Liberty Media anunciou a compra da F1 nesta quarta, abrindo um novo foco para o futuro da categoria: o entretenimento

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A maior categoria de automobilismo do mundo tem, agora, um novo dono. Trata-se da Liberty Media, que anunciou que comprou a Formula One Group, a responsável pela promoção e exploração dos direitos comerciais da F1, por US$ 8 bilhões. A empresa com sede nos EUA recebeu 18,7% das ações de forma imediata, com o restante passando para as mãos deles no primeiro bimestre de 2017 após serem cumpridos os trâmites legais.

A CVC Capital Partners, que era a sócia majoritária da categoria desde 2006, irá receber parte do pagamento em dinheiro e parte em ações da própria Liberty, que irá absorver o antigo grupo e renomear a si mesma Formula One Group. A CVC terá 65% da nova empresa, mas sem direito a voto no conselho.

Isso, claro, é o papo acionário — que é relevante. Porém, mais importante do que isso, é saber quem é essa tal de Liberty Media e o que ela pretende com a F1. Uma dica: entretenimento.

Para entender, vamos voltar ao começo do conglomerado midiático. A empresa surgiu no já longínquo ano de 1991, criada a partir de diversos negócios da Tele-Communications, Inc., a TCI, que começou a trajetória como uma operadora de TV paga de Denver, Colorado. John C. Malone, presidente da TCI desde de 1972, foi chefiar a então nova companhia, que já nascia dona do Discovery Channel.

O foco do Liberty, desde o primeiro dia, é controlar empresas de sucesso no mundo do entretenimento, adquirindo ou lançando os mais diversos negócios na área – entre eles, as distribuidoras de conteúdo e canais pagos Encore e Starz, que chegaram a se tornar uma só empresa no final dos anos 1990. Além disso, na mesma década, a companhia entrou em uma joint-venture para participar naquilo que se tornaria o Fox Sports.

Sede da Liberty Media em Denver (Sede da Liberty Media em Denver)

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A empresa também se envolveu na grande transação financeira que foi a fusão da TCI com a operadora AT&T, e, a partir aí, passou a fazer parte do conglomerado de telefonia, ganhando um gás ainda maior para investir em novos negócios. Isso incluiu uma divisão chamada Liberty Interactive, focada em tecnologias para o desenvolvimento de programação interativa, além de lançar uma das primeiras iniciativas de música digital do mundo, isso em 1999.

No começo dos anos 2000, a AT&T se viu obrigada a separar a Liberty Media para poder comprar um grupo concorrente, o MediaOne Group. Dessa forma, a empresa passou a ter Malone como o maior acionista, se tornou independente e foi atuar de forma mais intensa na Europa – inclusive fundando, em 2005, a Liberty Global, criada a partir de uma fusão com a UnitedGlobalCom. No Velho Continente, a empresa hoje está presente em 12 países como operadora de TV paga, além de ter seus próprios canais.

No mesmo ano, o Discovery Channel e seus canais irmãos, como TLC e Animal Planet, saíram do grupo para formar uma nova empresa, que finalmente daria origem à Discovery Networks. Hoje em dia, a Liberty Media não é mais a dona majoritária da programadora de canais pagos, mas, dizem, ainda possui bastante influência nas decisões lá dentro.

Até mais do que ter seus próprios negócios, a Liberty se destacou por comprar um grande número de ações de outros grupos de mídia. Um deles, por exemplo, foi a News Corporation, o conglomerado de Rupert Murdoch que, recentemente, separou o entretenimento dos outros negócios para formar a 21st Century Fox — incluindo nela os canais de TV e o estúdio de cinema de mesmo nome. O outro é a Time Warner, dona da Warner Bros. Pictures, da DC Entertainment e canais de TV como CNN, TNT e Cartoon Network.

A Liberty usou esse poder acionário para fazer acordos com os dois grupos. Com a Fox, deu para a família Murdoch as ações que possuía (e mais US$ 550 milhões) em troca da DirecTV — que, no Brasil, controla a Sky – junto com alguns canais regionais da Fox Sports. Em 2014, a operadora de TV via satélite e os canais foram revendidos para a antiga dona da Liberty Media, a AT&T.

Já com a Time Warner, Malone negociou a troca de ações pelo time de baseball Atlanta Braves, no grupo desde os anos 90. Diferentemente do Brasil, times esportivos são grandes empresas que, quase sempre, estão nas mãos de investidores ou de conglomerados midiáticos. 

