Lewis Hamilton, justamente aquele que tem voz para comandar um movimento e conseguir um papel de protagonista para os pilotos, resolveu se calar e seguir em seu mundo de selfies e cassinos. É um pouco de sabotagem e um tanto de comodismo

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Lewis Hamilton certamente conseguiu se consolidar como uma das figuras mais marcantes da F1. Dono de opiniões fortes, é o tipo de cara que você espera ver apoiando mudanças mais drásticas na categoria. Hoje, todavia, o britânico recuou e tirou dos pilotos o fardo de tomar decisões e propor ideias

Seja por comodismo, seja por descrença em um novo futuro, algo parece claro: o tricampeão conseguiu decepcionar aqueles que tanto anseiam por uma reestruturação no campeonato, que passa por um rápido processo de deterioração.

Não que Hamilton, sozinho, seja capaz de resolver todos os problemas do mundo – sabemos que isso seria surrealismo. Mas certamente trata-se de um balde de água fria sobre um movimento de pilotos que dá pinta de estar ganhando força. Nunca antes a Associação de Pilotos, a GPDA, havia publicamente pedido por mudanças no comando da F1, claramente obsoleto. Nomes como Sebastian Vettel, Fernando Alonso e Alexander Wurz encabeçam um movimento que pode ser a faísca para algo muito maior do que cartinhas despretensiosas.

Lewis Hamilton não quer ter voz (Lewis Hamilton (Foto: Getty Images))

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Mas aí vem Hamilton e sabota a proposta. Justo ele, um dos pilotos de maior sucesso na história recente da categoria. Justo aquele que, no fim das contas, é o que ganha mais destaque, as manchetes de tamanho mais generoso. Que fosse o Rio Haryanto, pelo menos. Aí ninguém daria bola.

Enfim, a posição de Hamilton representa muito mais do que uma sabotagem. Representa o comodismo. É muito fácil focar apenas na pilotagem e não lutar por direitos e poderes que podem fazer toda a diferença. Ainda mais quando alguém como ele engata dois títulos seguidos, com um carro que é muito melhor do que os da concorrência.

(E notem: para Hamilton não faz sentido querer que as coisas mudem. Para ninguém na Mercedes, na verdade. Perceba que a equipe prateada sempre é a que se posiciona contra mudanças mais radicais no esporte. Nada é por acaso.)

Sebastian Vettel é citado por Lewis nas declarações sobre os papeis dos pilotos. O inglês diz que o alemão é o único que expõe opiniões nos encontros da GPDA. Vettel, logo ele que não tem nenhuma conta em redes sociais, que parece ser muito mais introvertido, sacou qual é o papel dos pilotos: ser o protagonista. Hamilton, rodeado pelo seu mundo de cassinos, selfies e mensagens motivacionais no Twitter, não sai da bolha.

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O tetracampeão tem tudo para encabeçar uma reação por parte dos competidores, justamente por compreender seu papel. Vettel é o cara que, preciso fosse, convocaria uma greve de pilotos para reivindicar isso ou aquilo, justamente como chegou a acontecer em 1982. Hamilton seria o pelego, o cara que iria cumprir sua jornada de trabalho, já que é pago para tal, e vida que segue.

Eu não sei o leitor, mas eu não costumo esperar muita coisa de pelegos. Neste caso, tudo que alguém como Hamilton poderia fazer é retardar uma reação dos pilotos. Ou, com a força de mais alguns, impedir em definitivo. Estamos falando de um campeão, um cara que ganha toda atenção do mundo. Mas certamente existem outros que pensam do mesmo jeito, só não tornaram isso público.

A grande decepção não é nem por ver alguém como Hamilton tomando uma posição tão inadequada. A grande decepção é por ver alguém como Hamilton negando seu protagonismo. Dando voz ao direito de não ter direitos, em suma.

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