Por um momento, a disputa do título ficou de lado no GP do Brasil – e, em seguida, trouxe mais uma amostra do futuro no desempenho de Verstappen

 

Talvez os mais jovens não saibam ou os mais velhos não se lembrem, mas existiu uma época na qual  a diversão era tentar adivinhar as capas dos jornais no dia seguinte. Qual seria a manchete e a foto para ilustrar o grande acontecimento – muitas vezes esportivo – do mundo no dia anterior? Não que as capas históricas tenham deixado de existir, elas ainda estão lá. Só que os jornais perderam importância, enquanto a internet e a sua rapidez tornam quase inócua qualquer brincadeira do tipo.

Não importa. Nesta segunda-feira (14), o dia seguinte ao GP do Brasil de F1 de 2016, aposto que os grandes jornais ingleses estampam a foto da comemoração de Lewis Hamilton em Interlagos. No resto do mundo, a maior imagem não é a da disputa do título, mas, sim, a do choro de Felipe Massa.

A verdade é que a corrida já era do brasileiro antes dela começar. Quem sabe porque, ao anunciar a aposentadoria com tanta antecedência, Massa teve tempo de planejar a despedida e de receber todas as homenagens; por ter dado a sorte de ter a penúltima corrida em casa, amplificando toda essa reverência; e por deixar a F1 talvez não no melhor de sua forma, mas sem fazer feio e por uma equipe importante. Mas, mais do que tudo, estamos falando de Felipe Massa, um dos pilotos mais queridos de toda a F1.

Diversos outros pilotos, por razões diferentes, não puderam contar com uma despedida tão emocionante.

Homenagem até no carro

Na pista, infelizmente, o desempenho não acompanhou. Na classificação, o piloto do carro #19 não conseguiu passar do Q2. “O pneu dianteiro não funcionou direito”, disse o piloto à rádio Bandeirantes logo depois. Ele ficou em 13º no grid, mas era difícil imaginar ir muito além. O companheiro Valtteri Bottas foi apenas um décimo de segundo melhor, ficando em 11º.

No domingo, em meio a tantas homenagens, havia uma corrida. Com a chuva que caiu sem trégua durante todo o dia em São Paulo, a largada foi adiada em dez minutos. Ao menos uma boa notícia para o brasileiro: Romain Grosjean, da Haas, derrapou e encontrou o muro antes da formação do grid, no período no qual a pista ficar aberta para os pilotos, pré-GP.

Se, antes da prova, o brasileiro dizia torcer pela chuva, para ver se ela misturava um pouco as coisas e lhe dava uma chance melhor, não foi isso que aconteceu com a corrida valendo. Começando com um erro do próprio piloto, que ultrapassou Esteban Gutiérrez, também da Haas, logo quando o safety-car deixou a pista – só que o fez antes da linha que demarca que a disputa está “valendo” após a saída do carro de segurança. Acabou, tempos depois, sofrendo uma penalização de cinco segundos.

Mesmo com a chuva ainda caindo, a pista parecia melhorar – tornando possível o uso de pneus intermediários. Massa foi um daqueles que fez a troca, parando junto com Bottas, e caindo de 10º para 19º. O brasileiro voltou (quase literalmente) a remar, alcançando o 16º posto na 20ª volta, mesmo giro no qual a direção de prova decretou bandeira vermelha e interrompeu o GP, tudo por causa da batida de Kimi Räikkönen em plena reta. 

Bandeira vermelha, hora de tirar o carro da pista

Carros de volta aos boxes, esperando melhores condições de pista. Felipe, porém, não aparentava a tensão de fazer o GP do Brasil da despedida. Aproveitou o tempo para ir ao banheiro, comer uma barra de cereal e relaxar. Às 15h21, finalmente, os carros voltaram para a pista – agora todos com pneus de chuva intensa, inclusive Massa –, mais uma vez atrás do safety-car. No entanto, São Pedro não queria colaborar. A chuva ficou ainda pior, e a direção de prova resolveu convocar outra bandeira vermelha.

Às 16h01 os bólidos voltaram ao circuito, dando mais cinco voltas atrás do safety-car e finalmente sendo liberados para correr no 31º giro. Com o tempo imprevisível em Interlagos, o brasileiro e a Williams resolveram arriscar novamente. Massa parou logo após a bandeira verde, colocando mais uma vez os pneus intermediários e finalmente cumprindo a punição de cinco segundos. Voltou para a corrida em 18º.

