A F1 queria responder algumas perguntas na pré-temporada em Barcelona, e de fato conseguiu. Mas ainda falta muito, muito mesmo, para terminar de montar o quebra-cabeças da temporada 2019. Da dianteira à traseira do pelotão, compilamos as grandes interrogações do momento

Os oito dias de pré-temporada em Barcelona representaram a primeira chance para o grid da Fórmula 1 apresentar o trabalho feito ao longo dos meses de inverno europeu. A divisão de forças começa a ganhar uma cara, com a briga pela condição de melhor equipe mostrando vantagem pequena da Ferrari sobre uma Mercedes que talvez ainda não tenha apresentado todas as cartas na manga. E é aí que a análise começa a se complicar: afinal, como fazer avaliações conclusivas de uma época ainda tão misteriosa do ano?

A verdade é que a F1 vai para a Austrália com apenas parte dos mistérios resolvidos. A outra metade segue guardada sob sete chaves: ainda é muito cedo para cravar a real condição de Ferrari e Mercedes, assim como do cada vez mais acirrado pelotão intermediário. Nem mesmo questões mais diretas, como o comportamento dos carros em condições de corrida, parecem próximas de uma explicação.

No embalo da cada vez mais próxima abertura da temporada 2019, o GRANDE PREMIUM compila dez perguntas ainda sem resposta sobre a nova F1.

O novo regulamento facilita ultrapassagens?

De todas as dúvidas, talvez a mais difícil de tentar elucidar antes do GP da Austrália. Kevin Magnussen já veio a público dizer que sentiu grande diferença na hora de seguir outros carros, consequência da aerodinâmica simplificada. Seguindo outros carros mais de perto, teoricamente é mais fácil ultrapassar. O problema é que Nico Hülkenberg, por exemplo, já disse que os carros de 2019 lembram muito os de 2018, principalmente no sentido de as zonas de frenagem serem mínimas – o que não ajuda a ultrapassar.

De um jeito ou de outro, é possível que o GP da Austrália não tenha lá muitas ultrapassagens, como vem acontecendo em anos recentes. Talvez seja o caso de esperar mais algumas semanas antes de realmente ter um veredito final.
(Charles Leclerc e Lewis Hamilton, Ferrari e Mercedes)

Afinal, a Ferrari está mesmo melhor do que a Mercedes?

Quem vê tempos de volta da pré-temporada tem motivos para achar que 2019 começa com um panorama diferente do de 2018. Se a temporada passada terminou com o carro prateado em melhor forma, a nova parece ter o vermelho com alguma vantagem. Isso, claro, se os testes mostrarem a verdade – o que nem sempre acontece.

O motivo para acreditar que a Ferrari está melhor não é necessariamente o tempo de 1min16s221, anotado por Sebastian Vettel. Com pneu C3, o do meio na escala de cinco fornecidos pela Pirelli, a equipe italiana teve o impressionante tempo de 1min16s7 e mostrou força. Mas e se a Mercedes tiver algo extra para Melbourne? E se foi o traçado catalão que ajudou o carro italiano? E se a confiabilidade do SF90 for mesmo um problema? Não vá achando que a história dos testes é a definitiva.
(Sebastian Vettel, Ferrari, Barcelona, F1 2019)

As equipes médias estão mais próximas das gigantes?

Barcelona trouxe algumas impressões claras sobre o desempenho de equipes, como a noção de que a Ferrari tem o melhor carro, enquanto a Williams aparenta ser a pior. Parece um abismo de distância quando explicamos desse jeito, mas será que é tanto assim?

O tempo da pole em Barcelona em 2018 foi 3s5 mais rápido que o melhor da pior equipe. Avancemos e hoje temos o melhor tempo da pré-temporada apenas 1s9 melhor que a melhor marca da pior equipe. O melhor dos medianos, a Renault de Nico Hülkenberg, foi 0s6 pior. Os números empolgam quem quer competitividade, mas é bem possível que as margens aumentem na Austrália, dado o desenvolvimento das equipes de ponta, que ainda nem chegaram ao limite. Mesmo assim, é difícil saber o que a realidade de fato reserva.
(Daniel Ricciardo, Renault, Barcelona, F1 2019)

A Williams consegue ser competitiva?

A pré-temporada se encerrou com a Williams com os piores tempos, e com sobras. George Russell conseguiu 1min18s130, melhor marca da equipe na pré-temporada, mas que foi 0s6 mais lento do que o melhor tempo da Racing Point, adversária mais próxima. Fica ainda o asterisco de que a equipe de Silverstone já prometeu um carro bem diferente para o GP da Austrália.

Com fevereiro já no passado, fica a impressão nítida de que a Williams está em um buraco e é a pior equipe do grid na atualidade. A dúvida é outra: qual é o tamanho desse buraco? Uma coisa é ser o pior carro do grid – afinal, alguém precisa ser –, mas com expectativa de pontuar ocasionalmente. Outra coisa é ser pior a ponto de só fazer número, mais ou menos como já aconteceu em 2018…
(Robert Kubica, Williams, Barcelona, F1 2019)

Leclerc já está ao nível de Vettel?

