Lucas Di Grassi provou que o mundo estava errado ao bancar Sébastien Buemi e a e.dams como únicos candidatos ao título da F-E. É o líder em uma temporada fenomenal e, mesmo que acabe ficando para trás, terá feito uma temporada assombrosa

google_ad_client = “ca-pub-6830925722933424”;
google_ad_slot = “2258117790”;
google_ad_width = 300;
google_ad_height = 600;
//pagead2.googlesyndication.com/pagead/show_ads.js

Eis que sete corridas depois, a F-E está onde ninguém imaginava. Ou onde muito pouca gente, quase nenhuma gente, imaginava. Lucas Di Grassi não é só o líder, mas passa a ser olhado pela primeira vez como o favorito a ser campeão. Mas como foi que erramos tanto, todo mundo que projetou um título certo para Sébastien Buemi? Bom, seja lá a conclusão, um ponto jamais pode ser perdido de vista: Lucas está guiando como nunca antes.

Não apenas na F-E, aliás. A temporada do WEC começou dois finais de semana atrás com as 6 Horas de Silverstone. No sábado do treino classificatório, foi de Di Grassi a volta mais rápida. Como funciona num sistema de média entre os pilotos, não largou na frente. Mas a Audi, com outro trio, ganhou a corrida. Para ser desclassificado horas depois, uma situação que o piloto tem conhecido bem. Mas o novo R18 e-tron quattro mostrou que é forte e que Lucas terá, ao lado de Loïc Duval e Oliver Jarvis, chances de brigar com as Porsche pelo título mundial.

Como isso influi na F-E? Talvez em nada. Di Grassi não precisa do ‘momentum’ para crescer na primeira categoria de carros elétricos do mundo a ser chancelada pela FIA. O que ele tem feito nesta temporada para chegar em abril – e lembremos que no calendário da F-E, final de abril é final de setembro – na condição em que está é assombroso. O piloto manteve a filosofia que pregou desde o início do campeonato, quando dizia que tinha um carro muito aquém ao da e.dams – e não era uma crítica sobre a Audi ABT, longe disso. A ideia era marcar o maior número de pontos possíveis em cada etapa, pegar o que lhe era oferecido e contar com alguma coisa a mais. Esse trabalho funcionou à perfeição.

Enquanto Buemi tinha de lidar com todo o favoritismo da e.dams – assim como Nicolas Prost -, o resto do grid tinha que ver o que dava para fazer. Logo ficou claro que o filho do tetracampeão da F1 não teria condições de acompanhar. Buemi, então, velejaria sozinho. Abriu a temporada fazendo o ‘hat-trick’ pela primeira vez na história da F-E: no Parque Olímpico de Pequim, fez a pole-position, venceu a corrida e ainda ficou com a volta mais rápida. Era a confirmação do que todo mundo esperava. Era a confirmação do ditado popular inglês ‘you get what you pay for – você consegue o que pagou’. Simplesmente que o dinheiro e conhecimento técnico e esportivo da Renault iriam fazer com que as rivais ficassem babando.

Di Grassi venceu no lindo cenário de Paris (Lucas Di Grassi)

 

 

 

Só aqui no GRANDE PRÊMIO você tem os treinos, a classificação e a corrida feitos minuto a minuto, com interação das redes sociais e novidades.

Começa nesta sexta-feira, às 3h (de Brasília). Vem com a gente. #F1noGP

google_ad_client = “ca-pub-6830925722933424”;
google_ad_slot = “5708856992”;
google_ad_width = 336;
google_ad_height = 280;

Outro ponto de avaliação claro era que os trens de força feitos pelas equipes eram congelados. Desta forma, não poderia sofrer alterações em termos de desempenho. As equipes, no final das contas, teriam que passar a temporada vivendo com suas escolhas. Não havia no horizonte algo que sequer indicasse a possibilidade de Buemi não fugir com a disputa. No GRANDE PRÊMIO, eu mesmo afirmei que Buemi seria o Lewis Hamilton da F-E. A ironia não é pouca ao notar que nem Hamilton tem sido o Hamilton da F1.

Mas a realidade, embora que ainda eclipsada pela ilusão do insucesso circunstancial, começou a aparecer em Putrajaya. Buemi largou na frente e tudo parecia normal, até que os softwares da e.dams começaram a travar, o carro morreu e a primeira chance de roubar pontos estava posta para Lucas. Ele, claro, não perdeu. Passou à liderança da perna asiática, mas uma frente que não parecia real ainda. Buemi voltou a ganhar no Uruguai, mas Di Grassi seguiu coladinho ao segundo lugar. Conquistava, até aí, 100% dos pontos que lhe eram oferecidos.
(Lucas Di Grassi)

google_ad_client = “ca-pub-6830925722933424”;
google_ad_slot = “2258117790”;
google_ad_width = 300;
google_ad_height = 600;
//pagead2.googlesyndication.com/pagead/show_ads.js

O rival se enrolava nas classificações – de tal maneira que, em Buenos Aires, a até então fraca Virgin fez a pole com Sam Bird. ‘Mad Bird’ Sam soube vencer a corrida, mas lá estavam Buemi em segundo e Di Grassi atrás. A diferença era de apenas quatro pontos pró-suíço. Até que chegou o México para enrolar o campeonato.

Lá, Di Grassi se aproveitou de um erro de Buemi na superpole e saiu duas posições na frente. Mandou na corrida, tomou a ponta e venceu sem sobressaltos. Era líder, enfim colocando uma pulga atrás da orelha de todo mundo. Só que durou algumas horas, até um erro grotesco ser detectado: o primeiro carro de Lucas havia sido deixado abaixo do peso mínimo. Embora pouca influência na corrida em si, foi desclassificado e viu Sébastien somar 18 pontos. Novamente, o martelo bateu: Di Grassi, agora 22 pontos atrás, estava fora da briga pelo título. Fora de novo. Enfim, Buemi havia fugido com o título da forma como o campeonato fora escrito.