A partir dali, o #19 passou a acelerar o máximo possível. Se por um lado Felipe tinha um jogo de pneus que lhe proporcionava um melhor desempenho, por outro as ranhuras de seu Pirelli eram pouco para dispersar a água que se acumulava em diversos pontos do autódromo. Era verdadeiramente um jogo de gato e rato. O “rato”, obviamente, era a velocidade, enquanto o “gato” era o perigo constante de encontrar o muro.

E o gato, eventualmente, chegou. Foi na 47ª volta, quando Massa estava em 13º e escorregou na Curva do Café, batendo no guard-rail. Fim de prova. Fim do 13º (e último) GP do Brasil do piloto.

O conforto da família

Todavia, o destino não queria que esse fim fosse daquele jeito, melancólico. Se, na pista, este foi a pior corrida de Felipe em casa, fora dela a emoção foi enorme. Para começar, a própria batida de Massa provocou um novo safety-car, colocando todas as atenções no piloto local – que, com uma bandeira do Brasil nas costas, caminhava para os boxes de Interlagos e era ovacionado pelo público. Chorando, Massa agradeceu todo o amor da torcida.

Quando chegou aos pits, mais uma demonstração de carinho: os times de Mercedes, Ferrari e Williams estavam fora dos boxes das equipes, aplaudindo e também ovacionando o piloto. No meio do caminho, ele ainda foi recebido pela esposa, Raffaela Massa.

Massa deixou o GP como aquele jogador de futebol que, encerrando a carreira em jogo festivo, é substituído no segundo tempo apenas para receber todos os aplausos e homenagens. Um fim de emocionar o fã de automobilismo com o coração mais frio. Este GP do Brasil de 2016, por vias tortas, se viu transformado no mais belo momento de Felipe Massa em Interlagos – pista na qual ele venceu duas vezes, sendo a segunda, a de 2008, daquela forma que todos nós sabemos.

"Peço desculpas, queria acabar a corrida. Mas tenho que agradecer à torcida pelo respeito", contou o piloto. "Eu estava tentando, mas vai ser um dia inesquecível para a minha vida. Eu penso em tudo, em agradecer esse momento, sem dúvida é um dia, um momento do final. Lógico, de uma carreira muito orgulhosa que conquistei. A última corrida no Brasil na F1. Espero correr em outra categoria no Brasil, é algo especial"

O reconhecimento da equipe

Porém, ainda uma corrida para ser disputada. Não lá na frente, já que Lewis Hamilton parecia ter a sua vitória encaminhada, enquanto Nico Rosberg estava contente com o segundo lugar, que era tudo que ele precisava fazer para continuar dependendo apenas de si para ser campeão em Abu Dhabi. No entanto, a prova não estava encerrada para o resto dos pilotos – em especial para Max Verstappen.

A essa altura, o holandês era o quinto colocado, tendo largado em quarto. Ferrenho defensor da pista molhada, há quem diga que ele fez a dança da chuva em alguns momentos do final de semana. O fato é que o piloto da Red Bull permaneceu agressivo durante toda a corrida, disputando posição com Räikkönen, Vettel e até Rosberg. Tanta agressividade teve um custo, claro: ele aquaplanou na volta 38 e, de forma espetacular, conseguiu evitar a batida. Pouco depois, a Red Bull o chamou para os boxes para colocar pneus intermediários, uma jogada errada que quase colocou tudo a perder em uma pista que continuava encharcada. 

Quando a bandeira verde voltou a ser tremulada em Interlagos, após as devidas homenagens ao Massa no giro 55, o #33 quis ser ainda mais agressivo. Ele parou nos pits, colocou pneus de chuva forte mais uma vez e retornou em 14º lugar. Nas 14 voltas seguintes ele ultrapassou Gutiérrez, Wehrlein, Bottas, Ricciardo, Kvyat, Ocon, Nasr, Hülkenberg, Vettel, Sainz e Perez. E, vamos combinar, só não passou por Rosberg e Hamilton porque a corrida acabou. Se tivesse mais algumas voltas…

O sorriso de quem fez uma grande corrida

Max Verstappen ainda tem seus problemas, claro. Ele pode ser muito “selvagem” em seu estilo de pilotagem, demasiadamente agressivo ou falar suas besteiras ao microfone, mas algo é fato: ele é rápido. E é representação de que, ao mesmo tempo da aposentadoria de grandes pilotos como Felipe Massa e Jenson Button, uma geração muito forte está surgindo. Esse grande sprint final, ocorrendo após o abandono do brasileiro, é uma ótima demonstração disso.

Pois é. O choro de Massa é a grande imagem deste domingo, mas o sorriso de Verstappen no pódio é, também, um breve flash do futuro. 

Obrigado, Felipe. Obrigado, Interlagos

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