Vergne vê competitividade da Fórmula E como chave para evitar debandada de montadoras

De acordo com a opinião do atual bicampeão da categoria, a Fórmula E chama as montadoras pela competitividade, não apenas por estar popular em dado momento. É o que mantém o interesse e, ao mesmo tempo, a independência

A Fórmula E está na sexta temporada da sua história, é uma organização que consegue se sustentar financeiramente e atraiu a atenção de uma série de grandes fábricas da indústria automotiva internacional – Audi, BMW, Nissan, Porsche, Mercedes, DS Citroën e Jaguar, por exemplo. Mas como seria a resistência num futuro em que as montadoras decidissem sair, algo que já aconteceu em outras competições? Segundo o atual bicampeão, Jean-Éric Vergne, a categoria tem uma proteção evidente: a competitividade.
 
A pergunta leva em conta o crescimento e perda de interesse de montadoras em diferentes categorias internacionais. WEC e WRC, por exemplo, são duas que convivem com altos e baixos. Já o WTCC precisou mudar formato e nome após a saída de fábricas. Vergne aponta uma questão específica da FE: o regulamento, desde a questão orçamentária, com partes padrão para os carros, e o regulamento esportivo mantém uma briga justa entre equipes oficiais e privadas. O interesse na categoria, destaca o francês, é baseado na competitividade e não apenas no fato de que se trata de um campeonato popular naquele momento. 
 
"Acredito que a Fórmula E e a FIA fizeram um trabalho muito bem feito até agora com relação a manter os gastos baixos. Algumas equipes contam com orçamentos enormes, mas não faz com que sejam mais rápidos. A menos que encontrem alguma coisa fora deste mundo, não serão 1s mais rápidos que a gente", disse ao site inglês 'Motorsport.com'.
Jean-Éric Vergne (Foto: DS Techeetah)
"Esse é o problema da F1. Mercedes, Ferrari e Red Bull são mais de 1s mais rápidas que outros equipes. Na Fórmula E, não, todos podem ganhar. [As fábricas] sabem que um fim de semana limpo e com boa preparação pode te levar a uma vitória e que se não ganham o campeonato a culpa não é das regras, é uma demonstração que podiam ter trabalhado melhor, como outros fizeram", seguiu.
 
"Acredito que entendem isso na Fórmula E, e é essa a razão para que todas as fábricas fiquem contentes. Todos podem ganhar corridas", afirmou.
 
Vergne, que entrou na Fórmula E por meio da Andretti – hoje BMW – e passou por uma Virgin que contava com a parceria da DS, foi para a Techeetah no momento em que o time chinês era privado. Desde o ano passado, porém, é a equipe oficial da DS. 
 
Com isso dito, Vergne garante não pensar nas rivais, especialmente nas duas que estão na primeira temporada na Fórmula E.
 
"Diria que não afeta muito. No fim das contas, trata-se de pessoas nos bastidores, o que elas fazem e como trabalhar. E, claro, o que faz com os carros na pista. Realmente não fico pensando em Mercedes e Porsche, só preciso ganhar com o mesmo carro, isso é tudo", finalizou.
 
A Fórmula E segue com o eP de Santiago, no próximo dia 18 de janeiro. 
 

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