A temporada da F-E começou em Hong Kong com zebras soltas, uma ordem de forças embaralhadas e uma mudança da categoria que fez a estratégia ser diferente. Deu para tirar algumas observações da abertura da terceira temporada

1 – Estratégia: do grego, Estrategía

O novo modo de uso de energia permitido para essa terceira temporada da F-E tinha por objetivo aumentar a importância do jogo estratégico no campeonato. Demorou uma corrida para ficar claro que deu certo. Tudo bem que o safety-car causado pela batida de José María López foi decisivo para que a janela de pit-stops se alongasse, mas a forma como os pilotos apostaram alto daí em diante foi algo inédito na F-E. 

Como o resultado mostrou, teve vantagem quem escolheu parar logo e administrar mais da metade da prova com o segundo carro. Sem o novo modo do motor, nenhuma chance de Di Grassi passar quase 30 voltas de 45 com o segundo monoposto da Audi ABT.

A Renault e.dams comemorou com Buemi (Sébastien Buemi (Foto: F-E))

2 – Maurizio Arrivabene, chefe da Ferrari e estrategista da China

Lógico que Arrivabene não entrou na F-E por trás dos panos, mas a China tomou decisões tão grotescas no timing das paradas dos boxes que parecia a Ferrari de 2016 na F1. E, OK, a Virgin se deu mal com a decisão de esperar quase mais de 25 voltas para chamar Bird, mas pelo menos houve uma aposta que se compreende: de que teria energia de sobra para atacar o pessoal que parara muito antes e se arrastaria na pista – talvez até não teria energia de ir até o fim. O erro de não entrar na volta anterior ao 1% de bateria parece uma falha conjunta do piloto, então se distingue. 

Mas a China não chamou Nelsinho Piquet, então terceiro colocado na prova, rápido o bastante para ficar com os ponteiros ou depois o bastante para ar a chance de atacar. Apenas esperaram o safety-car sair. Piquet perdeu o contato com os primeiros e ficou sem energia o suficiente para esbanjar. E Nelsinho sempre foi uma força na questão de poupar energia. Enfim, compreensível. Acabou tirando chances de pódio.

Sério, gente? (Piquet em Hong Kong (Foto: F-E))

3 – Cilada, Bino

Se você não viu a classificação e a corrida e acredita que a dobradinha Buemi e Di Grassi mostra a mesma ordem de forças de sempre, bem, adivinhe de novo, como diria Hillary Banks. O eP de Hong Kong foi decidido na estratégia e nas nuances das equipes mais avançadas em termos de operação, mas de maneira nenhuma apontou Renault e.dams e Audi ABT disparadas.

Mas, olha, o ritmo de classificação da China NextEV foi assustador. Na corrida, mesmo antes de Piquet ser atrapalhado por López, era diferente, mas é um belo ponto de partida. E a Virgin DS, não fosse a corrida terrível de Pechito e os erros com Sam Bird, tinha ritmo para ganhar a corrida. Então, cito minha avó: calma no Brasil. Esse campeonato tem tudo para ser bem divertido.

Di Grassi fez mágica em Hong Kong (Lucas Di Grassi (Foto: F-E))

4 – Quem diria?

O mundo inteiro começou a temporada esperando que a China NextEV voltasse a andar no fim do grid depois do desastre completo que foi o ano passado. E nada indicou, fosse na pré-temporada ou no começo do dia, que a equipe tinha capacidade de mostrar força. 

Mas, ei, é por isso que se jogam os jogos.

Piquet, sobretudo, e Turvey passearam nos rivais no treino de classificação, seguidos de uma Virgin DS que ninguém duvidava que seria forte. A dobradinha na ponta da tabela pode significar muitas coisas, mas certamente coloca o time num patamar diferente. O passo de brigar pelas vitórias só vai vir se abandonarem o que aprenderam com o livro 'Motorsport Strategies for Dummies'.

Apesar de tudo, ainda deu Buemi (A foto da vitória da Renault (Foto: F-E))

5 – Zebra maldita

Sério, em um ano dá para fazer muita coisa. Muita coisa mesmo. E foi um ano atrás que a F-E anunciou o traçado do eP de Hong Kong. Pouco depois, a FIA deu o OK depois de analisar com calma. E mesmo assim, com todo esse tempo para planejar, o que saiu foi uma lixeira pegando fogo.

Não me entendam errado, a pista até é divertida. O traçado não precisa mudar, mas a situação com a substituição das zebras foi constrangedora. A curva estava causando problemas nos treinos livres com a zebra impulsionando os carros direto para a barreira de proteção da frente. Então, a equipe técnica da FIA resolveu mudar e trocou a zebra antes da classificação.

Primeiro, troca a zebra mudou a curva. Não se muda uma curva crucial como essa antes do treino de classificação. A justificativa foi que a zebra anterior estava solta. Depois, pelo tempo gasto na reconstrução da barreira de proteção após as batidas de Lucas Di Grassi e Robin Frijns, o cancelamento da superpole. As equipes também não gostaram de não terem sido sequer consultadas sobre as decisões. Até aqui, sempre que foi necessário fazer uma mudança no traçado ou tomar uma decisão importante durante um fim de semana de F-E, as equipes tiveram voz. Numa tacada só, pilotos e equipes saíram insatisfeitos com o que foi feito.

Bom trabalho, pessoal! Que nunca se repita. E consertem Hong Kong para o ano que vem.

Temporada começou muito divertida em Hong Kong (A confusão da largada em Hong Kong (Foto: F-E))

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