Seguindo os moldes da NFL, Champions League e dos grandes blockbusters de Hollywood, Liberty Media muda transmissão na TV e amplia a presença no streaming para ser mais que uma categoria esportiva. Mas, como fica para nós, brasileiros?

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Sobe o som. Tocam acordes bem orquestrados, misturados com sons de motores. Na tela, vemos os rostos e as expressões dos esportistas que, em pouco tempo, vão estar em ação. Poderia ser a abertura de qualquer grande evento esportivo do mundo, como a NFL ou a Champions League. Mas esta é a Fórmula 1.

Essa foi a face mais clara da nova fase da maior categoria do automobilismo mundial, durante o GP da Austrália, no último domingo (25). Depois de um ano sob o controle do Liberty Media, os norte-americanos se sentiram mais confortáveis para imprimir o seu estilo frente à F1. Começando pelo novo logo, apresentado ainda no fim da temporada 2017, mas acompanhado de toda uma identidade visual e, claro, o novíssimo tema de abertura.

E isso é só o começo.

(Hamilton Mercedes)

Vettel comemora a vitória no GP da Austrália – que representou um novo momento para a F1 (Vettel no pódio da Austrália (Foto: AFP))

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O tema de abertura não deixa de ser uma adição tardia à categoria. O hino da Champions League, por exemplo, ecoa nas TVs de todo o mundo desde 1992. Já a BBC, que por décadas teve os direitos da F1 na Terra da Rainha, utilizou a canção ‘The Chain’, da banda inglesa Flatwood Mac, como um tema não oficial de suas transmissões a partir de 1978.

Para executar a missão, o grupo americano convocou Brian Tyler, compositor famoso de Hollywood. Ainda que não esteja em um mesmo nível de John Williams ou Hans Zimmer, Tyler já é acostumado com a velocidade: ele foi o responsável de cinco capítulos da franquia ‘Velozes & Furiosos’, além de outros filmes como ‘Vingadores: Era de Ulton’ e ‘Homem de Ferro 3’.

“Eu sou louco pela Fórmula 1”, disse Tyler no vídeo que, oficialmente, divulgou o novo tema nas redes sociais. Ele, aliás, explicou as diferenças entre compor para uma categoria esportiva e para uma obra de ficção: “Quando eu estou fazendo um filme, por exemplo’, é um roteiro. Eu sei o que vai acontecer. Há uma antecipação para saber para onde o filme vai. Nos esportes, não. É um completo mistério. E, na F1, você nunca sabe se um motor vai explodir, se um membro da equipe vai estragar toda a estratégia, se vai chover… Não há comparação para o drama da vida real em esportes em geral, mas na F1 em particular”.

“Eu sinto que esta será a coisa que vão dizer quando eu morrer: ’O compositor do tema da Fórmula 1’”, fechou um empolgado Brian Tyler.

A franquia Velozes & Furiosos já passou dos US$ 5 bilhões em bilheteria em todo o mundo (Velozes & Furiosos)

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Essa é, ainda, apenas a ponta do iceberg da nova estratégia para televisão da categoria. Como noticiado no GRANDE PRÊMIO e que já ficou claro na abertura da temporada, na Austrália, todas as corridas foram “atrasadas” em dez minutos em relação à tradição da largada em hora cheia. A intenção foi facilitar a transmissão das emissoras de todo o mundo, também ligadas à tradição das horas cheias em sua programação, que ganharam dez minutos antes da largada para trazer entrevistas, estatísticas e informações.

Mais uma vez, como na história do tema, é uma estratégia emprestada de Hollywood. Grandes blockbusters, filmes que atraem multidões para o cinema, destacam o seu início para criar uma imersão do espectador. Com um bom roteiro em mãos, um diretor de respeito vai nos apresentando a cada elemento daquele universo que está sendo construído, a cada personagem. Isso nos ajuda a entender (e aceitar) o que virá a seguir. 

Dessa forma, o combo “música + dez minutos” foi pensado para que o espectador médio, alheio aos meandros da categoria, consiga também imergir mais facilmente. Fica mais fácil, depois levá-lo na corrida em si. Mesmo que, para isso, eles estejam “dourando a pílula”, como se dizia antigamente.

O problema é que, neste primeiro momento, a estratégia não deu muito certo. De acordo com o blog 'F1 Broadcasting', especializado nas transmissões da categoria no Reino Unido, a audiência média da Sky Sports com o GP da Austrália caiu 12,9% em relação ao mesmo GP de 2017. Considerando apenas o pico de público, a diminução foi de 11,6%.

É difícil julgar se há relação direta com a audiência, mas dois fatos desagradaram o público. O primeiro foi o Halo, proteção para a cabeça dos pilotos que vem causando polêmica e que, esteticamente, foi reprovada pelos fãs. Também surgiram reclamações em relação ao diminuto tamanho dos novos caracteres da transmissão. Claramente o Liberty Media privilegiou as grandes telas, deixando as menores (sejam elas antigas TVs de tubo ou modernos celulares com streaming ao vivo ou antena digital) de lado.

No Brasil, a situação foi ainda pior. De acordo com Ricardo Feltrin, colunista do ‘UOL’, a transmissão da Rede Globo teve uma média de 4,4 pontos de audiência na Grande São Paulo – o equivalente a 317 mil domicílios ou 26,2 dos aparelhos de TV. Em 2017, o número havia sido de 6 pontos. Em 2018, como você sabe, o Brasil não tem um piloto como titular na categoria pela primeira vez desde os anos 1970. Outro fato é que o canal brasileiro pouco usou o tempo a mais que ganhou, fazendo quase a mesma transmissão pré-GP que fazia em 2017. Não houve a mesma percepção que os donos da categoria – ou que o próprio SporTV, do Grupo Globo, que investiu em um novo cenário e mais tempo no ar para exibir os treinos livres e a classificação australiana. 

