Matheus Leist levantou a taça da F3 Inglesa, sendo o 13º brasileiro campeão no certame. Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna são outros que alcançaram a façanha. Mas é hora de largar os exemplos e planejar a própria rota: Leist descarta a F3 Europeia e vê a GP3 como objetivo em 2017

Matheus Leist não parecia estar no radar de grandes promessas no automobilismo brasileiro. Correndo na F3 Inglesa, o piloto fazia um bom trabalho, mas passava despercebido. Tudo mudou no último fim de semana: em Donington Park, Leist venceu uma das três provas da rodada e assegurou o título.

Agora credenciado com um dos títulos mais respeitados do automobilismo europeu, Leist pensa no futuro. Mesmo representando um país que sofre para emplacar novos talentos, o piloto gaúcho acredita que tem o que é necessário para seguir seu caminho para a F1. E o título britânico é só o primeiro grande passo nessa direção.

Falando ao GRANDE PREMIUM, Matheus comemora a chegada da boa notícia em um momento de vacas magras. Para um país que ainda nem sabe se terá pilotos na F1, um título no velho continente chega como um alívio.

“É justamente o momento perfeito para a gente ganhar um título”, acredita Leist. “O Massa saiu da F1, se o Nasr continuar vai ser andando em uma Sauber, uma equipe do gênero. Foi um momento muito bom para ganhar o título, e eu acho que sou, hoje, um dos principais nomes brasileiros para entrar na F1. Lógico, outros estão em categorias maiores. Mas, apesar de a minha categoria ser menor, o resultado apareceu. Acho que estou, sim, nessa lista de próximos brasileiros a entrar na F1”, segue.

A F3 Inglesa é um campeonato de respeito. Mas já foi mais importante: Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna conseguiram passar da categoria de base diretamente para a F1. Os brasileiros que se consagraram por lá recentemente também obtiveram sucesso, mas não sem dificuldades: Antônio Pizzonia e Felipe Nasr, por exemplo.

A perda de prestígio da F3 Inglesa pode ter sido causada por uma série de motivos, mas isso não interfere na qualidade do grid. Leist assegura que, cada vez mais mundial, o certame britânico cumpre bem seu papel de desenvolver talentos.

“É um grid muito competitivo, com pilotos de muitos países. Tinha piloto australiano, indiano, inglês, brasileiro, o nível era muito alto. O nível das equipes continua sendo muito bom, todas as equipes da Inglaterra ainda estão nessa categoria. Não é mais uma categoria de acesso por conta da F1 ter mudado muito, não pela F3 ter ficado fraca ou algo do gênero. É que para chegar na F1 exige muito dinheiro, por isso que não é mais uma categoria de acesso direto”, pondera.
(Matheus Leist (Foto: F3 Inglesa))

Abrindo mão da F3 Europeia

O dinheiro citado por Leist é um fator importante: por não contar com rios de grana, as decisões se tornam mais complexas. E, precisando ser certeiro ao assinar contratos, o brasileiro já tem uma certeza: a F3 Europeia não vale a pena. A decisão é técnica: o aprendizado fica comprometido pelos pneus, “muito ruins”. Olhando de fora, Matheus vê o compatriota Pedro Piquet sofrendo com a escolha pelo campeonato continental.

“Dá para ver que ele perdeu tempo por ter chegado na F3 Europeia e não estar fazendo nada. Eu não posso julgar, não posso dizer se ele está mal ou se é a equipe, mas os resultados não estão nem perto do que se esperava. Mas é que o pneu dessa categoria é muito ruim”, aponta Leist.

“Já guiei esse carro, ele é muito chato por conta do pneu. Não é que precisa aprender, não é que precisa usar o que ele aprendeu aqui para andar lá. Ele não consegue por conta do pneu, que é muito ruim, e ele teve que começar do zero. Acho que isso dificulta muito o aprendizado. Por isso que nunca cogitei e nem vou cogitar correr na F3 Europeia, pelo fato de o pneu ser muito ruim”, dispara.

O equipamento da F3 Europeia fica atrás até do utilizado na F3 Brasil. No certame nacional — onde competiu em 2014, pela categoria Light —, Leist se via em condições de pelo menos aprender aspectos básicos da pilotagem.

“O carro da F3 Brasil é muito bom para aprender, o carro é muito rápido. O próprio pessoal da Europa sabe disso, eles dizem que esse carro que tem no Brasil é bom. São carros ultrapassados, mas muito bons para se aprender. E o pneu que se usa no Brasil é mil vezes melhor do que o que se usa em uma F3 Europeia, digamos. O pneu que se usa na F3 Inglesa é o mesmo do Brasil, que é muito bom”, comparou.

O ano que o Verstappen correu (na F3 Europeia), ele foi terceiro. O Ocon foi campeão, mas não foi para a F1. É realmente o dinheiro que manda

A oposição ao certame europeu está longe de ser uma decisão simples. Aos poucos, a F3 Europeia assume a condição de grande formadora de pilotos para a F1 – talvez até gerando mais frutos do que a GP2. Mas nem isso serve para fazer Leist mudar de ideia: só o dinheiro viabiliza o sucesso por lá.

