Há vezes em que a Fórmula 1 se depara com decisões difíceis e demoradas, vide a investigação do toque entre Charles Leclerc e Max Verstappen em Suzuka. É hora de recordar outros dez lances que fariam bom uso de um árbitro de vídeo

O GP do Japão do último fim de semana teve os comissários como protagonistas. A prova teve diversos lances que exigiram intervenção, essa que nem sempre veio de forma tão simples – ou rápida – quanto o esperado.

Um exemplo claro foi o toque entre Charles Leclerc e Max Verstappen na largada. Primeiro, os comissários determinaram que nenhuma punição era necessária. Depois, voltaram atrás e entenderam que uma investigação era uma boa, mas somente após a prova. Em um processo que mais lembrou a aplicação do árbitro de vídeo no futebol brasileiro, levou horas para Leclerc receber o acréscimo de 15s ao tempo total de prova, caindo de sexto para sétimo.

Inspirado pelo momento trapalhão dos comissários em Suzuka, o GRANDE PREMIUM olha para o passado. O 10+ dessa semana recorda lances da Fórmula 1 que fariam bom uso de um árbitro de vídeo – controversos, com decisões arrastadas e que mesmo tempos depois continuam vistas como erradas por alguns.

Tyrrell, GP de Detroit de 1984

A equipe Tyrrell, que carregava a tradição dos títulos de Jackie Stewart na década de 1970, chegou ao fundo do poço em 1984. Em uma temporada que se desenhava positiva, com pódios e a forte dupla de Martin Brundle e Stefan Bellof, tudo acabou em desastre fora das pistas. Tudo começou em Detroit, quando começaram a surgir suspeitas de que o Tyrrell 012 não cumpria com o regulamento. A alegação era de que o carro tinha bolas de chumbo no tanque de combustível para ficar acima do peso mínimo.

Só quase um mês depois surgiu o veredito: a equipe foi desclassificada dos nove primeiro GPs do ano por conta da infração. Ainda seria possível disputar as provas seguintes durante o período em que a apelação era julgada. Não deu em nada: a punição só se agravou, com os britânicos obrigados a perder as últimas três provas do ano e perdendo todos os patrocinadores no processo.

Ayrton Senna, GP do Japão de 1989

Uma cena das mais icônicas da história da F1. Alain Prost lidera, mas com Ayrton Senna imediatamente atrás. Os dois se tocam na freada, com o francês acusado de fechar a porta e forçar um acidente. Prost abandona enquanto Senna retorna à prova, mas sem contornar a chicane, e sim cortando.

O brasileiro venceu a prova na pista, mas estava claro que algo poderia acontecer nos bastidores. Os comissários optaram por desclassificar o brasileiro, alegando que Senna não cumpriu a distância de prova ao cortar a chicane. O resultado dava o título a Prost, mas ainda poderia mudar – a McLaren apelou para reaver a vitória com Ayrton. Só piorou: além de seguir desclassificado, o futuro tricampeão recebeu multa de 100 mil dólares e, caso voltasse a se envolver em um incidente semelhante nos próximos seis meses, seria suspenso.

Lewis Hamilton, GP da Bélgica de 2008

O britânico lutava pela vitória com Kimi Räikkönen nas voltas finais em Spa. A chuva começava a cair, o que tornava um desafio para os pilotos seguir na pista com pneus de pista seca. Erros e escapadas vieram aos montes, com uma delas fazendo Hamilton cortar a chicane Bus Stop. Hamilton seguiu o que diz o regulamento e deixou Räikkönen voltar à liderança. Só que apenas por poucos segundos: na La Source, curva imediatamente seguinte, Lewis retornou à liderança, que logo se transformaria em vitória.

Os comissários não gostaram. Ficou entendido que Lewis usou a vantagem de cortar a chicane para manter velocidade, que colaborou para ultrapassar Räikkönen logo depois. O que seria uma vitória crucial para o campeonato virou um terceiro lugar após punição de 25 segundos – Felipe Massa herdou o triunfo, enquanto Lewis caiu para terceiro, isso após uma decisão que levou horas para ser consolidada.

Michael Schumacher, GP de Mônaco de 2010

A carreira de Schumacher foi marcada por brilhantismo, mas também por dores de cabeça aos comissários de prova. Um exemplo clássico disso foi o GP de Mônaco de 2010, quando o alemão tentou algo improvável: fazer valer uma ultrapassagem sob safety-car.

Era a última volta de uma corrida que terminaria sob safety-car após acidente entre Jarno Trulli e Karun Chandhok. O carro de segurança, como de costume, recolheu aos boxes antes da Rascasse para que o vencedor Mark Webber fosse de fato o primeiro a receber a bandeira quadriculada. Schumacher aproveitou que tecnicamente não havia mais safety-car para passar Fernando Alonso e tomar o sexto lugar. Foi esperto, mas não valeu. Após a corrida, o alemão recebeu punição e despencou para 12º, fora dos pontos.