O Halo desagradou, mas será que podemos culpá-lo pela queda de audiência? (Carlos Sainz)

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O curioso é que tal queda vem após um bom ano, em termos de audiência. De acordo com a própria categoria, a audiência global da F1 cresceu 6,2% em 2017 quando comparado com 2016. Os quatro principais mercados para o Liberty – Alemanha, Brasil, Itália e Reino Unido – fecharam a temporada no azul. O nosso país teve um aumento de 13,4%. Foi a primeira vez desde 2010 que não houve fuga de espectadores.

Há, claro, dois detalhes que explicam o crescimento de 2017. O primeiro foi a mudança técnica, com carros mais rápidos e visualmente mais agressivos, que também prometiam uma mexida no equilíbrio de forças – o que, na prática, não aconteceu. O outro está nas entrelinhas.

Para justificar o crescimento no ano passado, o Liberty somou a audiência não só na TV, mas também em plataformas digitais. Ou seja, temos também os números da TV paga (no Brasil, do SporTV) e dos apps e plataformas de streaming (por aqui seriam Globo Play, SporTV Play, Globosat Play e o NOW). De certa forma, a fuga da audiência na tradicional TV linear é sentida não só com a F1.

O Liberty Media sabe disso. É justamente esse ponto que nos leva a outras duas notícias recentes. Como previsto pelo GP* no ano passado e anunciado agora em fevereiro, a F1 anunciou um streaming próprio, com transmissões ao vivo, narrações em várias línguas, farta disponibilidade de câmeras e VTs de corridas antigas. Porém, a plataforma está disponível apenas em 12 países, incluindo EUA, Alemanha, França, México e parte da América Latina. O Brasil ficou de fora, muito por conta de contratos já existentes com o Grupo Globo. O mesmo aconteceu no Reino Unido.

A tendência é que, nas próximas renovações de contrato com as emissoras que atuam em cada mercado do mundo, o Liberty Media abra espaço para a existência do seu streaming próprio em mais países.

No Brasil, o contrato vai até 2020. Porém, isso não impede a própria Globo de tentar diversificar a sua atuação no streaming antes dessa data. Atualmente é possível assinar o Globo Play, que traz transmissões ao vivo. No entanto, nos bastidores, há a discussão para um serviço ainda mais amplo, que vem sendo apelidado de “Globoflix”, em referência à Netflix. A intenção é ter conteúdos exclusivos para a plataforma e, de acordo com a ‘Folha de S.Paulo’, a intenção é agregar conteúdo dos canais Globosat – incluindo aí o SporTV. Isso, claro, se for vencida a resistência de uma ala mais conservadora dentro das empresas do grupo. 

A segunda notícia, que movimentou o imaginário dos fãs da categoria, é o acordo entre o Liberty Media e a própria Netflix. Como também previsto aqui no GP*, não há a previsão de transmissão de corridas ao vivo. Na verdade, foi fechada a produção de uma série original da plataforma, de dez episódios, mostrando os bastidores da temporada 2018. Um dos responsáveis é James Gay Rees, produtor do documentário ‘Senna’.

“A Fórmula 1 é um esporte global que estamos ativamente reposicionando de uma empresa esportiva para uma marca de mídia e entretenimento”, disse Sean Bratches, diretor de operações comerciais da categoria. “Esta série irá trazer um atraente ponto de vista para o esporte que irá deliciar os fãs e servir como catalizador para seduzir novos fãs”.

Como fica claro na fala de Bratches, a estratégia é ir além do evento esportivo em si. Até hoje, a busca da F1 sempre foi para ampliar o calendário – se no começo dos anos 1990 eram 16 GPs por ano, em 2017 serão 21. Ainda que o caminho faça sentido em relação a acordos comerciais em todos estes países, há um limite para o crescimento desse calendário. Como, então, gerar reconhecimento e engajamento com o público fora das transmissões ao vivo e da cobertura no noticiário e nas redes sociais? Como ter audiência em uma segunda-feira? Numa quarta? Como ir ao público onde ele está? É nisso que se encaixa a nova série.

Uma das sedes da Netflix, em Los Gatos, Califórnia. A ajuda que a F1 precisa está lá?

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A Netflix tem, hoje, 118 milhões de assinantes, lançando novas séries, temporadas e filmes próprios todas as sextas-feiras, fora conteúdo de terceiros. Não há números oficiais para o Brasil, mas estimativas variam entre 6 a 10 milhões de assinantes por aqui. Muitos são consumidores ávidos por conteúdo, que maratonam as séries e se engajam nas produções. Os fãs da categoria vão assistir à nova série, obviamente, mas a plataforma tem o poder de impactar um grupo grande pessoas que não se interessariam pela F1 em outras situações. Eles podem migrar para as transmissões ao vivo depois, mas, mesmo que isso não aconteça, estará formado um público para mais séries e produções no formato.

Por outro lado, vale lembrar, a Fórmula 1 contou com 352 milhões de “espectadores únicos” em 2017, de acordo com seus próprios números – três vezes mais que o número de assinantes da plataforma de streaming. Podemos dizer que é um acordo no qual as duas partes saem ganhando.

Os caminhos estão traçados. Agora, é questão de afinar as estratégias, arrumar o que não deu certo e ampliar o que deu. Porém, se as ações extra pista não surtirem o efeito desejado, não podemos descartar mudanças esportivas para atrair mais público…

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