Turner Field, o estádio do Atlanta Braves

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Atualmente, a Liberty Media ainda tem participações em empresas como a rede de livrarias Barnes & Noble, a maior neste segmento nos EUA, além de pequenas porcentagens da Viacom (conhecida por canais como Nickelodeon e MTV), Time Warner, Time Warner Cable, da operadora Sprint e do site Tastemade. No Brasil, o grupo tem 27% da Ideiasnet, uma gestora de investimentos focada em empresas de tecnologia e startups. Outra presença da Liberty em terras tupiniquins é via TripAdvisor, da qual é dona, e da Expedia, da qual é acionista. Esta última empresa presta serviços no nosso país com as marcas Hoteis.com e Trivago, além de ter parte da Decolar.com.

Isso tudo deixa claro que a Liberty Media entra na jogada da F1 para fazer dinheiro. Porém, com um perfil bem diferente da CVC, que é um fundo de private equity que investe nas mais diversas empresas em vários mercados. Inclusive, a própria CVC é dona, além da F1, da empresa de apostas Sky Bet, da operadora de loteria malaia Magnum e da empresa de segurança online tcheca Avast, esta última famosa pelo antivírus de mesmo nome.

A empresa liderada por Malone é, mais do que tudo, especializada naquilo que a F1 precisa: no show, em mídia e em grandes negociações de direitos de exibição. É notório que a categoria se tornou sisuda e distante do público nos últimos anos e até buscou um acordo com a marca de cervejas Heineken para trabalhar melhor a interação nas redes sociais. Só que o desafio não acabou aí.

Com a Liberty no comando, a F1 terá mais força para renovar contratos com os canais de TV, negociando mais espaço, dinheiro e atenção. Se o tal canal for do grupo ou o grupo tiver ações dele, perfeito. Se não tiver, a simples ameaça de manter tudo em casa pode ser positiva na negociação.

Malone, que hoje tem 75 anos, também tem mais know-how de distribuição digital e streaming, um caminho para o qual vai a televisão mundial. Os Braves, por exemplo, têm as partidas transmitidas via streaming na internet e em um app para smartphones e tablets da MLB. Enquanto isso, a F1 permite apenas acompanhar o live timing e o posicionamento dos carros durante os GPs – e por um valor maior de assinatura mensal. 

O próprio Bernie Ecclestone, em recente entrevista à Reuters, já havia adiantado que este será o caminho a seguir a partir de agora. “Eles parecem capazes de fazer coisas em mídias sociais, coisas que eu não fiz. Eles lidam com comerciais com seus canais de TV. Nós vamos nos acertar”.

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O mesmo pode se aplicar ao recém-nomeado presidente da nova empresa, Chase Carey. Cria da velha News Corp, o executivo ajudou a lançar a Fox News e a Fox Sports, além de ter passado pela DirecTV. Nos últimos anos, Carey foi vice-presidente e COO (responsável por operações) da 21st Century Fox. “Eu admiro a F1 como um esporte global e franquia de entretenimento que atrai centenas de milhões de fãs de todo mundo a cada temporada”, comentou o executivo no comunicado oficial que sacramentou o acordo para a imprensa, investidores e espectadores. “Vejo uma ótima oportunidade de ajudar a F1 a continuar o desenvolvimento e prosperar para o benefício do esporte, dos fãs, dos times e dos investidores”.

Em Hollywood, Carey é visto como um executivo de mão firme no controle dos negócios. 

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Obviamente isso não quer dizer que a intenção dos novos donos é, necessariamente, mudar o que acontece dentro das pistas. Os times da F1 têm, há alguns anos, liberdade para ditar as próprias regras – e estão, desde já, convidados a investir na nova empresa. Isso sem contar que Bernie continuará como diretor-executivo da Formula One Group nesta fase de transição. O mítico inglês já está com 85 anos e, recentemente, disse que a ideia de Carey e Malone é de mantê-lo lá por mais três anos.

Uma questão que fica, claro, é se o negócio irá durar. Bernie nunca foi dos mais fáceis na gestão do negócio F1 e a Liberty, que também tem o histórico de vender empresas que comprou, botou algumas condições para concretizar o negócio de forma definitiva – como a aprovação da FIA e de órgãos antitruste. Por fim, existe uma dívida de US$ 4,1 bilhões (em torno de R$ 13,3 bilhões) que a Liberty Media está assumindo. De qualquer forma, o compromisso da empresa em mudar o próprio nome para Formula One Group é uma tentativa de mostrar um compromisso de longo prazo.

O futuro é, claro, imprevisível. Agora, se tudo der certo, temos a chance de ter um relacionamento totalmente diferente com a F1 daqui cinco ou dez anos. Ainda bem. 

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