“O ano que o Verstappen correu, foi terceiro. O Ocon foi campeão, é um puta piloto, mas que não foi para a F1 naquele ano. Fez mais um ano de GP3, foi campeão de GP3, e ainda não foi para a F1. Só agora no meio do ano que conseguiu. É para ver que não é nem a questão do título, da visibilidade. É realmente o dinheiro que manda", crava Leist.

"Tem o próprio Vandoorne, é um piloto ótimo, mas que ainda não tinha o dinheiro ou o auxílio para entrar na F1. O Verstappen, lógico, é um cara fenomenal, mas ele tinha um apoio por trás. O Stroll tem grandes chances de andar de F1 no ano que vem, mas o cara é milionário, talvez bilionário. É um absurdo o que ele tem de dinheiro. Então ele está indo para a F1 com o dinheiro dele, não por causa da categoria”, aponta.
(Matheus Leist (Foto: F3 Inglesa))

GP3, a escolhida

Sabendo que a F3 Europeia não vai ser a escolha para 2017, Leist se vê com opções mais restritas. Dentre as cartas que o baralho lhe deu, a GP3 passa a ser a opção mais atraente. Buscando um meio termo entre orçamento e competitividade, o penúltimo degrau antes da F1 passa a ser bem visto.

“Como o orçamento da GP2 está muito caro, provavelmente será a GP3. No momento eu preciso de alguém que me apoie, a gente tem capacidade de ir mais longe, eu acho que a gente consegue. Só depende de estar no lugar certo na hora certa, fazer um trabalho bem feito”, comenta.

“Só preciso de um apoio no momento, e já estamos indo atrás de bastante coisa. Mas eu acho que tudo vai dar certo. Existe uma grande possibilidade de eu andar de GP3 no ano que vem. Estou conversando bastante com a Arden”, segue.

A Arden é uma das equipes mais tradicionais do automobilismo europeu. A escuderia foi fundada em 1997 por Christian Horner, hoje chefe da Red Bull. Na GP3, a história é de sucesso: Mitch Evans e Daniil Kvyat se sagraram campeões pela escuderia, respectivamente em 2012 e 2013. Já em 2016, com dois triunfos no bolso, os britânicos pintam em segundo na tabela.

A voz de quem conhece

Danilo Dirani, hoje piloto da Stock Car, conhece Matheus Leist como poucos. Dirani atua como ‘coach’ de Leist, sendo uma peça fundamental na adaptação do gaúcho ao automobilismo europeu. Na opinião de Danilo, o que mais chama atenção no jovem é a combinação entre o talento e uma boa mentalidade.

“Hoje em dia é fácil ver jovens pilotos que até têm talento, mas que se perdem. Tanto nas atitudes quanto nas escolhas. E as do Matheus já vêm de família, mas é preciso fazer essa mentalidade sempre prevalecer sobre qualquer situação que seja”, disse Dirani, com exclusividade para o GRANDE PREMIUM.

“Trabalhei com o Sérgio (Sette Câmara) durante um ano, inclusive foi indicação minha ele correr pela Motopark na F3 Europeia. E eu vi o Pedro (Piquet) ano passado na F3 no Brasil, pois ele corria na mesma equipe que o Matheus Iorio e o Guilherme Samaia, pilotos que assessoro na F3. Não gosto de comparar alguém com outra pessoa, mas o que posso dizer é que a mentalidade que o Matheus tem é de vencedor”, segue.
(Danilo Dirani)

“Isso faz parte do meu trabalho, puxar sempre o melhor dele em todos os momentos. E isso potencializa o talento que ele tem. Qualquer mudança desse padrão vira uma bola de neve e aí o piloto não sabe o que fazer, se perde. Digo por experiência própria. Além da minha ajuda, ele que precisa se ajudar, livre de qualquer coisa que não some com o resultado em pista. Então esse realmente é um dos pontos mais fortes”, pondera.

O combo formado por Leist, apesar de ainda não explorado pelas grandes escuderias europeias, enche Danilo de esperança. A F1 é, sim, uma possibilidade.

“Minha geração é a que brilha na F1 atual, corri com muitos pilotos que lá estão. Não tive oportunidade de seguir, mesmo tendo resultados, mas isso me dá credibilidade de dizer que o Matheus tem total capacidade e talento para brilhar na F1”, avalia.

O próprio Dirani tentou percorrer a trilha para a F1, mas ficou pelo caminho. Depois de dois anos na F3 Inglesa, Danilo precisou voltar ao automobilismo nacional. Os contatos no Reino Unido hoje servem para ajudar a nova geração de pilotos brasileiros, através de indicações para equipes europeias.

“Com o Sérgio (Sette Câmara) eu fiz essa ponte e tenho muita gratidão. Fiz meu nome anos atrás, tenho ótimos contatos com equipes na Europa, principalmente na Inglaterra. E, além de contatos, tenho amigos por lá. Isso conta bastante, pois eles confiam também. É um trabalho novo que surgiu para mim, mas que vem dando certo”, segue.

Mas os contatos em si não bastam. Danilo, mesmo otimista, tem consciência de que a falta de patrocinadores pode ser um problema no futuro.

“Por enquanto vem da família (o patrocínio), nessa fase faz parte. A partir de agora, com um trabalho de divulgação sendo feito, além de a família usar os contatos que tem, acredito que as coisas irão acontecer para ele. Esse é um trabalho que não faço, mas que em 2017 e 2018 será essencial para dar sequência”, conclui.

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