“Ninguém esperava”: Felipe Baptista mostra surpresa com ano forte na Porsche Cup

Felipe Baptista faz, em 2019, sua primeira temporada correndo de carros depois de anos de uma carreira gloriosa no kartismo. Piloto da Academia Shell Racing, o jovem de 16 anos vai trilhando os mesmos caminhos do irmão, Vitor Baptista, e brilha na Porsche Carrera Cup como líder da categoria 3.8, com direito a quatro vitórias. Os grandes resultados obtidos ao longo do ano são uma surpresa para o próprio Felipe: “Além da expectativa”

2019 chegou com um quê de desafio para Felipe Baptista. Nos últimos anos, o jovem paulista se destacou com uma carreira brilhante no kartismo, com direito a ser o piloto com mais vitórias dentre todos os membros da Academia Shell Racing. Com uma série de títulos na sua galeria de troféus, como os Brasileiros de Kart nas classes Graduados e Sudam, da Copa de Kart da Granja Viana e bicampeão da Copa SP Light de Kart.
 
Depois de tantas glórias no kart, era chegado o momento de dar o próximo passo. A sempre difícil transição para os carros de corrida começou quando Felipe se inscreveu para a edição 2019 do Porsche Junior Program, processo seletivo da Porsche Carrera Cup que incentiva jovens talentos e banca parte dos custos para a disputa de uma temporada completa. Baptista teve grande performance e garantiu um lugar no grid da classe 3.8 em 2019, conquistando uma bolsa de R$ 280 mil para bancar os custos de parte do campeonato.
 
Assim, Felipe trilhou o mesmo caminho feito pelo irmão. Vitor Baptista iniciou sua trajetória na Porsche Carrera Cup exatamente pelo Junior Program, brilhou e conquistou o título da classe 3.8. Como permaneceu na competição, subindo para a 4.0, Vitor manteve a bolsa concedida aos vencedores do Junior Program e hoje faz bonito na principal categoria do grid. O mais velho dos irmãos Baptista não apenas lidera a temporada 2019 como também assegurou uma vaga no concorrido Shootout, o processo global de seleção que visa escolher o novo nome para integrar o programa de jovens pilotos da montadora alemã a partir de 2020.
Felipe Baptista foi um dos selecionados no Junior Program para 2019 (Foto: Victor Eleutério)
E da mesma forma que fez Vitor — que, diga-se, chegou à Porsche Carrera Cup muito mais experiente com trajetória de sucesso com títulos na F3 Brasil e Euroformula, além de boas passagens na World Series e no Brasileiro de Turismo (hoje, Stock Light) —, Felipe teve um início fulminante de caminhada na categoria. O jovem venceu logo na sua segunda corrida na Porsche Carrera Cup, em Interlagos e triunfou em outras três provas: VeloCittà, Estoril e, novamente, Interlagos. 
 
Felipe pontuou em todas as dez corridas da temporada até agora e lidera a classe 3.8 com 186 tentos. Restando apenas uma etapa para o desfecho do campeonato na Sprint — marcada para 17 de novembro como prévia do GP do Brasil de F1 —, Baptista tem 26 a mais que Enzo Elias, o segundo colocado. Enzo, que é amigo de Felipe, é apontado por ele como um grande impulso para seguir aprendendo e evoluindo a cada dia. 
 
Em entrevista ao GRANDE PRÊMIO, Felipe revela surpresa ao ‘chegar chegando’ à Porsche Cup e andar bem logo de cara. “Essa primeira temporada está sendo além da expectativa. Esperava andar ali na frente, mas não chegar já disputando o campeonato e ir para a última etapa liderando, com quatro vitórias em dez corridas. Então acho que está sendo uma temporada bem completa para mim, também de muito aprendizado. Está sendo muito legal”.
Felipe Baptista fala da chance de aprender e trilhar os passos do irmão (Foto: Porsche Carrera Cup/Arquivo)
Baptista ressalta a importância de ter ao seu lado, nos boxes e em casa, uma grande referência de carreira e na vida: seu irmão.
 
“Correr com o Vitor, dividir o box com ele, está sendo muito legal. Ele está me ajudando muito durante as corridas, durante todo o fim de semana. Às vezes, ele vai para a pista comigo quando tenho as clínicas [de pilotagem] para me ajudar em alguma dúvida que tenho de traçado, algo do tipo. Dá para ver na telemetria, mas quando você vai para a pista é bem melhor”, contou.
 
“Está sendo bem legal, ele está me ajudando muito nessa transição de conseguir disputar num autódromo. No kart é um pouco diferente, e no autódromo, com esses carrões, ele tem conseguido me ensinar bastante. Tem sido um grande aprendizado”, explicou o Baptista mais novo.
 
