FE

Temporada tem resultados democratizados, mas mostra confusão entre qualidade e zona

O fim de qualquer temporada faz necessário que haja reflexões sobre o que foi visto durante o ano. Na jornada 2018/19, a da revolução cantada, as vitórias e sucessos foram divididos de forma promissora, mas a qualidade de boa parte das corridas mostrou que o caminho ainda está longe do ideal

Grande Prêmio / PEDRO HENRIQUE MARUM, do Rio de Janeiro
Corrida: E-Prix de Nova York (Corrida 2)
Pista: Broolyn Street Circuit
Extensão: 2.320 km, 14 curvas
Pilotos inscritos: 22 
Pneus: Michelin Pilot Sport all-weather
Vencedor: Robin Frijns
Pódio: Alexander Sims e Sébastien Buemi
Brasileiros: Felipe Massa 16º e Lucas Di Grassi abandonou
Palavra do vencedor: "A última vez que eu marquei pontos tinha sido na vitória em Paris. Depois disso, quatro corridas sem pontos. Saí da briga pelo campeonato, tivemos muitos problemas e fico contente de ter encerrado isso e dar uma vitória para a equipe, eles trabalham duro. Tivemos muitos problemas nas últimas quatro corridas, o time e eu estávamos para baixo, nada dava certo. Queria muito essa vitória. Agora posso ir para casa e me preparar para a próxima temporada."
Momento da corrida: Durante briga por posição na última volta da corrida, Mitch Evans e Lucas Di Grassi colidem e confirmam título de Jean-Éric Vergne.

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É difícil falar de apenas um traço da disputa no último dia do campeonato. A corrida 2 de Nova York, a classificação do campeonato e o arco final da trajetória do bicampeão Jean-Éric Vergne e da DS Techeetah, que conquistou pela primeira vez a disputa das Equipes, já foram exploradas. Além disso está destacado também o feito de Sébastien Buemi, que saiu do sétimo lugar para o vice-campeonato com os resultados do fim de semana. Mas o desfecho pede uma avaliação geral.
 
A temporada começou com grande curiosidade sobre por si por conta dos novos carros, das novas baterias e formato de corrida, agora sem o pit-stop obrigatório para a troca de carros. E, claro, curiosidade sobre o modo ataque. Ao fim do campeonato e sabendo também as definições para o ano que vem, há uma fotografia mais cheia para analisar.

É importante entender os defeitos e os erros. Falar sobre eles não é uma demonstração de implicância ou chatice deliberada do interlocutor, mas da compreensão de quais são as decisões erradas num caminho já definido pelo campeonato. 
A última manhã da temporada (Foto: BMW)
Há a necessidade de falar, por exemplo, sobre o perfil das corridas. A temporada contou com algumas muito boas, como no México, Berlim e Berna e algumas de gosto duvidoso, embora divertidas de algumas formas. Mas diversão varzeana é pouco para quem se propõe a ser grande. Corridas ruins, claro, qualquer categoria terá todos os anos. É da natureza da coisa. Mas a Fórmula E errou a mão na intenção das suas provas ao colocar carros com energia demais e tamanho demais em pistas estreitas. 
 
O 'gosto duvidoso' fica pela estratégia buscada para tornar as corridas divertidas: com caos, pancadas para todos os lados e confusões múltiplas. O modo ataque perdeu força, inclusive, numa realidade em que sempre foi posto contra rivais que contavam com toda a energia - e velocidade, por consequência - disponíveis para disputar. Com velocidade e pouca variação, a única maneira de passar era tocando o adversário. Óbvio que o que aconteceria era tiro, porrada e bomba. Uma opção de gosto duvidoso.
 
Ao mudar a regra para a temporada que vem, tirando energia dos carros cada vez que uma bandeira vermelha ou safety-car se apresentam, a Fórmula E admite que cometeu um erro. A tentativa é pela estratégia, para que em todas as corridas os pilotos tenham que variar entre aumentar e diminuir o ritmo de forma que consigam chegar ao fim das provas. 
 
A energia das baterias acabar tem que ser um medo constante na Fórmula E. Só assim haverá um jogo estratégico tradicional para que as corridas não sejam um bumba-meu-boi de início ao fim. 
 
