Kimi Räikkönen teve seu contrato renovado pela Ferrari. A decisão, altamente questionável por si só, tem um significado negativo para a ‘silly season’: sem vagas de ponta em aberto, o mercado de pilotos se vê emperrado

FacebookTwitterLinkedInWhatsAppTelegramPinterestEmail

google_ad_client = “ca-pub-6830925722933424”;
google_ad_slot = “2258117790”;
google_ad_width = 300;
google_ad_height = 600;
//pagead2.googlesyndication.com/pagead/show_ads.js

A grande notícia da F1 nesta sexta-feira (8) foi a já aguardada renovação de Kimi Räikkönen. O finlandês, que desde 2013 parece estar correndo só para cumprir tabela, segue agraciado pela Ferrari, que uma vez mais optou por não arriscar nada novo. A decisão de Maranello tem consequências importantes para a ‘silly season’: com todas as vagas de ponta ocupadas, o mercado de pilotos acaba emperrado e sem dar méritos àqueles que são merecedores.

Pense nas possibilidades. Kimi demitido poderia significar uma chance para Sergio Pérez ou Romain Grosjean, dois pilotos em grande fase, em uma grande equipe de ponta. Por sua vez, vagas na Force India ou na Haas seriam bem aproveitadas por quem não têm para onde ir. Um efeito cascata. Bastava só a Ferrari ter colhões e escolher alguém com potencial.

Mas faltaram os colhões. A Ferrari, como de praxe, mantém o conservadorismo que a fez evitar jovens pilotos por muito tempo. Salvo casos como os de Jean Alesi e Felipe Massa, a preferência sempre foi por medalhões consagrados. Michael Schumacher fez história em Maranello, mas não sem antes ganhar duas taças na Benetton.

Claro, a Ferrari faz o que bem entende com sua dupla de pilotos. Não é a falta de oportunidades para jovens pilotos que tira o sono de Maurizio Arrivabene. Mas parece que tal postura está cobrando seu preço: não dá para dizer que uma equipe que não ganha título de nada desde 2008 está correta em tudo. A política de contar com dois pilotos competitivos dá mais resultados do que a de primeiro e segundo piloto, como os últimos anos nos mostram.

A decisão pró-Räikkönen da Ferrari fecha em definitivo outra dupla para 2016, assim como se viu na Mercedes, Red Bull e Force India. Salvo a Williams, os melhores carros estão todos ocupados. Na rabeira do grid, a situação é praticamente oposta: nas seis piores equipes e suas 12 vagas, só três possuem um dono.

O GRANDE PRÊMIO refletiu sobre os últimos movimentos de equipes e pilotos, trazendo uma análise completa sobre o que será de 2017.

Mercedes

 

Nada mudará na Mercedes em 2017. Apesar dos atritos recentes, Lewis Hamilton e Nico Rosberg serão companheiros de equipe pelo quinto ano consecutivo.

Houve algum suspense em relação ao futuro de Rosberg, todavia. A Mercedes levou algum tempo até bater o martelo e renovar o contrato por mais dois ano, o que levou ao surgimento de alguns rumores sobre uma transferência para a Ferrari, formando dupla com Kimi Räikkönen. Mas é óbvio que não foi pra frente – o filho de Keke não é bobo.
(Lewis Hamilton (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio))

Ferrari

 

A Ferrari era uma peça importantíssima para o quebra-cabeça desse ano. A renovação de Kimi Räikkönen, todavia, jogou por terra a possibilidade de uma surpresa em uma equipe de ponta.

Sebastian Vettel, responsável pelos grandes resultados da Ferrari, nunca foi uma dúvida. O alemão saiu da Red Bull pensando ao longo prazo, tentando acabar com o interminável jejum de títulos em Maranello. E 2017, com um novo regulamento, pode ser a grande chance. Assim, Vettel nunca pensou em trocar de casa.
(Sebastian Vettel (Foto: Ferrari))

Red Bull

 

Outra que já fechou suas portas. Daniel Ricciardo chegou a ser uma possibilidade na Ferrari, caso Räikkönen fosse defenestrado. Tão logo essa chance se esgotou, o australiano renovou o contrato sem pensar muito.

O sucesso imediato de Max Verstappen na Red Bull serve para acabar de vez com qualquer chance de uma nova mudança na dupla taurina para 2017. Carlos Sainz Jr. é muito bem cotado dentro da equipe, mas simplesmente não há espaço para ocupar.
(Max Verstappen e Daniel Ricciardo (Foto: Beto Issa))

Williams

 

A Williams é uma verdadeira bagunça quando se trata de 2017. A equipe deu a entender que renovaria com seus pilotos, mas as coisas começaram a mudar quando Felipe Massa começou a se assanhar com a Renault.

Isso levou Jenson Button a ganhar força na briga pela segunda vaga da Williams. O inglês parece perto de ser demitido da McLaren, que quer Stoffel Vandoorne em seu lugar. O maior rival de Button em Grove ainda é Massa, que não sabe se vai ou se fica. Valtteri Bottas é o mais perto de uma certeza que se tem.
(Felipe Massa (Foto: Beto Issa))

Force India

 

A Force India foi diretamente afetada pela renovação de Räikkönen: Sergio Pérez estava louco para se mandar para Maranello. A equipe de Silverstone chegou dizendo que o mexicano já tinha contrato renovado há tempos, mas isso não impediu a boataria de ganhar força.

