as equipes.

Apesar dos muitos personagens, os pilotos que terminaram fins de semana liderando o campeonato não foram muitos. De Vries ponteava após Diriyah e Valência; Bird, Roma e Nova York; Robin Frijns, apesar de não vencer provas ao longo do ano, deixou Mônaco e Puebla com a vantagem. Em Londres, claro, o campeão De Vries tomou de volta o comando que manteve em Berlim.

Reflexo de um campeonato tão incrivelmente amontado que o campeão marcou 59 pontos a menos que o dono da campanha dourada do ano anterior. Nunca, nem mesmo na era dos campeonatos de 11 corridas, o campeão da Fórmula E marcara menos de 136 tentos (Jean-Éric Vergne, 2018/19). Aquele campeonato teve 13 ePs, dois a menos que o deste 2021. Na realidade, apenas na loucura da temporada de 2020 é que um vice-campeão marcou menos que os 99 pontos de De Vries. E, sim, o esquema de pontos é o mesmo de forma geral: 25 tentos para o vencedor das corridas e um ponto solitário para o décimo colocado, com todos no meio presenteados – além dos três tentos para o pole. A mudança é que o dono da volta mais rápida antes recebia dois pontos contra apenas um atualmente, mas hoje também recebe um ponto o mais veloz da primeira fase da classificação.

DE VRIES É CAMPEÃO DA FÓRMULA E EM DECISÃO AGRADÁVEL PARA TODOS

Retratar a dificuldade de pontuar neste ano não é reprimir a campanha de Nyck de Vries, campeão no segundo ano de Fórmula E logo após conquistar o caneco da Fórmula 2, mas mostrar que é cada vez mais complicado colocar um ombro à frente na categoria dos bólidos elétricos. Em meio às dúvidas sobre a participação das montadoras no futuro, com as despedidas de BMW e Audi e o anúncio da Mercedes de que 2021 será o último ano, é exatamente a Mercedes quem sai por cima com os dois títulos. Mas não é a Mercedes de outro nível da F1, mas uma que marcou 181 pontos contra 177 da Jaguar, 166 da DS Techeetah, 165 de Audi e Virgin, 157 da BMW – que segue a existir como Andretti, apenas. Um campeonato encavalado.

As decisões da pandemia, fazendo as equipes escolherem se estrariam com um trem de força novo para 2021 e ficariam com ele congelado por 2022 ou se fariam o inverso, andar 2021 com um trem de força velho e entrar com um novo em 2022 também têm sua influência prometida para o 2022 que vem. É uma verdade que a maioria dos times já fez a mudança antes ou durante o campeonato de 2021. É improvável que alguém entre em disparada na temporada que se aproxima.

Ainda no fim da temporada, mantido na disputa do caneco pelas duas vitórias e pelos poucos pontos dos rivais, De Vries se salvou em Londres. Quando chegou à capital inglesa e sua ExCel Arena, marcara dois pontos nas seis corridas anteriores, só isso. Mas conquistou dois segundos lugares na rodada dupla e ascendeu à dianteira. Faltava apenas Berlim, onde não marcou pontos na primeira prova. Um oitavo lugar e os quatro pontos que vieram juntos bastaram para confirmar a conquista.

“Foi uma temporada tão difícil, com altos e baixos, todo mundo mais ou menos no mesmo barco e tudo veio para ser resolvido na última corrida. Em algum momento, soube que estava tudo bem. É, conseguimos. Agora está começando a cair a ficha”, disse o campeão.

A conquista também ajudou De Vries, senão a abrir, ao menos a renovar as portas que se apresentam a ele. Surgiu como candidato real à vaga da Alfa Romeo da Fórmula 1, mas ali faltou potência financeira – a Williams também chegou a ser comentada como possível destino. A Indy também olha com carinho, com teste marcado para Sebring e entrada no radar da Meyer Shank. A carreira de De Vries segue na Fórmula E por enquanto, mas o holandês poderá fazer o que quiser no futuro próximo.

Assim, a Fórmula E deixa mais um ano. A sétima temporada foi menos glamorosa e teve um gosto diferente: as fábricas estão saindo em vez de chegando, como nos primeiros seis anos. Mas não é a receita do fim, porque as categorias devem evitar mesmo que se tornem reféns dos caprichos das fábricas. É apenas a certeza de que o período como queridinha da indústria ficou para trás. Agora é hora de crescer e se tornar um campeonato à prova de tudo. A fase seguinte para a FE é a fase adulta. E 2022 é o começo de uma nova vida.

COMO SAÍDA DA AUDI DEIXA VAZIO NO GRID DA FÓRMULA E
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