É compreensível que as pistas sejam criticadas por serem estreitas demais e pelas curvas travadas, mas encontrar uma solução para isso é mais difícil e requer discussões caso a caso com cidades. Não será mudado por enquanto e nem parece prioridade da FE. A tentativa é claramente diminuir os efeitos das pistas estreitas, algo que terá o sucesso decretado nos próximos meses.
Robin Frijns (Foto: Virgin)
Por outro lado, a mudança busca de tecnologia e equipamentos rendeu a democratização dos resultados. Não foi apenas o acaso, claro, também há o conceito aerodinâmico dos carros cuidadosamente pensados para nivelar as equipes. É impressionante para qualquer categoria contar com nove pilotos e oito equipes vencendo corridas num único ano - de 13 corridas.
 
É um acerto inegável buscar o nivelamento, algo que deixa as vitórias e os títulos serem definidos por sutilezas de conceitos, desenvolvimento e talentos de equipes e pilotos. 
 
A igualdade entre as equipes é sem dúvidas o ponto alto do campeonato e precisa ser mantida para os próximos anos, algo sempre mais difícil uma vez que as equipes vão se sentir mais confortáveis com as tecnologias que têm nas mãos e serão desenvolvidas. A ordem natural das coisas aponta que as equipes com mais recursos abrirão distância. 
 
O bom disso é que entre as 12 equipes da próxima temporada, DS, Audi, Jaguar, Nissan, BMW e companhia ainda vão receber as rivalidades de Mercedes e Porsche. Não falta dinheiro ou recurso nesse grupo.
Jean-Éric Vergne beija a taça de campeão da temporada 2018-19 (Foto DS Techeetah)
O campeão Vergne comemorou o título, especialmente depois de gastar uma década nos últimos dois dias. 
 
"Gastei 10 anos da minha vida nesse fim de semana. Foi muito estressante ontem, não andou como planejado, e hoje larguei do meio do pelotão, precisei ser agressivo e tomar alguns riscos", comentou.

"Depois só controlei a situação olhando para Lucas [Di Grassi] e Mitch [Evans]. Os dois bateram no fim, então me deram o título. Tem muita emoção no meu corpo agora, sinto muito orgulho de estar nesse time, eles fizeram um trabalho tremendo nesse ano", afirmou.
Sébastien Buemi (Foto: Nissan)
Buemi relatou um sentimento misto. Positivo pelo vice-campeonato após estar tão atrás na classificação, mas negativo por não ter conseguido evitar que a Nissan fosse ultrapassada pela Virgin na competição das Equipes: apesar do P3 de Buemi, Frijns venceu e Sam Bird foi quarto colocado.
 
"É incrível terminar em segundo no campeonato. Não acredito. Depois do eP de Paris eu era o 13º do campeonato, então terminar em segundo é um resultado incrível. Fico chateado pela minha equipe, que perdeu uma posição no campeonato. É uma pena, teria sido maravilhoso manter o lugar. Tentei ultrapassar Alex [Sims] como dava, mas se fosse mais longe podia bater, então segurei", falou. 
Lucas Di Grassi (Foto: Audi)
Di Grassi optou por um balanço da temporada e pediu um crescimento da Audi que, segundo ele, variou muito o rendimento entre as provas.
 
“Chegamos a Nova York já em uma situação difícil, a diferença era muito grande para o Vergne. Nosso maior problema este ano foi que o desempenho oscilou muito ao longo das etapas. Precisamos solucionar isso para o ano que vem. Este foi o primeiro ano com esta nova geração do carro da Fórmula E e, em um balanço geral, certamente poderíamos ter ido melhor. Mas temos uma boa base para começar a trabalhar para a próxima temporada. Estar entre os três primeiros em todos os campeonatos é um ótimo índice. Vamos mantê-lo no ano que vem”, avaliou.
Robin Frijns (Foto: Virgin)
O vencedor da prova, Frijns, comemorou o retorno das vitórias após quatro provas longe dos pontos.
 
"A última vez que eu marquei pontos tinha sido na vitória em Paris. Depois disso, quatro corridas sem pontos. Saí da briga pelo campeonato, tivemos muitos problemas e fico contente de ter encerrado isso e dar uma vitória para a equipe, eles trabalham duro. Tivemos muitos problemas nas últimas quatro corridas, o time e eu estávamos para baixo, nada dava certo. Queria muito essa vitória. Agora posso ir para casa e me preparar para a próxima temporada", finalizou.

O campeonato se despede. A Fórmula E trabalha longe de temporada nos próximos meses, mas volta nos dias 23 e 24 de novembro.


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