Muito se falou que Charles Leclerc teria dificuldades em 2019. Não só pela questão de estar em uma equipe muito mais exigente e contra um companheiro muito mais ameaçador do que Marcus Ericsson, mas também pelo fato de precisar se acostumar a um ambiente diferente.

Eis que a pré-temporada chegou e, ao menos até aqui, não há o que criticar no trabalho de Leclerc. O melhor tempo de volta do monegasco foi 0s010 pior que o de Vettel, suficiente para terminar a pré-temporada como terceiro piloto mais rápido. Ainda não sabemos se Sebastian, ou mesmo Charles, já tirou tudo que podia tirar do SF90, mas a impressão inicial certamente deixa a expectativa de uma disputa aberta entre os dois.
(Reprodução/Instagram/@Ferrari)

Renault ou Honda: quem tem o melhor motor?

Conforme a era híbrida da F1 avançou, as quatro fornecedoras de motor se dividiram em dois grupos. Mercedes e Ferrari fazem um trabalho elogiável, enquanto Renault e Honda vivem de tropeços. Acontece que as duas parecem ter acertado a mão em 2019, com clientes somando um número muito digno de voltas e relatando bom desempenho.

Com as duas dando um bom passo ao mesmo tempo, surge a curiosidade de saber quem foi mais longe. A vantagem da Honda na briga particular seria motivos de risos na Red Bull, que passaria a ter na decisão de deixar a Renault um tiro certeiro. A vantagem dos franceses, por sua vez, representa o oposto: vitória de Cyril Abiteboul e companhia, além de um fôlego importante para a escuderia de Enstone.
(Daniil Kvyat, Toro Rosso, Barcelona, F1 2019)

Onde a Red Bull pode chegar?

Essa pergunta tem muito a ver com a última. Nessa década, a Red Bull só passou uma temporada – 2015 – sem vencer corridas. Nada mais normal, portanto, que a expectativa no início da parceria com a Honda seja aparecer no alto do pódio já em 2019. E parece bem possível, talvez tirando proveito de uma corrida em que Mercedes e Ferrari tenham problemas. Mas além disso, o que vem?

A dificuldade de responder a pergunta é ligada ao contraste das duas semanas da Red Bull em Barcelona. A primeira mostrou uma equipe que estava no mesmo nível de Mercedes e Ferrari, enquanto a segunda foi de desempenho menos notável. O que pareceu ser a chance de até sonhar com um título dos mais improváveis talvez esteja se reduzindo a vencer uma vez que outra no ano.
(Max Verstappen, Red Bull, Barcelona, F1 2019)

Até que ponto a McLaren assusta?

Se você se permitir, a McLaren pode muito bem te iludir nessa pré-temporada de 2019. A equipe até mesmo liderou dias de atividades, tirando proveito de voltas próximas do ritmo de classificação com Carlos Sainz Jr. e Lando Norris. Mas e aí, o que é real e o que é ilusão nessa história toda do MCL34?

Bom, qualquer pessoa com a sanidade mental em dia sabe que a McLaren não vai brigar por vitórias. A questão é saber onde, dentro do pelotão intermediário, está o carro alaranjado. É possível que seja o quarto melhor carro do ano, mas parece mais provável que a ânsia por fazer voltas muito rápidas mascarou a ameaça que rivais como Renault e Alfa Romeo representam.
(Carlos Sainz Jr, McLaren, Barcelona, F1 2019)

A Racing Point está em apuros?

2019 chegou com expectativas grandiosas na Racing Point. A troca de donos, agora com Lawrence Stroll disposto a investir pesado, prometia crescimento no pelotão intermediário, quiçá incomodando equipes de ponta. Pode ser que o futuro um dia seja assim, mas os testes em Barcelona mostraram um cenário bem diferente: o de uma escuderia que parece ter dado um passo para trás em relação a 2018.

Seja em tempos ou em voltas, Sergio Pérez e Lance Stroll só não ficaram atrás da Williams. As atividades não foram muito produtivas para uma Racing Point que mal tinha peças sobressalentes. Conforme o pelotão médio melhora, a equipe precisa tirar uma carta da manga para mudar o panorama – talvez o carro atualizado prometido para a Austrália represente exatamente isso.
(Sergio Perez, Racing Point, Barcelona, F1 2019)

A confiabilidade chegou ao auge?

Após alguns anos de dificuldades, parece que as equipes da F1 finalmente entenderam melhor como extrair rendimento do V6 Turbo sem sofrer quebras mecânicas o tempo todo. A pré-temporada foi ótima nesse sentido: a Mercedes, melhor no quesito, deu 1184 voltas em Barcelona. Somando cada equipe, são 8807 giros em Montmeló. As bandeiras vermelhas, antes frequentes, passaram a acontecer com alguma raridade.

Parece provável que 2019 seja o ano com menor número de quebras na história recente da F1. Mas ainda é muito cedo para tentar adivinhar quanto menos. Teremos uma mudança sutil ou chegaremos ao ponto de os GPs perderam um fator de imprevisibilidade – o risco de problema mecânico. Melbourne provavelmente já vai trazer um bom panorama sobre tal aspecto
(Valtteri Bottas, Mercedes, Barcelona, F1 2019)

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