Só que há uma coisa intangível aos esportes, todos eles. São mais estranhos que a ficção. Para que a história se igualasse à narrativa traçada anteriormente, talvez toda a crítica tenha sido talhada à imagem e perfeição da expectativa. Não é assim que funciona. 

google_ad_client = “ca-pub-6830925722933424”;
google_ad_slot = “5708856992”;
google_ad_width = 336;
google_ad_height = 280;
//pagead2.googlesyndication.com/pagead/show_ads.js

Enquanto discutia-se os erros de Buemi que o separavam da vitória, perdeu-se a distância que a e.dams deixou de ter para as rivais. Demorou para que alguém tocasse no assunto, mas o time francês se vê às voltas com problemas eletrônicos e de freios. Na verdade, o primeiro a falar foi o próprio Buemi ao pedir que a equipe desmontasse e analisasse o carro completamente antes de Paris. O trem de força, o único motor elétrico, o câmbio ainda são os melhores, mas os problemas de confiabilidade andam restringindo a equipe da Alain Prost.

E Lucas, implacável, continuou pescando todos os pontos que mordiam a isca. O rebote da eliminação no Hermanos Rodríguez é algo lindo: duas vitórias indiscutíveis em Long Beach e na belíssima pista de Paris. Buemi abandonou uma e foi terceiro na outra. Em Paris, casa da e.dams, o carro de Buemi simplesmente não tinha ritmo de classificação. Tinha na corrida, é verdade, mas, culpa do frio ou não, a distância no grid em uma pista com tão poucos pontos de ultrapassagem cobrou seu preço. É complicado cravar se a Audi ABT era mais rápida que a e.dams. Daniel Abt, bem como Nicolas, não é parâmetro ao companheiro – e Di Grassi disparou na frente no começo para passar o resto do tempo negociando a vitória. Mas o carro francês era mais forte que os da Virgin pelo menos. E não passou até Bird errar.

Di Grassi lidera a F-E por 11 pontos, se vê em boa chance de brigar no WEC e cada vez mais se confirma como um dos mais cerebrais pilotos de sua geração. A inteligência está evidente quando ele para falar sobre automobilismo, está na capacidade assombrosa de acertar carros e nas estratégias quase sempre certeiras. Aliás, isso é algo que é subestimado. Qual foi a última vez que você, leitor, viu Di Grassi atrapalhado por uma estratégia de corrida? Tem mão dele nisso.

É muito difícil escalar pilotos brasileiros dos últimos 20 anos, todos os pós-Senna. A maioria nunca dividiu um grid ou as condições, portanto é tudo nas nuvens. Felipe Massa quase foi campeão mundial da F1; Rubens Barrichello colocou uma carreira impressionante; Gil de Ferran foi campeão da Indy e venceu as 500 Milhas de Indianápolis duas vezes; Tony Kanaan foi campeão e venceu em Indy; Helio Castroneves tem três Indy 500; Cristiano da Matta tinha um talento incrível e acabou vítima de um acidente nefasto; Christian Fittipaldi andou de tudo e foi campeão do endurance norte-americano. O Brasil teve bons pilotos nestes últimos 20 anos. Opinião própria? Escolheria Massa, de Ferran e Barrichello, nesta ordem, como os três melhores.

Se pudesse escolher na atualidade, dividiria. Começando uma equipe, escolheria Di Grassi; fosse chamado para selecionar o piloto mais rápido para guiar um carro de ponta, Nelsinho Piquet. Mas isso sou eu.

Fato é que Lucas vai para as últimas quatro corridas do ano – ou três, dependendo de Moscou – atrás de um título que precisa ser lembrado o bastante no futuro. Di Grassi pode escrever uma página enorme de seu legado neste ano, algo que o mude completamente de patamar internacionalmente. Algo que o faça ser lembrado como um dos grandes de sua geração. Hoje, é justo que ele tenha essa chance. Guia como poucos.

 

 

//api.pontamedia.net/survey.php?p=YToyOntzOjE6ImsiO3M6NDA6ImE2MTlhYjZmMjUwN2FlNzUzNGUzNjgwM2RlYjg1NDQxZmM2NzdmMjciO3M6NjoicG9sbElkIjtpOjEyNjU7fQ==&lang=pt

Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Escanteio SP.

SÃO PAULO E-PRIX 2023:
SINTA A ENERGIA DA FÓRMULA E

25 de março de 2023 CLIQUE NO LINK ABAIXO PARA ACESSAR O SITE OFICIAL DE VENDAS E ATIVAR O SEU BENEFÍCIO EXCLUSIVO COM O CÓDIGO SAOPAULOVIP. Comprar Ingresso com desconto

GOSTA DO CONTEÚDO DO GRANDE PRÊMIO?

Você que acompanha nosso trabalho sabe que temos uma equipe grande que produz conteúdo diário e pensa em inovações constantemente. Mesmo durante os tempos de pandemia, nossa preocupação era levar a você atrações novas. Foi assim que criamos uma série de programas em vídeo, ao vivo e inéditos, para se juntar a notícias em primeira-mão, reportagens especiais, seções exclusivas, análises e comentários de especialistas.

Nosso jornalismo sempre foi independente. E precisamos do seu apoio para seguirmos em frente e oferecer o que temos de melhor: nossa credibilidade e qualidade. Seja qual o valor, tenha certeza: é muito importante. Nós retribuímos com benefícios e experiências exclusivas.

Assim, faça parte do GP: você pode apoiar sendo assinante ou tornar-se membro da GPTV, nosso canal no YouTube

Saiba como ajudar