BAR, GP de San Marino de 2005

Jenson Button e Takuma Sato tiveram uma boa performance em Ímola em 2005, conseguindo um terceiro e um quinto lugar. Entretanto, um problema surgiu no dia seguinte: os carros da BAR estavam 5kg abaixo do mínimo e foram desclassificados. Isso já seria um problema por si só, mas ainda viria mais.

A BAR explicou para a FIA que o que aconteceu foi uma “anomalia no sistema de combustível”, transformando a quebra de regulamento mais em um incidente do que uma trapaça. Só que uma investigação mais profunda descobriu que, em condições normais, o carro só ficava acima do peso mínimo caso um tanque secundário de combustível estivesse cheio – usando combustível como lastro, em essência, o que é proibido por regulamento. A FIA precisou de quase duas semanas para julgar o que fazer. A punição não foi branda: a equipe ficou suspensa nos GPs da Espanha e de Mônaco.

Romain Grosjean" target="_blank">Romain Grosjean, GP da Bélgica de 2012

A largada do GP da Bélgica é uma das mais icônicas da história recente da F1. Numa manobra estabanada, Grosjean tirou Hamilton, Alonso, Pérez, Maldonado e si mesmo da prova. O francês, que já vinha em um ano de diversos acidentes, virou inimigo público do resto do paddock.

Estava claro que Grosjean merecia alguma punição, mas não se sabia qual. A direção de prova esperou o fim do GP e, após longa deliberação, concluiu que a punição adequada era suspensão por uma prova. A situação foi o embrião do formato atual de pontos de punição, em que um piloto é suspenso automaticamente se somar 12 pontos num espaço de 12 meses.

Max Verstappen, GP do Japão de 2016

Esse é o caso VAR de Schrödinger – foi e não foi ao mesmo tempo. Verstappen estava se defendendo de Hamilton na briga pelo segundo lugar quando, na penúltima volta, Lewis mergulhou para ultrapassar. Max reagiu mudando a trajetória durante a freada. O britânico evitou o toque, mas escapou da pista e precisou se contentar com o terceiro lugar.

O lance não foi investigado por conta dos comissários, e sim por conta de um protesto da Mercedes. O pedido bastava para colocar o resultado do holandês em xeque. Acontece que a própria equipe voltou atrás: apenas uma hora depois surgiu a informação de que os alemães tinham retirado o protesto, mantendo o resultado original da prova.

Valtteri Bottas, GP da Áustria de 2017

Não é só de punições que se faz uma lista de decisões difíceis. Bottas que o diga: em estilo muito parecido com o que aconteceu com Vettel em Suzuka, o finlandês deixou os comissários em dúvidas após uma queima de largada.

O finlandês era pole no GP da Áustria e, ao largar, criou incerteza. As imagens de TV eram inconclusivas a respeito de uma possível queima. Foi necessário uma investigação para concluir que Bottas teve uma reação definida como “inumana”: o finlandês começou a se movimentar apenas 0s2 após o apagar das luzes. Foi aperado, mas não foi queima de largada. Dessa forma, o #77 manteve a liderança que logo se converteria em vitória.

Max Verstappen, GP do Brasil de 2018

O lance de pista não foi o alvo dos comissários, e sim o que aconteceu depois. O GP do Brasil do ano passado ficou marcado pelo toque entre Verstappen e Ocon, com o holandês perdendo a vitória por conta de um retardatário. Max estava furioso após a prova e fez questão de demonstrar isso durante a pesagem dos pilotos com empurrões em Esteban.

A FIA, evidentemente, não gostou do que viu. Como a punição ocorreu por motivos extrapista, Max foi punido da mesma forma. Foram dois dias de serviços comunitários, entendendo melhor o funcionamento interno da federação em um painel anual e no eP de Marrakech.

Max Verstappen, GP da Áustria de 2019

Esse tá fresquinho na memória. Charles Leclerc liderava no Red Bull Ring, mas com Max Verstappen colado atrás nas voltas finais. O holandês tentou a ultrapassagem uma primeira vez, sem sucesso. Na segunda, forçou um pouco mais a barra: os dois bateram rodas, com o monegasco precisando ir para a área de escape. O resultado foi a liderança de Verstappen, que logo viraria vitória – só que sob investigação.

O que se viu depois foi uma investigação que durou mais de três horas. Os comissários ouviram pilotos, Ferrari e Red Bull até concluir que a manobra de Verstappen foi legal, ainda que controversa.

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