 
Evolução desde o início
 
O que Baptista mais se surpreende é com a maneira como conseguiu evoluir ao longo da sua primeira temporada correndo de carros, com praticamente todos os aspectos distintos do que estava acostumado nos tempos vitoriosos de kartismo.
Felipe Baptista comemora o título da Copa SP Light de Kart (Foto: Jackson de Souza)
“Ninguém esperava que a temporada pudesse ser tão boa. O que mais gostei, até agora, não só o jeito como comecei o ano, mas a forma como estou evoluindo ao longo do ano. Comecei andando rápido, ganhando corrida, mas ao longo do ano estou conseguindo andar mais rápido, descobrir mais o limite do carro, indo além do que estava lá no começo. Estou feliz, não só com meu desempenho, mas com o tanto que estou evoluindo ao longo da temporada no meu primeiro ano com os carros”, afirmou.
 
Foi quando Felipe ressaltou a chance de disputar o título com o amigo, Enzo Elias. “Um dos maiores desafios está sendo a disputa com o Enzo. Em momento algum foi difícil pegar o jeito de alguma pista, consegui pegar bem todas elas, mesmo em Portugal. Eu e o Enzo conseguimos nos adaptar bem melhor com o carro. O maior desafio está sendo a disputa com ele, lutando muito. É um desafio, mas também um aprendizado. Estamos conseguindo aprender um com o outro”, destacou.
 
 
A transição do kart para os carros
 
São muitas as diferenças que um piloto, acostumado a um referencial e também a sensações diferentes correndo no kart, se depara quando tem de encarar um ambiente de corrida muito diferente. Felipe contou que sentiu dificuldades, o que é habitual, mas com o passar dos meses e com o seu desenvolvimento rápido dentro do carro e às corridas em si na Porsche Carrera Cup, o peso do desafio tornou-se bem mais leve.
 
“Tive muitas conquistas no kart. Mas acho que o que foi mais complicado nesta transição foi, creio que não seja mais, o tamanho do carro, a noção de espaço, o quanto você poderia forçar na disputa, o contato com os outros carros… Achei que teria dificuldade e, no começo, realmente tive um pouco”, admitiu.
A luta pelo título com Enzo Elias foi destacada por Felipe Baptista (Foto: Porsche Carrera Cup/Arquivo)
“Dentro do carro você não tem uma visão tão boa de quem está ali do outro lado. Mas não demorou para me acostumar e acho que consegui, desde a primeira etapa, ver onde ficar [na pista] e, na segunda etapa, já tive uma noção mais exata. Foi o mais difícil. De restante, acho que o kart ensinou bem”, comentou Felipe.
 
O jovem de 16 anos ressalta a importância do trabalho que é feito pela Academia Shell Racing para desenvolvimento da sua carreira, dentro e fora das pistas, e colocou tal fator como um dos mais importantes neste rito de passagem dos kartódromos para os autódromos. Felipe tem a chance de evoluir aproveitando o intercâmbio de conhecimento não apenas com o irmão, mas também com Átila Abreu e Ricardo Zonta, pilotos da Shell V-Power na Stock Car, Dennis Dirani, coach e também piloto da Shell, e o grande amigo de vários anos, Gianluca Petecof.
 
“A Academia está sendo fundamental desde o kart e me ensina muito, não só eles, mas todos os pilotos que fazem parte: como os pilotos da Stock Car, o Gianluca [Petecof], que cresceu comigo no kart, tiramos as dúvidas. E como ele foi mais cedo para os fórmulas, então consigo tirar algumas dúvidas com ele”, disse.
Felipe Baptista representa a Academia Shell Racing (Foto: Porsche Carrera Cup/Arquivo)
“O mesmo vale para os pilotos da Stock, meu irmão… Está sendo bem legal não apenas esse apoio, mas ter as pessoas que fazem parte desse projeto da Shell. A gente consegue aproveitar bem isso. Somos bem unidos, todos nós. E não há medo de trocar informações, há todo o interesse em que a marca cresça. Então há todo o interesse de todos nisso”, complementou.
 
Por fim, ao falar sobre as metas para o futuro, Felipe Baptista não tem dúvidas: quer triunfar na Porsche Carrera Cup, primeiro aqui no Brasil para, quem sabe, trilhar os passos do irmão também fora do Brasil e viver do automobilismo.
 
“O título da Porsche Cup 3.8 é, com certeza, o que quero mesmo para esse ano. Para o ano que vem ainda não sei, vai defender de conquistar esse título. Se ganhar, a tendência é ficar, seguir com o Junior Program e tentar uma vaga no programa global [da Porsche] no ano que vem, tentar uma vaga lá na Europa”, revelou.
 
“A estratégia é seguir em uma categoria de alto nível no Brasil e ver o que acontece mais para o futuro. Hoje em dia, tudo o que mais quero é tentar uma vaga lá, mas também uma categoria como a Stock Car, no Brasil, é sensacional. São os meus maiores objetivos nos dias de hoje”, finalizou Felipe Baptista.

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