Nico Hülkenberg é outro com destino traçado. Não era certo o que aconteceria com o alemão, visto como uma possível estrela no Mundial de Endurance, onde já brilhou com a Porsche. Mas Hülk acabou renovando seu contrato com a Force India.
(Nico Hülkenberg (Foto: Force India))

Toro Rosso

 

A Toro Rosso renovou com Carlos Sainz Jr, que chegou a ser visto como um possível reforço para a Renault. A segunda vaga, por sua vez, ainda está muito em aberto.

Daniil Kvyat pode ver seu inferno astral eterno ganhar um novo capítulo: a demissão na Toro Rosso é uma possibilidade concreta, já que o russo não é mais visto como útil para o programa de pilotos da Red Bull. Nesse caso, Pierre Gasly é o nome da vez – trata-se do único piloto taurino batendo na porta da F1. O que conta contra o francês é o começo de ano ruim na GP2, marcado pela inconstância.
(Carlos Sainz (Foto: Red Bull/Getty Images))

McLaren

 

Fernando Alonso, o menino de ouro da McLaren, já tem contrato renovado para 2017. O espanhol segue com o discurso otimista, sonhando até com disputa de título.

A segunda vaga parece carta marcada para Stoffel Vandoorne. O belga está na Super Formula japonesa, esperando pela chamada da McLaren – que tem tudo para acontece desta vez. É improvável que Jenson Button renove o contrato, e, caso o namoro com a Williams não dê em nada, a aposentadoria está logo ali.

Haas

 

A Haas ainda não tem nada de concreto, mas é difícil que algo mude. Romain Grosjean está apaixonado, vivendo o ‘sonho americano’ e simplesmente não tem outras opções. Só falta renovar.

Algo parecido acontece com Esteban Gutiérrez, mas em menor escala. O mexicano peca pela falta de resultados, mas tem uma rede de contatos extremamente conveniente: a Ferrari o quer na Haas, assim como o dinheiro mexicano de Carlos Slim. Salvo um plot-twist daqueles, nada muda na esquadra de Gene Haas.
(Romain Grosjean no GP da Rússia (Foto: Getty Images))

Renault

 

Dentre as equipes pequenas, a Renault é um coringa. Kevin Magnussen e Jolyon Palmer são muito questionados e correm o risco da demissão – principalmente o britânico.

Mas é cedo para dizer quem pode vir. Felipe Massa é visto como um bom candidato, mas ainda parece longe de assinar um contrato. Esteban Ocon também é bem visto, podendo seguir emprestado pela Mercedes.

De resto, qualquer piloto sem contrato tem chances pequenas: Jenson Button, Daniil Kvyat, Felipe Nasr…
(Kevin Magnussen (Foto: Beto Issa))

Manor

Para seguir com motor Mercedes, é provável que a Manor siga com Pascal Wehrlein, pupilo dos prateados e sem outro lugar para ir.

A outra vaga é uma grande dúvida. Rio Haryanto arranjou dinheiro para encerrar o ano na Manor, mas 2017 é outra história. Dito isso, quem chegar com a carteira mais gorda pinta como favorito. Outra possibilidade, ainda que remota, é uma equipe maior (Ferrari, Red Bull ou McLaren), comprar o segundo carro para algum piloto sem vaga.
(Pascal Wehrlein (Foto: Manor))

Sauber

 

Não sabemos nem se a Sauber vai seguir existindo em 2017, quem dirá seus pilotos. Felipe Nasr e Marcus Ericsson correm sério risco de abandonar a F1 no próximo ano, tanto pelo momento ruim da equipe quanto pela pilotagem medíocre apresentada.

Tal qual a Manor, quem aparecer com a grana mais generosa vira favorito. Se a Alfa Romeo comprar a Sauber, como se especula, pode ser que um piloto italiano venha aí. Nesse sentido, Antonio Giovinazzi faz um bom trabalho na GP2, dando sequência ao que se viu na F3 Euro.
(BAKU, AZERBAIJAN – JUNE 17: Felipe Nasr of Brazil driving the (12) Sauber F1 Team Sauber C35 Ferrari 059/5 turbo on track during practice for the European Formula One Grand Prix at Baku City Circuit on June 17, 2016 in Baku, Azerbaijan. (Photo by Mark Thompson/Getty Images))

Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.

GOSTA DO CONTEÚDO DO GRANDE PRÊMIO?

Você que acompanha nosso trabalho sabe que temos uma equipe grande que produz conteúdo diário e pensa em inovações constantemente. Mesmo durante os tempos de pandemia, nossa preocupação era levar a você atrações novas. Foi assim que criamos uma série de programas em vídeo, ao vivo e inéditos, para se juntar a notícias em primeira-mão, reportagens especiais, seções exclusivas, análises e comentários de especialistas.

Nosso jornalismo sempre foi independente. E precisamos do seu apoio para seguirmos em frente e oferecer o que temos de melhor: nossa credibilidade e qualidade. Seja qual o valor, tenha certeza: é muito importante. Nós retribuímos com benefícios e experiências exclusivas.

Assim, faça parte do GP: você pode apoiar sendo assinante ou tornar-se membro da GPTV, nosso canal no YouTube

Saiba como ajudar